Esse é só o início

12 de setembro de 2010

Alguém me pediu pra fazer uma comunidade no orkut para o blog. Resolvi fazer então um perfil e uma comunidade.

Caso queiram participar por lá, eu agradeço. Vocês poderiam sugerir temas pra textos ou mesmo contar histórias por lá. A participação de voces é muito importante pro projeto que estou desenvolvendo. Muito obrigado.

COMUNIDADE

PERFIL

Algo que tenho reparado com bastante recorrência é a quantidade de relacionamentos sérios acabando. Casamentos de longa data são desfeitos, namoros duram semanas, noivados são interrompidos sem grandes explicações e cada vez mais a troca de parceiro se dá como uma troca de roupa. Isso me faz traçar uma analogia entre os relacionamentos de hoje, os términos e cachorros. Meio estranho, mas explico.

Quando você vai comprar um cachorro, geralmente analisa as características da raça, se o bicho tem as qualidades que você procura e valoriza, se é bonitinho, companheiro etc (alguns até exigem pedigree). Algumas vezes você não está atrás, mas um conhecido te apresenta e tece os maiores elogios sobre o animal que te comove e você acaba levando ele pra casa. Tal qual a escolha de um parceiro.

Quando ele chega em casa é uma maravilha. Você quer estar sempre ao lado dele, fazer seus mimos, brincar, cuidar, passear e conforme ele vai fazendo besteirinhas pela casa, você vai educando-o até ele se adaptar com suas vontades. E de acordo com as necessidades dele, você também faz suas concessões (como ter que levá-lo para passear de madrugada). Muitas vezes o cãozinho não vai se adaptar com alguém da sua família e vice-versa. Vão falar que ele não serve pra nada, que só dá trabalho e ele não fará questão alguma de ficar ao lado dessa pessoa. Pouco importa o que falam, o que importa é que você gostou dele. Tal qual o início de um relacionamento.

Bom, passam-se os anos e aquele gás inicial não é mais o mesmo. Porém, ele ainda faz festinha quando você chega, mas já não tem o gás para brincar e te dar atenção toda hora. Você o entende perfeitamente e sabe quando ele está bravo, quando está feliz e o que fazer para animá-lo. Os defeitinhos que ele tinha quando bebê se tornam inconvenientes (latir para tudo, fazer coco fora do lugar, roer suas coisas, etc) e ai você perde a paciência, dá uns berros e briga. Porém, depois de um tempo você se arrepende e volta atrás com algum mimo para ficar de bem. O processo começa a se tornar mecânico, mas o sentimento que você tem por ele é legítimo. Tal qual o amadurecimento de uma relação.

Passa-se o tempo e ele começa a ficar velhinho. Já não faz festa quando você chega. Parece que fica mais feliz com um prato de comida que os carinhos que você faz nele. Você olha os cachorros mais novos de outras pessoas e dá aquele aperto no coração, pois o seu não é como eles. Ele começa a fazer um monte de besteira, xixi fora do lugar, ronca alto, começa a ter cada hora um tipo de problema e os seus gastos (físicos e financeiros) com ele vão aumentando. Se ele não falece, você pensa em qual atitude tomar. Ele já está todo comprometido, você está se desgastando e não tem mais tempo de sobra para cuidar dele, pensa em sacrificá-lo, mas uma parte de você diz que não, pois ainda tem um sentimento muito forte por ele. Não é fácil, deixar os dois sofrendo até que o destino resolva ou tomar uma atitude dura para que o sofrimento dure apenas uma vez? A decisão é difícil. Tal qual o fim de um relacionamento.

(post roubado descaradamente daqui o blog Manual do Cafajeste)

po-po-poker face

23 de abril de 2010

Sei que ainda hoje existe muito preconceito com as pessoas que jogam poker. Eu gosto muito de jogar e como na música do post abaixo acredito que muita das coisas que se aprende no jogo pode ser usada na vida. Vi uma tentativa de mostrar isso no filme “Lucky You” ou “Bem Vindo Ao Jogo” com Eric Bana.

Uma frase que fica ecoando nas nossas cabeças é quando o pai dele fala mais ou menos assim: “Você deveria ser na vida assim como você é na mesa”.

Saber jogar, todos sabem. Mas se for jogar, tem que jogar direito. As cartas em si são o de menos. Com elas você apenas ganha ou perde. Não adianta as melhores cartas se você não souber apostar na hora certa. O objetivo é tirar as fichas do adversário, não vencer a mão.

Daniel Negreanu - melhor jogador de poker do mundo

O poker é um jogo no qual você tem que saber perder. Ou melhor, saber quando desistir. Na vida, costumamos nos apegar em castelos desmoronando, coisas que não vão dar em nada. Temos que saber largá-las. Pra que insistir? No fim, você perderá muitas fichas…

Outra coisa é ler pessoas. Saber como são, o que fazem, como vão fazer, por que fizeram. Sou muito bom em ler pessoas. Mas me arrebento sempre que encontro pessoas ilegíveis. E também existem aquelas que de repente mudam de atitude, são inconstantes. Logo, a vida e o jogo têm uma pitada de intuição. Momento certo para tudo…

Sorte e matemática estão envolvidos também. Não se pode descartar, mas tudo na vida é assim mesmo. Chances de erro, sorte, acaso. Mas se você estiver preparado a sorte alheia não lhe afetará tanto, o problema é estar preparado.

Uma das coisas que eu aprendi jogando foi ter a tão chamada cara de pau. Na verdade, dizem até que eu minto muito bem desde criança, talvez seja verdade. Me aperfeiçoei ao longo dos anos. Tenho minha “Poker Face” (porra, Lady Gaga, agora usar essa expressão soa meio mal), quase indecifrável. Um sorriso ou um olha sério penetrante, sem vacilar. Jogar uma piadinha é sempre válido. Com mulheres, a velha cara do gato de botas também funciona.

Agora o que preciso trazer pra vida é a coragem. Saber atacar. “Dar call” é muito fácil. Foldar também. Agora apostar é que é o negócio. Apostar com uma mão nuts (mão que não pode ser batida) é mais fácil ainda. O problema é apostar arriscando, podendo perder. Saber quanto apostar, quando apostar. Mas um dia ainda conseguirei aplicar à vida.

Sei que ainda existem outras coisas, mas você só aprenderá jogando!

Vocês que tem preconceito, deviam jogar poker ao menos uma vez. O dinheiro é o de menos. Se jogar entre amigos, a conversa é boa, talvez uma boa bebida. Risos, é o que faz desse jogo uma grande diversão e um aprendizado. Aprendi muito sobre meus amigos jogando poker, sabia?

ps. Se alguma representante do sexo feminino quiser topar um strip poker, está convidada, ok?

Música da Semana #5

23 de abril de 2010

Sei lá…é uma lição de vida…vou colocar a letra em português só isso…

The Gambler – KEnny Rogers (minha versão é com Johnny Cash)

Numa tarde quente de Verão’, em um trem para lugar nenhum
Eu encontrei com o jogador.  Estávamos ambos muito cansados para dormir.
Então, nós revezamos olhares para fora da janela na escuridão.
Quando o tédio nos ultrapassou, ele começou a falar.

Ele disse: “Filho, eu levei a vida lendo o rosto das pessoas.
Sabendo as cartas que foram pela forma como moveram seus olhos.
Então, se você não se importa que eu estou dizendo, posso ver que você está fora dos trilhos,
Por um gole do seu uísque, eu vou lhe dar alguns conselhos. ”

Então, eu lhe entreguei a minha garrafa e bebeu a minha última gota.
Então ele sacou um cigarro e pediu-me fogo.
E a noite tem um silêncio mortal, e sua face perdeu toda a expressão.
Ele disse: “Se você vai jogar o jogo, garoto, você tem que aprender a jogar direito.”

Você tem que saber quando segurar, sabe quando soltar
Saber quando sair, saber quando correr.
Você nunca deve contar o seu dinheiro quando você está sentado na mesa.
Haverá tempo suficiente para contar quando o dealer acabar.

Cada jogador sabe que o segredo para sobreviver
É saber o que jogar fora e saber o que manter.
Porque toda mão é vencedora e toda mão é perdedora
E o melhor que você pode pedir é morrer em seu sono. ”

E quando ele terminou por falar, ele voltou para a janela,
Esmagando o seu cigarro e desapareceu para dormir.
E em algum lugar na escuridão, o jogador quebrou mesmo.
E em suas palavras finais, eu encontrei um às que eu poderia manter.

A Porta Vermelha

22 de abril de 2010

A vida é cheia de surpresas. Isso já é senso comum. Mas é incrível como ultimamente ela vem me pregando peças. Eu tinha mil teorias sobre a vida. Sem nenhum embasamento.

A que eu mais acreditei durante a vida é que não tem jeito. As escolhas que fazemos são sempre iguais. Não adianta pensar em voltar no tempo, se voltarmos faremos tudo igual.

Fui criticado por todos ao expor minha teoria, e então deixei a guardada. Resolvi expô-la agora. Apesar de saber que não serei ‘seguido’ por ninguém.

Não é que eu acredite em destino, mas é algo muito parecido. Acho que a vida, as circunstâncias, nos guiam pra um caminho único.

Rebateram-me dizendo que sim, podemos sair desse trilho traçado pra gente. Que quando fazemos algo estupido, totalmente sem sentido, arriscado mesmo é quando estamos pisando fora do trilho. Eu respondo dizendo que essas ocasiões são quando o trilho faz aquela curva fechada, não saímos do trilho. Só o trilho que mudou de direção.

A vida não é um video-game que se a gente encontra 3 portas pra entrar: Verde, Vermelha e Amarela. A gente pode ir em uma e depois voltar e escolher outra e depois outra.

Na vida, temos que entrar na escolhida, normalmente a vermelha (não sei por que) e andar, andar até encontrarmos novamente outras 3 portas. E dessa vez podemos mudar a cor da escolha.

Ma se “resetassemos” a vida, sempre escolheríamos a porta vermelha. SEMPRE.

Dizem que penso assim pra dar menos importância as decisões tomadas ao longo da vida. Talvez estejam certos.

Claro que concordo que somos responsáveis pelas decisões que tomamos ao longo da vida, e pode até ser que as alternativas realmente sejam alternativas. Mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza?

Acredito que criei todo esse teorema pra não ter arrependimentos. E assim pautei a minha vida até agora. No regrets. Mas isso não impede de jogar tudo pro alto e mudar a direção.

Mas sempre escolheriamos a porta vermelha!

(Se bem que tem um filme clássico, Atrás da Porta Verde)

Carta à um amor passado

9 de abril de 2010

CARTA A UM AMOR ANTIGO, UMA VIDA PASSADA

Oi Amor,

Acredito que não lembras mais de mim. Já estive em sua vida, em várias vidas posso dizer. Você diz se lembrar muito bem das suas vidas passadas, mas não lembras de mim. Logo, eu que sempre estive ao teu lado, sempre. Sei que parece invenção, mas não tem como fugir, nós estamos ligados eternamente por laços mais fortes do que eu e você.  Eu lembro muito bem das últimas vezes em que estivemos juntos:

Lembra da época dos grandes faraós? Eu era poderoso. Fui um dos conselheiros de Tutankhamon, na verdade fui um dos poucos que o defendia e sabia que ele seria perseguido, mas isso não vem ao caso. Você era criada da filha do General. Que, por acaso, me odiava e queria me matar de qualquer jeito.  Você amava sua amiga, e me amava. Talvez não se lembre de nada disso. Eu estava lá. E pensamos em fugir, tentamos fugir, mas fomos traídos. Não pela sua melhor amiga, mas pela esperteza do General. E fomos perseguidos e mortos. Simples assim.

amuleto da sorte

As lembranças não são muitas, pois já faz muito tempo e são muitas lembranças juntas e sobrepostas. Você era a mais linda e todo mundo a queria. Até o General. Só que você era zangada, briguenta e preferia morrer a se deitar com ele. Eu era apenas um conselheiro, rico mas sem poder e jovem. Tentei casar com você, tentei, juro que tentei. Eu era muito bom com armas, mas eles eram muitos e bem mais treinados. Não consegui lhe salvar. A nossa morte em si, não me lembro. Só lembro que dói.

Eu entendo esse seu medo de água, eu estava lá. Na época eu não entendia como uma filha de pescador poderia ter tanto medo e não saber nadar. Você sempre dizia que o mar era mau. E naquela nossa primeira viagem pra buscar os preparativos pro casamento do seu irmão com sua melhor amiga naufragamos. E eu, criado no mar a vida toda, não pude salva-la. Não pude nem me salvar. Até hoje, eu lembro dos seus cabelos vermelhos sendo levados mar adentro enquanto eu não conseguia me mexer por causa da água congelada da nossa Noruega. Foi a minha segunda falha.

E quando eu era um jovem cavaleiro que combatia com Arthur na Inglaterra nos idos de 500dc? Você se lembra? Claro que lembra, você era a mais linda filha do Rei da Escócia. Foste importante um dia, tá vendo. Novamente, seu amor fez você fugir com a gente. Sim, a gente. Sua irmã mais velha se apaixonou pelo Lancelot (claro, todas se apaixonavam por ele, aquele metido) e você quis ir junto sempre teimosa e zangada. Fui escolhido a te proteger de todos. E não tinha como não me apaixonar. Dessa vez ficamos muito tempo juntos. Tivemos 3 filhos, todos homens e tudo mais. Foi talvez, a nossa melhor época juntos.

como eu lembro de você...

Todos aqueles fins de tarde olhando o pôr do sol, você tentando aprender a usar um arco, uma espada e um machado. Você sempre quis saber de tudo, de como fazer. Adorava como você se encaixava no meu peito pra dormir, como se escondia em mim quando estava com medo. Como me deixou escolher o nome dos meninos (Até hoje não sei como consegui essa façanha).

Mas aí veio a guerra e invadiram nosso reino. O seu pai matou você e sua irmã e todos os meninos. Eu não estava lá. Chorei todos os dias que me restaram, matei todos escoceses que encontrei. Nunca tive paz. Até hoje me arrependo de ter ido ao reino mais próximo comprar aquele tecido. Mas eu não tinha escolha, você sabe como você é. Não consegui te salvar pela 3ª vez.

Em 1376, quando você foi perseguida pela Igreja Católica por exercer bruxaria e caçada até o dia em que lhe queimaram na fogueira. Eu estava lá. E dei minha vida por você, sem necessidade, diga-se de passagem. Gastei toda minha fortuna, eu perdi todas as minhas terras, minha família foi excomungada por gerações e gerações. Tudo por um amor.

Nunca concordei com essas suas coisas, essa “bruxaria”, mas sempre defendi o seu direito de fazer o que quisesse. E você me amava. Não como eu te amei, não como te amo. Eu fiz você sofrer, como você me fizeste, por essa insistência, por querer ser sempre melhor. Mas eu nunca te abandonei, eu estava lá. Mas você preferia morrer a trair sua amiga, essa é uma atitude louvável. E preferi morrer a ver a minha amada morrer. Morremos juntos.

Enquanto você virava cinzas, ao seu lado eu era enforcado. Mas lembro de ter visto tudo, até hoje sonho com seus gritos, sinto o cheiro de fumaça. E parte o coração. Não bastou eu dizer pra você se esconder, fugir, sumir do mapa. Você é teimosa. Sempre foi. Essa extrema lealdade às amizades, ainda vai te matar como matou das outras vezes. E novamente estarei por perto, observando sem poder fazer nada. Na verdade, minha missão sempre foi te salvar. E eu já falhei 4x e não repetirei essa falha.

Na verdade, entendo como é difícil confiar que lhe salvarei. Depois de tantas falhas, talvez o nosso destino seja esse mesmo. Às vezes me sinto como naquele filme “Efeito Borboleta” que não adianta mudar tudo, tudo vai dar errado de qualquer jeito. Talvez o certo seja deixar a gente seguir caminhos diferentes mesmo. Melhor assim. E todo sofrimento que passamos juntos fique só na lembrança e cicatrizes dos nossos corações.

P.s. Até hoje sinto medo do fogo, não gosto de desertos e te deixar sozinha me traz calafrios. Mas meu dever é te proteger, estarei com você onde estiver.

Atenciosamente,

Eu

A Última Saída

25 de março de 2010

Caminhando a passos lentos na rua escura sem ao menos ter aonde ir, ele continua. Olhando apenas para os seus sapatos, mantém as mãos nos bolsos e masca o seu chiclete fazendo o máximo de barulho possível. Naquele silêncio ele percebe o quanto aquilo é realmente irritante. Disfarça um sorriso e continua do mesmo jeito.

Na sua cabeça, sangue e destruição. Dor. E mesmo assim não demonstra nenhuma emoção. Sabia que nada mais poderia ser feito e a coisa certa tinha acontecido. Já não tinha mais medo de nada. Talvez de alturas, mas essas poderiam ser evitadas.

Reconheceu aquele som, levantou a cabeça pra olhar. Era o mar. A última saída. Dessa vez sorriu de verdade, teve uma idéia. Agora sim, poderia apagar tudo, mesmo o que não queria que fosse apagado. Estava decidido. Talvez alguém nossa a partida, ou talvez passem três dias e nada.

Sentou no calçadão, perto das pedras. Recordações de como adorava sentar ali e ver a briga do reflexo da lua com o mar. O horizonte que sempre buscou… e então lembrou:

“A fúria cega que tivera, a faca rasgando a carne como churrasco. O sangue jorrando, os gritos se esvaindo aos poucos. Dor. Antes era um beijo, o gosto da boca, a língua áspera na sua. Ela era linda. Mas era. Não é mais. Lágrimas e chuva. Muita chuva.”

Era chegada a hora. Deixe o mar dissolver tudo. Apodrecer o peito, o corpo, tudo. Dor. Ou nem tanto. Tomar um banho, se jogar. Deixar o sol depois derreter tudo. Estava confuso, mas determinado. Era a última saída. Era. Tinha que ser. Por que nada restou? Cadê os sorrisos?

O chiclete não tinha mais gosto, mesmo assim não o jogava fora, assim era sua vida. Manter as coisas. Ficar com elas e não largá-las. Sabia o que deveria ser feito. Era a última saída.

Já estava quase afundando. Seria rápido. Quatro dias ou mais. Tudo estaria parado. Em paz. Dor. Engasgue-se logo, pensava. A última saída. Adeus. Deixe meu espírito passar.

*Conto inspirado na música Last Exit – Pearl Jam.

*Escrito por George Raposo

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