Só um louco ama no fim do mundo

20 de dezembro de 2012

mendigo

Não se esqueça de deixar a porta fechada, assim não tem como eu pensar em voltar para os seus braços. Tranque direito as janelas, pois o vento pode levar meu cheiro direto para destruir o seu olfato. E depois você ainda vai me culpar por querer dizer a última palavra no nosso amor.

Dê algum jeito de consertar o seu campo de força, sua criptonita e todos os suas grades de adamantium. Eu não quero abraçar o vazio como se eu fosse um louco de rodoviária. Se for para passar o resto dos meus dias resmungando seu nome, esperando seu ônibus chegar a gente dá um jeito.

O fim do mundo é um bom final para nossa história de amor. Um meteoro, um tiranossauro rex ou quatro dias de escuridão.

Não se esqueça de fechar o ralo. Posso subir pelos canos do esgoto direto para sua privada. Dê descarga caso veja meus olhos vermelhos de tanto chorar. Tranque bem o seu coração, pois qualquer fresta é o suficiente para uma nova semente nascer.

Dê algum jeito de recuperar os seus poderes. Peça a Deus. Reze de joelhos no caroço de milho ou faça algum sacrifício animal. Não me deixe voltar por aquela escadaria infinita. Não me deixe acenar como se tudo estivesse bem.

Uma catástrofe seria a desculpa ideal para explicar porque a gente não continuou de mãos dadas nas noites de domingo para observar as luzes de Natal na Avenida Paulista.

Eu fico aqui rondando os passageiros dessa rodoviária, buscando seu rosto nos mais estranhos personagens, mas talvez o personagem mais estranho seja eu. Com os cabelos sempre desgrenhados e a barba já cansada de esperar por ser feita.

Toda rodoviária tem o seu louco de estimação, talvez todos os loucos tenham tido o seu coração partido como eu. Talvez tenham a sorte (ou azar) de ter encontrado alguém como você pelo caminho traçado há muito tempo atrás.

De tanto repetir até esqueci seu nome. De tanto te procurar já não me lembro do seu rosto. De tanto pensar em você já não consigo te esquecer. Só queria uma nova oportunidade de dizer que a culpa é toda sua.

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