Café com conhaque

31 de janeiro de 2011

Esse café com conhaque deixa o seu beijo com um gosto tão bom, sabia? É o ingrediente que faltava para a fórmula do amor. Todas as teorias matemáticas sobre como se apaixonar por você são explicadas com um simples café, um quadro-negro e o cruzamento de nossos olhares. Seus lábios macios buscando pelos meus, cortando o ar que nos separa e pronto.

Seria uma declaração de guerra. Seria a busca pela paz que foi esquecida a tanto tempo. E como as regras do uso da crase a gente tem que decorar tudo sobre os nossos mundos. E mesmo assim é tão dificil acertar.Encaro como um jogo de xadrez, mas nem sei como se movem as suas peças. Peça perdão e eu de pronto já aceitei. E então os opostos nos atraem.

Você ri das minhas maluquices, mas tem idéias tão mirabolantes quanto as minhas. Caminhamos na mesma direção. Mais um café com conhaque, por favor. E depois da terceira dose de tequila já estamos contando os detalhes mais sórdidos de nossa vida. Segredos que na verdade todo mundo sempre soube. Que você entrou no meu aquario e me fez companhia.

E quando cheiro o seu perfume como drogas alucinogenas, a gente se diverte por aí. Até onde o trilho nos levar.

 

Martelo de Thor

31 de janeiro de 2011

O povo sempre vem me perguntar o que significa essa minha tatuagem. Vou roubar um pouco o espaço do blog pra contar a história dela. Não, não foi feita de última hora, no impulso de uma idéia. Foi pensada anos e anos, por diversas razões adiada pra quando eu me sentisse melhor. E achei que era chegada a hora de fazê-la.

É uma especie de proteção. Mas é mais um rumo pra vida. Sei que pode não fazer sentido pra ninguém, mas pra mim faz. O martelo do Thor ou Mjolnir. É um simbolo sagrado da mitologia nórdica. Thor é filho de Odin. É a arma usada para proteger o reino. É considerado um amuleto de força e boa sorte. Eu gosto de amuletos.

Sou fã do Thor dos quadrinhos. Sim, eu leio quadrinhos. E meio que cruzei as histórias mitologicas com as da Marvel. E vi que precisava ser mais humilde e mais preocupado com as pessoas, com os outros. Como aconteceu com o Thor nas HQ’s. Precisava de um tempo pra pensar, um auto-exílio meio que forçado. Olhar pela janela e não me procurar.

Então a fase 2 das 5 que ainda quero fazer foi completada. Ela representa bastante pra mim. Uma forma irônica de saber que não sou perfeito e ao mesmo tempo alguma coisa me protege. Sim, eu acredito.

Eu iria romantizar ainda mais esse texto, mas preferi a forma crua e verdadeira.

 

Qual a resposta?

31 de janeiro de 2011

Não entendo quando Dylan me diz que a resposta está soprando no vento. Encho o peito de ar e desejo gritar seu nome bem alto, mas não sai. A letra A. O plano B. Coisas que se define com apenas uma letra. Eu tenho duas. E as rimo com o que eu quiser. Numa batalha lenta entre sons e o silêncio do seu corpo dormindo.

É uma cena imperdivel, o jeito que você rouba as cobertas. De olhos bem fechados parece uma boneca deitada em seu castelo de plástico. Eu sou a única peça fora do contexto. Sem texto, sem papel pra desempenhar. Apenas um figurante nesse teatro. Fora de cartaz. Como um sonho antigo que não lembramos ao acordar.

Da sacada do meu quarto posso ver o mar, posso ver o céu mudando de cor, a avenida lá embaixo começando a se movimentar. E você nem parece notar. Você está do mesmo jeito mesmo com tudo diferente ao nosso redor. Está na hora de preparar o seu café da manhã. É sempre bom uma surpresa de vez em quando.

Vou à esquina comprar o pão. Afinal, até quem me vê na fila sabe que estou com fome. Você também, mesmo dormindo. Na volta passo e compro uma rosa. Pra romantizar o nosso dia. Primeiro dia do resto de nossas vidas. Eu e meus dramas. Devia escrever sobre isso algum dia.

Boa idéia. Escrever um poema. Mulheres sempre gostam de poemas. E você não pode ser diferente. Mas qual é mesmo o seu nome? Acho que algo genérico pode servir.

 

* essa propaganda do Post-It é sensacional *

Sereia de água doce

31 de janeiro de 2011

Como você vem à minha casa assim de madrugada, tenta me explicar como é o amor, como é o mundo e quer mudar tudo na sua vida. Como assim você diz? Eu não entendo onde você quer chegar. Eu me perco entre suas músicas e o cheiro do seu cabelo. Vendo você morder os lábios pelo espelho antes do primeiro beijo.

Como você me liga procurando companhia numa noite fria de sábado. Tão embriagada quando minha mente. Tente, invente. E leve tudo que você conseguir levar. Até o dia amanhecer. Quero você.

Eu tinha tanto medo, tão ansioso. Talvez você pudesse me entender se eu conseguisse explicar. Mas não vou tentar. Deixa ficar nas entrelinhas, nas linhas que não escreverei sobre você. Deixo o outro lado da rua pra quem quiser se arriscar. O que você me contaria de mais sujo sobre você?

Eu não me importo com portas fechadas, magoas passadas e luzes de natal. Você me pergunta se existe amor sem paixão. Livro sem capitulos. Qualquer coisa assim sobre o mundo real. Vamos fugir?

E se amanhã eu não quiser estar no mesmo lugar? E se o mundo não for o bastante? Não quero mais o lago pequeno, até o oceano é pequeno pra meus sonhos. Seus sonhos. Vá com Deus. E me ligue quando chegar. A algum lugar.

Quer saber? Vamos dançar a vida por aí. Você já roubou minha respiração e meu coração quer fugir com você. Pra qualquer lugar. É só você chamar.

[ Mas é, o amor é sim um livro. Cheio de capitulos escritos com suor, lágrimas, sorrisos e arranhões. E em cada capitulos deve ter alguns paragrafos dedicados a paixão. Senão não faz sentido algum. Nada. ]

* Tem que ser lido ouvindo Raimundos – Bonita preferencialmente a versão ao vivo *

Vamos à luta.

29 de janeiro de 2011

– Quando foi que a gente desistiu de lutar?

– Acho que foi ali pela terceira semana, quando você deixou escapar que não queria namorar.

– Mas a gente não tá namorando?

– Tá. Eu acho.

– Sabe. Eu acho que a gente tá lutando contra uma onda gigante. Tsunami.

– Tu não acabou de dizer que a gente desistiu de lutar?

– É. Não sei. Fiquei confusa agora.

– Então me beija.

…e então todos os problemas ficam pra mais tarde…

Vamp.

29 de janeiro de 2011

Os dois presos dentro do carro esperando a chuva passar. Trocando frases a esmo. Confessando defeitos e enumerando histórias sem graça. Tudo parece tão bonito. Tão cheirando a novidade.

– Posso te morder?

– Como assim?

– Só morder. De leve. No seu pescoço.

– Virou vampira agora?

– Não. Só gosto de morder. Posso?

– Pode. Mas não tira pedaço. Gosto de todos os meus.

– Tá bom

 

Não me importo.

29 de janeiro de 2011

Eu costumava acreditar em pequenas coisas, superstições bobas de quem não quer levar a culpa. Sempre culpava uma coisa que tinha feito diferente, odiava mudanças. Cada coisa em seu lugar. Cada macaco no seu galho. Jogos de azar. Sorte no amor. E essas besteiras que costumam falar na TV aos sábados a noite.

Cortei o meu cabelo. Nada mudou. Fiz a minha barba. Nada mudou. Tenho tatuagens. Nada mudou. O mundo e as rosas prometidas pra quem se apaixona também não chegaram. Nem as 77 virgens quando se deixa levar pela religião. Não quero mais ouvir falar que só acontece comigo. Não quero ser mais seu amigo. Tchau.

A mesma camisa que faz com que o Santos sempre ganhe. Os mesmos óculos escuros na praia. E quando a chuva cair eu estarei nos teus braços protegido dos raios e trovões. Seu batom discreto manchando minha roupa. O som da sua voz quebrando o silêncio do hino nacional.

Não estarei de luto. Não luto por mais ninguém. Não escondo as chaves pra te impedir de partir. Não quero mais saber de ilusões, fantasmas e filmes pornôs. Quando gritarem meu nome, fingirei que não é comigo. Não sou bonzinho, nem preciso distribuir sorrisos assim de graça. Sou caro, cara amiga. Posso defender um penalti na prorrogação. Posso te dar um título quando parece perdido, mas eu não serei seu amigo.

Estarei sozinho na estação do trem. Esperando você chegar. Talvez eu leve uma plaquinha com seu nome caso não me reconheça. Esqueça. Talvez eu nem esteja lá. O meu peito labirinto como o amuleto que você deixou pra mim. Traga as velhas cartas que nunca mandei e me aqueça nesse inverno.

Já não sei por que me importo com as suas reclamações. Da cama pro banho. Do banho pra sala. Da sala pra cozinha. E assim rodamos a casa toda. Quase entre tapas e beijos. Pés de coelho e segredos de liquidificador. Tchau.

Sempre ouço Velhas Virgens no volume máximo e você me repreende falando dos vizinhos desconhecidos do apartamento ao lado. E eu com isso? Eu já disse que não me importo. Na minha porta tem um tapete escrito VÁ EMBORA. Não sou bonzinho. Não quero agradar ninguém. Da próxima vez, talvez.

Stonehenge

24 de janeiro de 2011

Pra quê explicar certas coisas? Muitas explicações tiram a graça do momento. Dois sorrisos embasbacados admirando as maravilhas que essa vida nos dá. O pôr-do-sol misturado com seu perfume e as ondas do mar brincando de pega-pega com as pedras lá embaixo. O reflexo do silêncio entre nossos beijos, aquela hora mágica que os olhos se abrem e se encontram. Como se o beijo nos transportasse pra um lugar distante e então na volta a gente se procura. É verdade.

Sempre fui fascinado pelo Stonehenge. (Um dia irei conhecer de perto, pode apostar). Achava tão bonita a disposição de pedras, então li alguns livros com teorias explicando a sua origem. E o resultado foi decepcionante. Templo de tribos? Culto ao Deus Sol ou Lua? Que sem graça. Sempre preferi as teorias de extraterrestes. Mas tudo bem.

Adoro imaginar e você me ajuda. Como um casal que olha um acidente e cria mil teorias absurdas para reconstituir o acontecido. Tudo é possível no mundo das idéias, meu amor. Não existe física para nos separar, as ciências sempre estão do nosso lado. A matemática soma um eu mais um você. A química funde nossos elementos gerando uma substância melhor. Astrologia inventa um signo só pra nós dois e por aí vai. Minha realidade sempre volta com o abrir do olhos. E você está lá.

Não sei explicar essa viagem. O que passa na mente das pessoas. Uma cama gigantes, lençois de seda e nossos corpos nus. No alto de um prédio. Sem tédio. Remédio. E tanto faz. Alguém pode me explicar porque você me faz tão bem? Nem comece. Melhor não explicar nada. Deixar assim, no ar.

Desculpa, mas não lerei a bula atrás dos efeitos colaterais. Sempre que faço isso desisto de tomar o remédio. Dessa vez, pularei sem paraquedas, sem saber o que virá. Se for a hora de se esborrachar com a cara no chão, deixe cair. Mas não me dê explicações, lógicas ou irreais. Tanto faz agora. Tanto faz.

 

Não gosto de gatos.

24 de janeiro de 2011

NÃO. Já disse que não gosto de gatos. Não sei explicar, apenas não gosto. Do mesmo jeito que você tem medo de baratas, pavor de ratos e hojeriza a aranhas. Eu só não quero essas bolas de pelo andando pelo meu tapete novo. Não quero espirrar o dia inteiro, ter que me submeter a esse olhar maligno.

Tá, a gente não combina. Eu já tinha uma leve impressão desde o primeiro olhar. Comecei a desconfiar disso quando nos beijamos. E tive certeza quando você me mostrou a foto da sua gatinha que guardava na carteira. Nem os discos do Bon Jovi tocando sem parar na nossa sala de estar me fariam tanta certeza. Vou deixar que você se vá e só não digo já vai tarde para não parecer cruel.

Deixe a sua cópia da chave na mesinha de centro. Deixo você ficar com meu chaveiro da Torre Eiffel. Você bem que poderia usar a caixinha de areia também pra esconder todas as merdas que você não para de fazer. Adeus. Não sentirei saudade dos ‘bom dias’ imaginarios, nem dos sermões que ouvi por sua causa. Que você se case com alguém ou então viva com 40929 gatos numa mansão vitoriana. Eu vou pra São Paulo no fim de semana, tá?

Não reclamei das suas unhas nas minhas paredes, nem nas minhas costas, nem foi o sangue escorrendo pelo meu corpo. Não reclamei da dissimulação, nem dos barulhos no telhado. Só não quero mais ouvir falar disso tudo. Marcas de dente nos meus CD’s do Ratos de Porão. Não admito.

Tenho mais discos que amigos, você diz. Você tem mais gatos que educação. E olha que vocÊ só tem dois. Mas eu não quero brigar. A violência travestida e seu trottoir. Requiem para qualquer coisa. Apaga a luz. Deixa eu ler no escuro. Não quero suas lágrimas, eu sei que vou chorar quando você se for. Mesmo assim, odeio gatos. Se pelo menos fosse um guepardo.

Sem listras, por favor. Sem miados e cara de pidona. Você não faz mais sentido. Eu senti isso quando o ano mudou. Você é modelo ultrapassado, que cuida de gatos e ouve Bon Jovi. Deus lhe pague.

…Quer novidades? Sim, estou com uma gatinha nova. E ela não solta pelos, nem come ração…

 

Strike 1

24 de janeiro de 2011

Ando atrapalhado, derrubando tudo que não pode ir ao chão. Sujando a camisa nova com molho do cachorro-quente. Meio distraído como se nada mais tivesse importância, desligo do mundo e penso nos seus olhos quase-negros. Me perco em sonhos onde nem apareço, esqueço que você é atriz principal do meu canal do tempo. Tempo que está passando, esgotado. Próximo.

Eram rosas, ou qualquer outra flor. Não entendo de nada disso. Desvanecendo, bem-me-quer, mal-me-quer. Quero-quero. Misturo as palavras, confundo os verbos e o discurso sai meio gaguejado. Abraça forte. Não me deixa ir. Ou vá comigo. Que tal? Pegue o próximo avião com destino a felicidade. Falsidade? Não, isso é só a verdade.

Tenho que desligar agora, amor. Não esquece de fechar a porta. Não esquece de rezar antes de dormir. Não esquece de mim. Nem por um segundo. Se fosse isso, seria tão bom. Quando o sorriso do porta-retrato te fizer lembrar de mim, esqueça. Não me tire da cabeça. Sou só mais um na lista de presença. E sempre esqueço de levantar a mão pra perguntar. O que você quer saber?

Até qualquer dia. E que essa carta fique guardada no seu baú por um bom tempo. Mas se quiser queimá-la ou usar como papel higiênico de cachorro, tanto faz. Até mais.

 

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