Velhas Virgens

31 de agosto de 2010

Sei lá. Às vezes eu sou assim, meio velha virgem – a banda. Não quero saber. Já me disseram que eu gosto de porcaria. Bandas desafinadas ou coisas assim. Mas essa banda é demais. E Essa música é de rasgar o peito, mesmo apesar de tudo.

Bêbado, Rouco e Louco
Velhas Virgens

Hoje eu encontrei
Um velho retrato seu
Por onde andarão os olhos
Que um dia foram os meus?
A rua sem você
Vazia é quase nada
Escura, suja e triste
Recordação maltratada
Maltratada

Bêbado, rouco e louco
Eu danço entre os carros
Na marginal congestionada
Grito, blasfemo
Paixao e ódio
Mágoa, desprezo
Uma mulher não vale nada
Não vale nada (2x)

Os dias passam sedentos
Nessa imensa mesa de bar
Copos vazios que brindaram saúde
A quem já não me quer mais
Não me quer mais
Não, não quer mais

Bêbado, rouco e louco
Eu danço entre os carros
Na marginal congestionada
Grito, blasfemo
Paixão e ódio
Mágoa, desprezo
Uma mulher não vale nada
Não vale nada (3x)

Toma um fósforo, acende o teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga
Escarra nessa boca que te beija!

Não vale nada (4x)

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Cadê o sentimento?

31 de agosto de 2010

Eu adorava passar minhas férias na fazenda. Ainda mais quando na cidade mais próxima tinha uns “festejos”. Nessa época, vinha gente de tudo quanto era lugar. Todo mundo tinha um parente naquela maldita cidade. E portanto, tinham muitas meninas interessantes. E o carinha da capital sempre se dava bem.

Quando eu ainda era moleque, tinha uns 17 anos conheci uma menina. Loirinha. Muito gatinha. Daquelas que são lindas, mas não sabem. O alvo ideal. Ficamos no último dia dessas férias. Não nos despedimos direito porque o meu “parceiro” de caça bebeu demais e tava passando mal. Hora de partir.

Nos 6 anos seguintes nada dela aparecer pela cidade. Nos dois primeiros anos perguntei pra Mariazinha, filha da Santinha, que era amiga dela. Mariazinha respondeu que ela tinha ido morar em Imperatriz e tinha férias em outros meses que não coincidiam com o festejo de junho/julho. Fiquei triste, mas havia outros peixes no mar.

Quando eu estava na seca, sabia que chegaria a época das férias. Sexo fácil e bem apaixonado. Por parte delas, lógico. Era muito bom enganar as pobres menininhas do interior. Tiro Certo. Eu sempre levava uns amigos pra completar a equipe de tiro. Só sniper. Head Shot.

Acontece que em um ano desses, quase sem querer, a encontrei. Primeiro dia. No pique. Quase sóbrio. Ocorre que eu já tinha ficado com outra doida lá. Que por acaso tinha ido em casa trocar de roupa. Era hora de usar de toda habilidade ninja naquele dia e sumir. Consegui ir com a loirinha pra beira do rio, que era mais deserto a noite. Conversamos a noite toda, ficamos, namorandinhos. Ela contou que estava morando em São Luís, fazendo medicina. Não consegui passar dos beijos ardentes.

Segundo dia. Ela não pôde sair de casa a noite porque era aniversário da vó ou algo do tipo. Então só ficamos nas caricias diurnas, nada mais.

Terceiro e último dia. Eu já tava louco. Ainda não tinha comido ninguém. Era agora. Beijos ardentes, carícias maliciosas dentro do meu carro. Mão naquilo. Aquilo na mão. Que legal, nós dois pelados aqui. Não é que ela chupa que é uma beleza?

– Tira a calça, benzinho.
– A não, amor, só faço amor se tive sentimento. Só se namorar comigo!
– Eu namoro, prometo.
– Não acredito em ti. – ela se recompos e já foi saindo do carro.
– Mas…
– Me procura em São Luís, ou então até o ano que vem

É, amigos. Ela continuava linda e agora era perigosa porque descobriu que era linda. E eu fiquei na mão, literalmente. Muita confiança dá nisso. E o pior são os amigos contando suas façanhas sexuais. E rindo da minha cara. Bonito. Bem feito. Cadê o sentimento? Sinto muito.

Sem pé nem cabeça

29 de agosto de 2010

– Qual sua canção de amor predileta?
– Não posso te dizer. Nunca a dediquei pra ninguém. Vai tocar no meu casamento…
– Hum. Frescura. Então diz a segunda.
– Tá bom. Direi a terceira. The Way YOu Look Tonight
– E a segunda? O que houve com a segunda?
– Ela também vai tocar no meu casamento. A primeira é na minha entrada, a segunda é na hora da valsa.
– Poxa, e eu não vou poder escolher nenhuma música?
– Vai sim. Só não a da entrada e da valsa.
– Posso cantar GReat Balls of Fire?
– Se conseguir, pode sim.
– Oba. Casa comigo?
– Caso.
– Quando eu voltar pra cidade então a gente vê.
– ok.

Duetos na madrugada

29 de agosto de 2010

Ele sentando no sofá, violão em mãos. Quer tocar uma canção pra ela que o observa com o olhar apaixonado. Degustando uma caneca de café. Ele quer algo diferente, ficar marcado na vida dela. Não quer ser mais um. Ela só pensa em como aquilo poderia estar acontecendo. Acredita ser um sonho, quer se beliscar mas ao mesmo tempo teme acordar.

Ela pede uma canção. Matchbox 20. Aquela mesma de anos atrás. A música “deles”. Ele secretamente tinha aprendido pra poder tocar pra ela, mesmo sabendo que era altamente improvável. I think I already lost you. E a voz embargada dele ecoava pela sala. Ela fazia o dueto com sua voz melosa, apaixonada. Ela pensava que daria um video bonito dos dois, aquela cena de cinema. O apice do amor. Talvez teriam milhões de visitas no youtube. Mas a música era triste. I think I’m scared.

Era engraçado como essa música tinha significados diferentes pros dois. Pra ele era uma declaração de amor perfeita, tudo que ela poderia querer ouvir. Pra ela era uma forma de declarar seu medo daquilo tudo, a indecisão sobre os dois. I bet you need, more than you mind.

Ao final, um beijo apaixonado. Ela pede o violão. Quer cantar algo pra ele. It’s my time. Beach Boys sempre parece uma boa escolha pra ela. God Only knows what I be without you. Ele simplesmente não acredita. Ela parece chorar na canção.Ele se apaixona a cada palavra. Something in the way she moves ele resolve finalizar o dueto…

Então no meio do refrão, ele acorda assustado. Sozinho e com frio. Afinal como poderia ser real se ela está em outra cidade e ele ainda nem comprou o sofá da sala?

Pacaembu

29 de agosto de 2010

Estádio Paulo Machado de Carvalho. O famoso Pacaembu. Santos x Goias. Sabado as 18:30. Lá vou eu pra minha estréia em jogos do Santos. Devidamente uniformizado faço o trajeto de táxi. E descubro que a minha entrada é do lado oposto do estádio. Hora de andar. E aquelas ladeirinhas das redondezas são chatas. Sozinho e com frio. Lá vou eu. Ouço conversas sobre o possível substituto do Ganso, machucado, sobre a estréia do Keirrisson, sobre como a cidade de são paulo está cinza. O tempo seco, a campanha política do Tiririca.

Entrada. Acho um lugar bacana. Na direção da linha da area. Cadeira Laranja. Torci pra que não sentassem chatos ao meu lado. Na minha esquerda sentou um japinha e sua namorada. Na direita 2 senhores com jeito de estrangeiros. Na frente 2 velhinhos e dois pais e seus filhos pequenos (um parecido com o Ronaldinho Gaúcho criança, o outro com o Jaime Palilo, e ainda era corintiano). Esses eram meus melhores amigos naquelas 2 horas seguintes.

Primeiro expliquei pro pai do Jaime que o Keirrisson seria titular. E que Dorival escalaria 3 atacantes. Antes mesmo de sair a escalação oficial. Na hora que o locutor oficial anunciou, ganhei a confiança do grupo.

Esqueci de falar do show das cheerleaders que de longe pareciam bem gostosas. Além do Baleião e da Baleinha que arrancam umas risadsas. E o sistema de som ironicamente tocava “Borbulhas de Amor”

Logo no decorrer do jogo, Caio o senhor com cara de Eddie Jordan puxa assunto sobre o time, e ficamos conversando boas horas sobre vinhos e queijos. Gente boa, o problema era a fumaça do cigarro. O japinha tava de bermuda e parecia morrer de frio. Eu tive pena dele. Nem cantar as músicas ele conseguia.

Os pais e seus filhos faziam zuadas estranhas. Pareciam não entender de futebol. De tática. Só queriam ver o Santos ganhar.

O jogo foi bacana. Homens se abraçando na hora do penalti. Homens xingando na hora da perda do mesmo. MAis abraços no golaço do Zé Love. Pulamos todos como se fossêmos crianças. Fizemos a tradicional ola. Cantamos o Santos em plenos pulmões mesmo aqueles cheios de nicotina.

Durante aquelas 2 horas, nós, completos desconhecidos, éramos uma família. Bem heterogenea. Mas fiel e solidária. Juntos por um propósito comum. Até os peidos fedorentos que aposto que vieram do gordinho são relevados quando o seu time tá ganhando.

No fim, nos cumprimentamos todos. E que um dia nos encontremos em outro jogo pra torcer pelo nosso time.

Amizades descartáveis com prazos de validade. Só quem gosta de futebol e assiste jogos pode saber o que é isso…

fora da linha

28 de agosto de 2010

O cenário era o mesmo de sempre. A mesma mesa de bar perto da sinuca na saída da faculdade. Happy Hour de segunda-feira. Os personagens principais eram os mesmos. Algumas variações nos coadjuvantes. Nesse dia eramos apenas nós 4. A galera da equipe de trabalho. Estavámos comemorando mais uma nota 10 numa apresentação qualquer.

Cerveja, e os assuntos de sempre. Mulher, futebol, dívida externa, religião, reforma do código civil e por aí vai. Mas nesse dia paramos no assunto mulher quando Junior, nosso amigo gay, solta a bomba:

– Caras, ontem eu comi a Carlinha. Sensacional aquela mulher!

(Carlinha era a menina mais cobiçada do curso de Direito inteiro. Era simplesmente maravilhosa. Eu me perderia nas palavras se tentasse descrevê-la.)

Espanto geral. Ficamos os 3 se olhando e olhando pra ele, com aquele sorriso idiota. De “e aí? Não vão falar nada”

– Mas tu num é viado? – retrucaram.
– Sou. Mas a gente tava lá vacilando, papo vai, papo vem. Rolou.
– Filha da puta. Tu e ela.

Sei lá. Eu não sou daqueles que rotulam as coisas. Ou que acham legal ter muitos gays pois sobra mais mulher. Defendi a posição dele naquele dia, como defendo até hoje. Eles chegaram até a namorar. Coitada.
Mas o Cadu estava meio certo quando afirmava que gay era gay. Não podia ser bissexual. SE tu não curte mulher, não curte com as mulheres, cara.

Apesar de que na hora eu acho que era inveja. Todos queriam pegar a Carlinha.

Estava eu esperando meu ônibus calmamente quando duas mulheres começam a conversar bem alto ao meu lado.

– É claro que o dia dos namorados é muito diferente do aniversário de namoro!

Espantei-me com o conteúdo e o volume da conversa e olhei pra elas. Logo diminuíram o meu aúdio. Mas fiquei com aquilo na cabeça. Será que alguém confunde mesmo a importancia dessas duas datas? Sério?

Dia dos namorados é dia de todos namorados. Todos. Inventado pra aumentar o comércio. Tudo bem que existem pessoas que achem importante. Pra mim sempre foi uma data comum. Troquei presentes. Saí pra jantar, mesmo com todos restaurantes lotados. E a noite termina como tem que terminar. Sexo. Sem glamour. Com uma noite de sexta qualquer ou um domingo. Se tiver algum filme legal em cartaz.

Agora, aniversário de namoro. É o meu dia e dela. Só nosso. Claro que deve existir outro casal no Vietnã que também está comemorando, mas eu não preciso saber. Representa que estamos juntos por algum tempo. Aí sim, é dia de fazer especial. Se superar a cada ano. Sair da rotina. PResentes caros. Champagne. Gastar um pouco mais. Inovar. Apimentar as coisas. Sorrir. Fazer ela se sentir a mulher mais amada do mundo. (Sei que o correto é fazer ela sentir isso diariamente. Sei que um relacionamento se constrói dia-a-dia. Sei. Vivendo e aprendendo).

Não tem como confundir, garota.

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