O texto que seria e não foi

12 de dezembro de 2010

Olá, leitores. Tudo bem com vocês? Espero que sim, todos sempre esperamos. Esperamos. Esperamos… De braços cruzados na maioria das vezes, de braços cruzados, pernas inquietas, olhar de soslaio pr’aquele canto que está a alguns passos da gente e guarda nossa felicidade dita clandestina. Às vezes a alguns quilômetros. Ou muitos quilômetros. Ou nem guarda felicidade. Ou é miragem. Ou caverna de Ali Baba. Mas nem tenho 40 ladrões.

Em compensação, tenho 40 sonhos. E eu te espero pra realizá-los junto de ti. Porém nem sei quem tu és, mas saberei um dia e terei certeza que esse era quem eu esperava. Talvez eu só saiba disso após ter estragado tudo com esse meu jeito que todos sabemos como é, mas de antemão peço que não te zangues, te mostrarei este texto e tu saberás que é pra me perdoar por algo que nem sei. Então vai me perdoar e realizaremos 40 sonhos que talvez sejam os mesmos 40 que tu tens e está pensando justamente agora, nesta madrugada de pensamentos n’um caleidoscópio.

Eu tinha um caleidoscópio quando era criança, sabia? Tinha um caleidoscópio e tinha sonhos diferentes destes. Acho que fui mimeografá-los e o carbono não repassou pra outra página exatamente o que havia. Não quero citações de tábulas rasas, mas às vezes é só isso mesmo, não é?! Um nada… Meu nada sempre tão cheio de tudo e que precisa que tu passes uma borracha e assopre a poeirinha pro lado de lá.

Do lado daqui estou eu, continuo esperando. Estou imprensada em um canto da sala, sem brisa que me afague, sem mão que me acarinhe. Eu tenho andado assim por um longo tempo, mesmo quando tenho outras mãos que são calejadas demais pra acarinhar meu rosto, que não me ensinaram como ser feliz.

Eu acho que já fui feliz de verdade. Lembro que meu aniversário de 10 anos foi do fundo do mar e vovô mandou pintar ondinhas por todo quintal. Um quintal com ondinhas e a mesa de docinhos em uma parte com rampa que eu não podia pegar porque estava de cadeira de rodas. Eu era triste e feliz. Mas eu fui feliz.

Por isso que penso que vocês, estranho futuro leitor e semi-conhecidos atuais leitores, devem pensar que às vezes o paradoxo está nos olhos de quem vê. Felicidade pode, sim, coexistir com tristeza. Quando a gente chora de felicidade e ri aquele riso sincero e nem sempre é melhor ser alegre do que ser triste, pra fazer um samba é preciso um bocado de tristeza.

E você, futuro estranho ou conhecido leitor, me ensina a sambar? Se não souber, pode me ensinar a fazer origami, sapatear, tocar flauta, interpretar eletrocardiogramas ou assobiar. Ou simplesmente me ensina a ser feliz de novo? Só não conta pra todos pois tenho que estar feliz desde agora. Ah, mas estou, porque sei que tu estás aí e eu estou aqui e um dia nós realizaremos 40 sonhos e teremos vários outros e realizaremos e sonharemos e tudo isso cada vez mais, n’um loop sem fim de quem sabe que pode colocar a culpa nas palavras, mas também pode usá-las para sonhar juntamente contigo o primeiro dos nossos sonhos: nós.

P.s.: o texto seria e não foi por várias vezes durante esta semana e já foi felicidade, tristeza, raiva, abraço, ressaca, medo, expectativa, ansiedade, indiferença, vontade e tudo mais o quanto um coração pode querer escrever.

P.s. 2: eu não sei qual o limite entre a Jéssica e a tal Antitética. Assim como não sei o limite entre realidade e ficção.

P.s. 3: neste exato momento estou sendo testemunha ocular de uma discussão internética na minha caixa de entrada de e-mails, mas não agüento mais esperar para te dizer que eu preciso, quero e posso ser feliz. Ser feliz e triste, daquele jeito poético pintado pelos impressionistas com aquelas pinceladas pontilhadas que me deixam igual as bailarinas de Degas.

P.s. 4: tô esperando alguém me calar. Consegue?

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Conhecer uma pessoa é algo bem complicado. Começar um relacionamente, então, nem se fala. As conversas do primeiro encontro sempre são legais, tudo é aceito. Dificilmente se tem revelações bombasticas e você chega em casa pensando que foram feitos um pro outro. Ela gosta de futebol, de rock inglês e também toma caipirinha. Ele gosta de filmes europeus, leu Clarice Linspector e sabe os nomes dos discos do Strokes.

No primeiro aniversário de namoro ele compra uma camisa feminina do Santos e ela dá a ele uma coletanea de poemas do Pablo Neruda. Resolvem sair pra jantar e comer sushi. Ele come cada peixe cru sem reclamar, mesmo odiando aquilo pedacinho por pedacinho. Ela o acompanhou até Rio Claro num sabado pela manhã pra assistir Rio Claro x Santos por um campeonato júnior qualquer. Tudo é bom demais, tudo tranquilo.

Logo, aquilo cansa. Aquelas pequenas mentiras que usamos pra agradar ao próximo começam a pesar no resto do relacionamento. Não tem mais como desmentir. Então o jeito é tentar curtir aquilo, mas a diversão já era.

A voz do vocalista do Strokes começa a encher o saco. O uniforme branco daquele time começa a ser motivo de medo. Domingos a tarde vendo Tv. Peixe Cru. Filmes europeus que não fazem sentido. Vampiros que brilham no sol. Tudo isso começa a irritar.

Então vocês já sabem onde isso tudo vai dar. Fim. Então, temos que buscar nossa alma gêmea genuína, mas isso quase que se torna impossível. O jeito é aceitar os defeitos do outro, gostos e vontades. Todo mundo gosta de coisas. E cada um tem seu espaço. Devemos aceitar as diferenças e conviver com elas. Isso é amor.

Jogo Da Vida

17 de julho de 2010

Quando eu era criança achava que minha vida seria como um jogo de tabuleiro antigo. Jogo da vida. Seria tudo bem prático. Primeiro eu entraria na faculdade e teria um carro azul. Escolheria uma carreira bem bacana e toda vez que passasse pelo “Dia do Pagamento” receberia meu salário. Em dia. No caminho eu teria que pagar algumas coisas. Recebia por conquistas na vida. Obrigatoriamente me casaria. Ganharia presentes de todo mundo. Compraria uma casa bem bacana. Sempre com muito dinheiro no bolso. Minha mulher e os amigos me perseguindo numa corrida de carros.

Teria alguns problemas com o fisco. Teria trigÊmeos, ou gemeos, ou um linda garotinha. Ganharia um premio por Pescaria. Escalaria o Alaska. Gastaria dinheiro construindo um orfanato. Uma instituição de caridade. Uma casa pra minha avó. Iria soltar um irmão da prisão. Pagar fiança. Faculdade das crianças. Conhecer Paris.

No final com muito dinheiro compraria a casa dos meus sonhos e viraria milionário. Com minha esposa e 4 filhos.

Drogas, Jogo da Vida. Você não explica que temos problemas. Corações partidos. Brigas com amigos e família. Assim não dá. Você me enganou durante anos e anos. Tudo bem que alguns seguem o ‘modelo’, mas não achei que seria tão difícil!

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