Vôo JJ3382

16 de julho de 2010

– Não acredito como você pode ouvir Jeff Buckley e não ficar triste. – ela retrucou, pegando o Ipod da minha mão. – Muda isso. – aumentando o volume na tentativa de passar a música.

Continuei calado, rindo dessa espontaneidade. Mal a conhecia. Trocamos algumas palavras naquele mesmo vôo. Ela ia pra São Paulo também. Tinha recebido uma proposta de emprego num grande escritório de Publicidade. Eu ia apenas estudar. Não entendi esse interesse dela por mim. Acho que só queria fazer o tempo passar.

– Tu vai mesmo me ligar na quinta-feira pra gente tomar um café, ou uma cerveja, ou qualquer outra coisa. – sempre gostei de mulheres que falam demais, poupa-nos saliva e também me faz manter minha aura de misterioso e inteligente.

– Aham. Pronto, não tô mais ouvindo Jeff Buckley. NoFX agora. Conhece?

– Claro. Punk Rock. Você não tem cara de quem gosta de punk. Com esse cabelinho engraçado, essa cara de bom menino. Esse sorriso bobo. Diria que você era um cara mais The Killers ou Franz Ferdinand. – parou a comparação quando percebeu meu olhar de reprovação. – Que bom que estava errada.

ATENÇÃO, TRIPULAÇÃO, PREPARAR PARA POUSO.

– Poxa, já vamos nos despedir. Me liga mesmo. Ou então eu vou ligar. Qual melhor pra você?

– Tanto faz. – já tava achando ela um pé no saco. Tudo tem limites.

POUSO AUTORIZADO

– Tchau. Até qualquer dia.
– Tchau. Prazer em conhecê-la.
– O prazer foi todo meu.

QUINTA-FEIRA

– Alô? – nem sei porque eu liguei. Ela era interessante, e talvez a solidão da cidade grande ainda me assombrasse.
– Sabia que você ia ligar, já estava esperando. – aquela felicidade na voz dela parecia realmente verdadeira, conseguiu arrancar um sorrisinho tímido meu.
– Eu prometi. E aí? Pensou em algo legal pra gente fazer?
– Tava pensando em você vir pro meu apartamento. A gente poderia ouvir uns DvD do Pearl Jam. Tomando um vinho. Pedir uma pizza ou uma comida chinesa. O que você acha?
– Pearl Jam? – fiz a pergunta achando bom de mais pra ser verdade. Não podia ser.
– Isso? Não gosta? É minha banda preferida. – senti uma ponta de temor na voz.
– A minha também…
– Então pode vir as 19hrs, ok?
– Ok!

Ah. Por que não? Oportunidades não batem à sua porta assim tão fácil. Eu só queria viajar tranquilo madrugada a fora. Ela sentou do meu lado e falou, falou, falou. Não custa nada dar uma chance a ela, não? Além do mais, conhece Folk, Punk e adora Pearl Jam. O que mais posso pedir, por enquanto.

PS –> 3 meses depois mudei pra casa dela. Foi um tempo bom. 5 meses depois de morar com ela não aguentei mais e voltei pro meu apartamento. Não nos falamos há 13 meses. Mas semana que vem tem show do Pearl Jam e ela me ligou pra ir com ela. E agora? Como faz?

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uma conversa normal

13 de julho de 2010

Ela me pergunta o que eu acho daquele caso do goleiro que matou a mulher. Respiro fundo e vou fazer todo um comentário jurídico filosófico futebolistíco e antes de começar ela resmunga algo sobre unha quebrada, café gelado ou lápis de olho. Me restrinjo a um comentário jocoso sobre o time dele. E dou um beijo na testa. Que ela limpa com a costa das mãos. Pára, amor, tô escrevendo um artigo.

Então olha nos meus olhos com aquele ar de desdém. Bocó. E puxa o lençol pra cobrir as pernas. De bruços brincando com seu notebook. Olhando as unhas. Eu vendo algum desses programas no estilo “mesa redonda”. Mas adorava olhar como ela brigava com a camisola pra não deixar a bunda exposta. Linda.

Agora, ela me olha e pergunta se eu sabia que o Pearl Jam vai parar por “tempo indeterminado”. Dessa vez, solto um aham. Ela levanta de supetão. Gelo. AHAM. A tua banda preferida vai acabar e tu só fala AHAM. E agora, pensei. Disse SIM. Aff. Tu não quer conversar. E saiu batendo os pés rumo ao banheiro. Suspirei. Mulheres.

Ela volta mexendo na barriga. Amor, tô gorda? Não, imagina. Mas tu nem olhou pra mim. Olhei sim. Olhou não. Tô olhando agora. Tu acha a Claudinha bonita? Acho sim. Eu sei, tu não tirou os olhos dela. Eu??? Mas ela tava apresentando trabalho. Tu queria que eu olhasse pra onde? Ah! Vou pintar o cabelo de vermelho. Tá bom! Como assim tá bom? Tu sempre dizia que gosta do meu cabelo assim. Eu gosto, mas se tu quiser mudar não posso fazer nada. Grosso!

Desisto do programa. Desisto da revista. Levanto pra mijar. Levanta a tampa. Eu sei. Amooooooooooooooooooor. O que foi? Traz uma agua pra mim. Ok.

Vou à cozinha. Encho o copo. Tomo um gole. Encho de novo. Oba, suco de maracujá. Levo o copo. Eita exagerado, botou muito. Deixa que eu tomo. O que é isso no teu copo? Suco de maracujá. Poxa, mô, tu sabe que não gosto de maracujá. Mas sou eu que tô tomando. Eu sei, mas fica o gosto na boca. Escovo os dentes. Tá bom.

Deitei. Coberto. Resolvo procurar algum filme legal. Hitch na TNT. Ufa. Silêncio. Ei, George, quem é essa Paula que te mandou um scrap? Paula de quê? Paula Oliveira. Ah! Trabalha lá no escritório. Por que ela te pergunta se está melhor? Porque eu tava morrendo de dor de cabeça e saí mais cedo hoje. Tu sabe. Hummmmmm…Não vou com a cara dela, meio piraninha. Nessa hora eu dou um sorriso. Tu ri? Não tô gostando dessa conversa. Que conversa?

Ela bota Coldplay nas alturas. Desisto do Will Smith. Por que nunca desisto da Eva Mendes. (Oi, Eva!). Olha, Coldplay. (Irônico como sempre). Mô, bota aquela que eu gosto: The Scientist. Enjoei. Então bota Lost. Muito triste. Fix You? Não, George, tu não tem conserto. E desliga o Pc. Vou dormir. Boa noite, amor.

E agora? Quem desliga a luz? Vai você, eu fui buscar a água. Chato, cadê o cavalheirismo? Boa noite, me acorda amanhã às 10 tá? Tá. Te amo. Te amo também. Ama nada! Amo sim. Boa noite. Boa.

A Última Saída

25 de março de 2010

Caminhando a passos lentos na rua escura sem ao menos ter aonde ir, ele continua. Olhando apenas para os seus sapatos, mantém as mãos nos bolsos e masca o seu chiclete fazendo o máximo de barulho possível. Naquele silêncio ele percebe o quanto aquilo é realmente irritante. Disfarça um sorriso e continua do mesmo jeito.

Na sua cabeça, sangue e destruição. Dor. E mesmo assim não demonstra nenhuma emoção. Sabia que nada mais poderia ser feito e a coisa certa tinha acontecido. Já não tinha mais medo de nada. Talvez de alturas, mas essas poderiam ser evitadas.

Reconheceu aquele som, levantou a cabeça pra olhar. Era o mar. A última saída. Dessa vez sorriu de verdade, teve uma idéia. Agora sim, poderia apagar tudo, mesmo o que não queria que fosse apagado. Estava decidido. Talvez alguém nossa a partida, ou talvez passem três dias e nada.

Sentou no calçadão, perto das pedras. Recordações de como adorava sentar ali e ver a briga do reflexo da lua com o mar. O horizonte que sempre buscou… e então lembrou:

“A fúria cega que tivera, a faca rasgando a carne como churrasco. O sangue jorrando, os gritos se esvaindo aos poucos. Dor. Antes era um beijo, o gosto da boca, a língua áspera na sua. Ela era linda. Mas era. Não é mais. Lágrimas e chuva. Muita chuva.”

Era chegada a hora. Deixe o mar dissolver tudo. Apodrecer o peito, o corpo, tudo. Dor. Ou nem tanto. Tomar um banho, se jogar. Deixar o sol depois derreter tudo. Estava confuso, mas determinado. Era a última saída. Era. Tinha que ser. Por que nada restou? Cadê os sorrisos?

O chiclete não tinha mais gosto, mesmo assim não o jogava fora, assim era sua vida. Manter as coisas. Ficar com elas e não largá-las. Sabia o que deveria ser feito. Era a última saída.

Já estava quase afundando. Seria rápido. Quatro dias ou mais. Tudo estaria parado. Em paz. Dor. Engasgue-se logo, pensava. A última saída. Adeus. Deixe meu espírito passar.

*Conto inspirado na música Last Exit – Pearl Jam.

*Escrito por George Raposo

Backspacer – Pearl Jam – review

14 de janeiro de 2010

Nono álbum de estúdio do Pearl Jam, Backspacer lançado em Setembro de 2009.

Abre já com velocidade com o rock de Vedder com  “Gonna See My Friend” que segundo o próprio autor trata da visita a um amigo que está se livrando das drogas.

“Got Some” segue a linha de trabalho já conhecida do baixista Jeff Ament e a letra trata de um vendedor de drogas que resolve fazer rock, mas mesmo assim ainda “consegue se você precisar”

O single “The Fixer” é uma música dos 3 restantes (Stone Gossard, Mike McCready e Matt Cameron) consegue tirar o máximo da voz e da capacidade do Vedder de escrever uma letra. Com um ritmo bem legal a letra é no melhor estilo, se tiver um problema dá pra resolver a letra fala de um resolvedor de problemas. E pra você não se preocupar que sempre temos uma solução. “If there’s no love, I wanna try to love again” ´´e um verso sensacional.

“Johnny Guitar” da parceria Cameron/Gossard. É uma “balada” new wave bem raivosinha que fala de um cara apaixonado por uma das mulheres da capa do disco de Johnny “Guitar” Watson.Com uma parte vocal que mais parece o latido de um cachorro. É uma boa música.

“Just Breathe” é, agora sim, uma baladinha Eddie Vedder. Sim, é uma canção de amor. Fala dos momentos que os amantes só querem estar lado a lado, sem fazer nada. só estar. Só respirar!

Dando continuidade a desaceleração “Amongst The Waves” mostra como o Gossard sabe compor músicas simples e excelentes. Eu acredito que essa fale da “fuga” dos pensamentos ruins quando se esta surfando. (Pra quem não sabe o Eddie tem como hobby o surf e é até bom nisso).

“Unthought Known” já pelo título se mostra interessante. Pode ser traduzido como “Impensado conhecido” ou algo do tipo. Continua a parte mais “lenta” do álbum. Se trata de uma letra que fala da psique humana. Vedder fez uma música linear com uma bateria curiosa, mas achei meio sem sal.

“Supersonic” acelera de novo. No melhor estilo Pearl Jam nos últimos anos. Se acha bem parecido com algo entre Yield e Binaural. Gossard consegue animar de novo o álbum. E o Vedder consegui transformá-la numa canção de amor à música. Muito boa.

De acordo com Vedder, “Speed of Sound” é uma canção tomadas a partir da perspectiva de um homem que ainda está sentado em um bar depois que todo mundo saiu, mas acrescentou que, embora a canção é triste, tornou-se mais “confiante” quando jogado com toda a banda . Ela novamente “desacelera”.

Em “Force of Nature”, McCready mostra a sua cara fazendo uma música ao seu estilo. E a letra do Ed trata da força de uma pessoa só nos relacionamentos e como essa força consegue suplantar os erros da outra pessoa.

“The End” encerra com o que seria uma “música de amor que ainda dói”. E realmente, é pra doer essa música. Encerrando com chave de ouro.

Em resumo, o álbum mostra um PJ mais maduro, menos raivoso. Até da pra dizer POP. Com apenas 37minutos de duração.

Apesar de eu ser fã, podem ouvi-lo que é garantido. Muito bom. O melhor desde “Yield”.

Música da Semana

31 de dezembro de 2009

Soon Forget

Pearl Jam

Sorry is the fool who trades his soul for a corvette.
Thinks he’ll get the girl he’ll only get the mechanic.
What’s missing? He’s living a day he’ll soon forget.

That’s one more time around. The sun is going down.
The moon is out but he’s drunk and shouting.
Putting people down. He’s pissing. He’s living a day he’ll soon forget.

Counts his money every morning. The only thing that keeps him horny.
Locked in a giant house that’s alarming.
The townsfolk they all laugh.

Sorry is the fool who trades his love for hi-rise rent.
Seems the more you make equals the loneliness you get.
And it’s fitting. He’s barely living a day he’ll soon forget.

That’s one more time around and there is not a sound.
He’s lying dead clutching Benjamins. Never put the money down.
He’s stiffening. We’re all whistling a man we’ll soon forget.

Além de ter uma letra sensacional, o Eddie Vedder usa um instrumento chamado Ukelele. Essa música é do álbum BINAURAL. Que não é tão legal assim, mas ainda sim tem algumas músicas ótimas. Cito: “Thin Air” – “Nothing As Is Seems” e “Breakerfall” além da que consta acima.

O ukulele ou ukelele é um instrumento musical semelhante a um violão, mas menor. Tem apenas 4 cordas afinadas em lá, mi, dó e sol. O ukulele, também muitas vezes chamado erroneamente de guitarra havaiana, tem origem em dois instrumentos tradicionais da Ilha da Madeira. O machete madeirense e o rajão que foram levados pelos madeirenses quando estes emigraram para o Havaí.

Ukelele significa “pulga saltadora” no idioma havaiano.

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