espalhar recados

31 de maio de 2011

Tenho inveja dos post-its que você espalha pela casa, uma forma de conversar consigo mesma. Passo quatro minutos lendo cada um deles e não entendo nada, tenho ciúmes. Essa conversa é algo que não me incluir. Eu me sinto um enstrangeiro dentro da minha própria casa, desconheço o trajeto da cozinha para o banheiro. Tropeço em pontas de tapete e quase derrubo o copo de coca-cola.

Sempre implico com canções desconhecidas que você assobia enquanto toma seu café da manhã no sofá com os pés por cima do meu colo. Quero saber tudo sobre você, investigar sua vida. O amor faz a gente ser policial, batidas surpresas no seu celular perguntando quem era, o que era, pra onde você vai? Você sorri e pisca o olho esquerdo.

E eu sou escravo da minha própria curiosidade e começo a espalhar post-it pela casa também, roubando suas manias, me intrometendo no terreno que seria apenas seu. Converso contigo, comigo e com o nosso cachorro imaginário. Deixo recados amorosos, desaforados e inteligiveis. Tanto faz, o amor é mesmo uma loucura e ninguém foi parar no hospício por isso, eu acho. Quer dizer, devem ter vários lá que são apenas apaixonados.

Enquanto isso você reclamava dos meus textos, minhas horas e horas com fones de ouvido em frente ao computador. E eu reclamo. Mas é uma estrada de mão dupla. E a gente segue assim, colocando uma pitada de pimenta na confiança tradicional. Eu só quero saber de você e você insiste em saber tudo de mim.

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Como Esquecer Alguém

27 de maio de 2011

TAKE 5

Primeira coisa a fazer é largar as palavras bonitas. Sim, qualquer palavra bonita deve ser descartada da sua vida no primeiro instante. Nada de começar aquele curso de francês tão sonhado, se quiser fazer línguas busque russo ou alemão. Pare de ler livros de crônicas e também largue os poemas. Leia apenas revistas de fofocas ou esportivas. Nada de fazer yoga ou pilates. Krav-magá ou spinning são mais recomendados.

Procure deletar o nome dele(a) da sua vida. Se ela se chamar Ana, não volte a me ler, se ela se chama Helena esquece as novelas da Globo. Se, por acaso, ela se chamar Maria se mate porque é um nome comum demais e vai ouvir por aí. Por esse passo deve-se seguir a regra de nunca namorar pessoas com os mesmos nomes de nossos pais.

Assista filmes. Sim, mas tem que ser os filmes certos. Toda a historiologia de Jogos Mortais é sucesso garantido. Rambo também faz efeito. Nem pense em Rocky, pois é muito sentimental para a fase de sua vida. Desenhos animados nem pensar. Se quiser pode assistir ao Chaves ou aos Simpsons. Nada de seriados americanos.

No lado musical procure ouvir coisas que o seu ex-cônjuge nunca ouviria. Tratamento de choque é isso. Fundamental no processo do esquecimento. Caso não queira ser tão drástico volte a ouvir o que você ouvia antes de conhecer a pessoa. Nem que remote aos LP’s da Xuxa, Balão Mágico e Trem da Alegria. Mamonas Assassinas é o recomendado. Eu me curei ouvindo Angra porque me lembrava nos nuggets que mamãe fazia naquela época.

Ah! Regra fundamental. Troque de número de celular. Não importa o trabalho que isso dará na sua vida. Uma ligação embriagada pode por tudo a perder. Apagar apenas o número da pessoa não serve, pois ela pode te ligar. Lembre-se disso.

O melhor é se afastar. Jogar tudo fora. Fotos, cartas, bilhetes, notas fiscais, fios de cabelo no paletó. Nada de guardar aquele bichinho de pelúcia só porque ele já faz parte da família. Uma caixa na despensa ou na garagem pode ser uma prisão necessária para ele. Nem que seja perpetua.

Se não puder, por algum motivo, se afastar, então se aproxime. Sim, fique ao máximo ao lado da pessoa. De perto quando não se gosta todo mundo é estranho. Vai descobrir defeitos que a visão turva antes ocultava. Ele terá manias chatas, ela terá tiques nervosos. Ataques de TPM ou piadinhas sem graça.

Evite chocolate ou sorvete. Sorvete de chocolate então, nem pensar. Essas drogas dão apenas prazeres momentâneos e quando acabam deixam aquela sensação de vazio. Caso vocês sejam esqueléticos e puderem comer sem parar a gente pode relevar, caso contrário evite. Afinal, tem-se que manter em forma pra encontrar um novo amor.

Amigos em comum são as piores coisas. Agora já empatam com as redes sociais. Evitem isso, mesmo que o amigo seja super-hiper-mega-blaster animado e legal, dê umas férias a amizade. Até você se recuperar.

Tente conversar com amores antigos, dos quais você se esqueceu. É melhor cutucar cicatrizes que feridas abertas. Se aquela paixão eterna passou, essa também pode passar. Não se aproxime demais, recaídas são fatais. E podem desmoronar todo projeto.

Beba. Sim, bebidas alcoolicas. Elas organizam o raciocínio e você logo perceberá que ama em vão. Varie as bebidas. Tome rum, conhaque e coisas que nas CNTP você nunca beberia. Até aquelas coisinhas coloridinhas com guarda-chuvinhas parecem boa ideia. Ah! Esqueça os diminutivos. São como cupins. Não tem solução. Esqueça. Não precisa ser aumentativo, apenas na flexão normal tá bom.

Alias, cores são importantes. Se você sempre foi uma pessoa colorida adote o preto-branco-cinza, se você era preto-branco-cinza faça o contrário. Mude o cabelo. Faça uma nova tatuagem mesmo que se arrependa. Compre uma camisa engraçadinha, ops, engraçada.

Descobrir um talento adormecido também é bom, mas não é para todos. Escrever, desenhar, compor, tocar, gritar, pular, tirar meleca do nariz, cuspe à distancia, poker. Qualquer coisa que você ache que faz muito bem pode se aperfeiçoar. Tem que ser uma pessoa melhor pra esquecer.

Por fim, não faça nada disso. Eu não tenho a fórmula exata e não entendo porra nenhuma de auto-ajuda. Apenas tente esquecer. Afinal, “o esforço pra esquecer é a vontade de lembrar”. Não era bem isso, mas você entendeu, ok?

[ Tema sugerido pela leitora Melissa ]

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Anti-amor

25 de maio de 2011

É incrível como as coisas não parecem ser corretas, como o errado é do que eu gosto, como o problema me atrai, gosto das dificuldades do mundo. Uma mulher cada vez mais complicada e sem o perfeitinha para apaziguar os ânimos.

Quase como uma “anti-heroina”. Você sorri quando eu faço algo errado. Diz que eu sempre a faço rir, mas você não me faz nada. Não diz uma palavra bonita, não me abraça quando preciso. Não me beija no momento romântico do filme, não escuta as músicas que eu quero ouvir.

Não, eu não vejo suas qualidades, não acho suas virtudes. Apenas esbarro nos seus vícios e nos efeitos de seus defeitos. Sim, morena, já tive mais gostosas que você. Namorei com outras mais inteligentes. Perdi meus abraços em braços mais macios, em beijos mais amorosos, em dias mais felizes.

Muitas vezes, eu bebi para te esquecer em algumas vezes me lavei com detergente tentando tirar o teu cheiro de mim. O gosto do teu batom insiste em ficar na minha boca a noite inteira, ou a semana inteira e a vida inteira.

Sabe que eu odeio quando passa futebol e você quer ver novela. Quando troca o meu velho rock’n roll por um forró ou cantor brega. Lembro que você já quebrou a lanterna do meu carro, arranhou o meu disco preferido.

Sempre encontra um motivo de se atrasar, me fazer perder o horário. Certa vez até fui despedido por você. Não sei porque insisto, não sei porque continuo aqui. Tentando ficar com você e mesmo assim, estou aqui, sem saber o que fazer. Pra você me dizer. Pra você me amar.

Você é o meu anti-amor. Aquele amor errado que sempre insiste em dar certo. Aquela mulher que mais me traz dor e é aquela que eu quero sempre por perto.

De mãos dadas.

25 de maio de 2011

Eu perdia tempo, acalmava o frio indeciso de minhas mãos escondendo-as no bolso do casaco. Eu sempre pensei que era o máximo da existência humana poder andar no meu próprio ritmo pela cidade com as mãos descansando nas frestas da minha roupa.

Os braços acompanhando o gingado dos meus passos em aceleração e frenagem, tanto faz. Perdendo a virgindade pra solidão dividindo-a com o casaco.  A única proteção para os dias frios. Como eu era bobo.

Eu acreditava na liberdade da dança de mãos solitárias. Girando no ar, acompanhando a música que nem tocava. Gesticular quando eu quisesse, sempre pronto pra cumprimentar algum conhecido que por ali passava. Eu era livre, de mãos nos bolsos ou bailando no ar. Era uma sensação tão feliz. Como eu era bobo.

A real liberdade das mãos é ficar entrelaçado entre seus dedos. Acho que é mais ou menos isso que o poeta queria dizer com estar-se preso por vontade. É sentir seus batimentos cardíacos pulsando nos meus. A palma da mão roçando nas suas unhas recém-pintadas.

Esquentar as extremidades, e o calor logo se espalha em metástase pelo resto do corpo, terminando seu circuito em um sorriso em erupção. Então, eu paro no meio da rua para roubar-te um beijo.

As minhas mãos foram feitas para as suas, um encaixe desajeitadamente perfeito como luvas usadas para tirar comida do forno. Não quero proteção para o frio, apenas proteger você de todos os perigos do mundo. Caminhas no seu ritmo, fingindo ser o mais cômodo pra depois me acostumar. Descuidar das palavras e me aborrecer com o silêncio dos pássaros verdes no caminho.

Desviar dos problemas, pessoas e postes sem nos soltar. Como gêmeos siameses. Um parco mergulho em Fernando de Noronha. Águas límpidas, eu e você. Só quem passeia de mãos dadas pode discutir felicidade, pois sabe o que é. Nessa hora, todos os enigmas do mundo parecem ter solução. Não é preciso fila de pão ou status em redes sociais para saber o quanto a gente se ama, basta observar como nossas mãos se procuram por baixo da mesa.

Casa vazia

24 de maio de 2011

Sempre encontro com ela no elevador. A vizinha do apartamento 905. Dessa vez ela não me cumprimentou com o sorriso branco de todos os dias. Era um sorriso pesado, com um olhar de tristeza, acho que até vi uma lágrima tímida se recusando a cair.

Com seu passo apressado entrou no apartamento sem se despedir. Pude notar o apartamento vazio, sem móvel algum. Estranhei. Eu já tinha visitado aquele apartamento algumas vezes em algumas festas de aniversários nos últimos anos e ele era bem mobiliado com quadros e aquelas coisinhas que enfeitam mesas. Ela tinha uma pequena obsessão por gatos de porcelana.

“Eu vou me mudar. Levaram meus móveis todos já, menos a TV e a geladeira. Tenho um vinho que nos esquecemos de abrir. Traz um daqueles DVD’s grunge que você tem, a gente pode assistir e beber até o dia clarear. Amanhã é feriado. Você é um bom amigo e vai ser meu ex-vizinho a partir de amanhã”.

Sentamos na frente da TV, assistindo Live At Reading do Nirvana. Sim, eu queria peso pra tirar a leveza do ar rarefeito entre nossas bocas. Ela falava coisas sobre um antigo namorado que tinha encontrado no caminho pra casa depois do Mestrado. Lacrimejava seus sonhos em volta do meu ombro apesar de estar sentada na outra ponta do tapete.

No primeiro olhar, eu queria abraça-la até o fim do mundo que pode ser ano que vem ou nunca mais. O nosso “para sempre” sempre dura dez minutos. Ela sentia frio. Ela sentia medo. Ela queria dizer que eu era o cara com quem ela sempre sonhou. Eu só queria dizer alguma coisa engraçada, mas preferi o silêncio da guitarra.

Na segunda garrafa, nós já estávamos rindo bem alto fazendo planos de visitas. Cidades diferentes. Mundos diferentes. Mas ela disse que ia se casar, sim. E eu não poderia fazer nada a respeito. Eu amava em segredo, mesmo dizendo bem alto pra qualquer um ouvir. Ela me amava em dilema, como quem ouve canções escondida no banheiro.

Na terceira volta do DVD, eu já estava pedindo a mão dela em casamento somente nos meus sonhos. Ela dedilhava meu violão tentando acompanhar a canção. Seus olhos pediam perdão e ajuda. Eu não tinha mais o que fazer, só queria beber pra esquecer meus problemas como um velho inglês.

Na parede da sala restava um quadro, uma foto dos Beatles que eu já tinha visto em algum lugar. Ela dizia que não podia levar consigo. Que era uma lembrança minha. Afinal, eu estava junto quando ela comprou e não queria se lembrar de tudo que não passamos juntos. E eu tinha que aceitar. De coração.

[ Cinco anos depois o quadro ainda estava na minha parede, mas eu iria mudar de apartamento para outro ponto da cidade. E ao retirar o quadro notei que no fundo tinha uma carta, sim. Uma carta. Uma declaração de amor dela pra mim…agora já era. ]

Azeitona Suicida – O Retorno

24 de maio de 2011

Olá, pessoal.

Interrompo a programação normal deste blog pra dizer que o “Azeitona Suicida – O Retorno” está de volta. Agora lá ficarão depositados apenas poemas e coisas banais. Será um canal alternativo para escrever sobre coisas diferentes daqui. Se vocês gostarem e quiserem visitá-lo, fiquem a vontade.

As postagens aqui nesse espaço seguirão do mesmo jeito. Mais tarde tem texto novo.

Abraço,

GD

Agora Sim.

22 de maio de 2011

Vendi o meu coração
Por um monte de ilusões
Acredito que agora eu possa ser feliz
Esquecendo tudo que perdi
Projetando o que ainda posso ganhar

Tenho carinho, atenção e até amor
Se eu me perder entre seus beijos
Acreditarei nas mentiras que você conta
Aprendendo a andar descalço
Procurando não pisar nos cacos

Joguei minhas palavras fora
Mas elas não são boomerangue
E nunca vão voltar pra mim
Criando no meu mundo um cemitério
Ressuscitando as lágrimas mortas

O vazio que sentia por nós dois
Está cheio de sangue que derramei
Pra lavar minha alma dos pecados
Mentindo pra encontrar a salvação
Chorando pra conseguir desabafar

Agora sim
Posso dizer que estou curado
Da sua doença
De você
Agora sim
Posso dizer que estou curado
Da sua doença
De você

Nada que você faça
Pode mudar isso em mim
Só minhas cicatrizes ficarão
Como ficaram em você…

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