A Flor

15 de julho de 2010

Naquele dia eu estava no meu planetinha. Tranquilo. Observando as estrelas cadentes passarem por mim. os disco-voadores passando sem se importar comigo, sem nem ligar pro meu planeta. E então aquele menino resolveu me visitar. Lembro que fiquei assustado e com medo.

– Oi. Você não se sente sozinho nesse planeta?
– Já me acostumei. Mas pelo que soube nas redondezas é que você também vive só em seu planeta.
– Nada disso. Eu tenho uma rosa. A mais bonita de todas. Você deveria experimentar. Mas vou logo avisando, elas tem um temperamento difícil. Nessas minhas viagens aprendi que existem outras flores mais dóceis e tão bonitas quanto. São boas amigas pros momentos solitários. Tenho que ir. Até mais, amigo.
– Até, Pequeno Princípe.

Sempre vários voavam e estacionavam na terra fértil do meu planeta, mas eu nunca deixei brotá-los. Não queria meu planeta infestado por plantas malignas. Mas nunca desconfiei que fossem flores. Que poderiam embelezar o meu “jardim”. Precisava de uma amiga. De um “amor”.

Então, um andarilho do espaço me trouxe vários tipos de semente de flores. Queria testar todas.

Tentei primeiro com uma rosa. Linda. Bela. Vermelha. Mas ela usava seus espinhos pra me espetar sempre que possível. Era arredia. Não gostava muito da luz do sol. Não gostava muito de conversar. Não era uma boa companhia. Muito egoísta. Só pensava nela. Na sua beleza. Ganhou espelhos, presentes e nunca retribuiu. Se entendiou um dia e fugiu no rabo de um cometa.

Margarida foi a próxima. Bela. Branca como leite. Simples. Direta. Correspondia meus carinhos. Não era de muito pedir. Só gostava de contemplar o horizonte. Análises rápidas da minha personalidade. Pouco falava. Pouco me amava. Grande companheira. Mas eu queria paixões mais avassaladoras. Logo adormeci em um de nossos papos e uma tempestade a arrastou pra outro planeta desconhecido.

Depois veio a Orquídea. Era tão bela que meus olhos enchiam de lágrimas ao vê-la. Uma coloração que até hoje não consigo definir. Complicada e apaixonante. Parecia ser o que eu precisava. Conversavámos sobre tudo. Sempre estava ao meu lado. Compartilhavamos angustias, problemas, planos e sonhos. Era rara. Única. Perfeita. Pensei em viver pra sempre ao lado dela. Mas elas são frágeis. Se quebram e magoam facilmente. Depois de acontecido é quase impossível reparar os erros. Uma manhã simplesmente sumiu. Até hoje não sei se por vontade próprio ou obra do acaso. Espero todas as noites que ela volte.

Por fim, Tulipa. Altiva. Dona de seu próprio nariz. Falante. Mais do que qualquer coisa. Gostava de olhar por cima de tudo. Dona do mundo. Me fascinou no primeiro sorriso. Adorava conversar com ela. Já que não sou muito de falar. Ela falava por nós dois. Parecia que conhecia de tudo, apesar de ser apenas uma flor. Me apaixonei. Mas eu sabia que nunca poderia tê-la por muito tempo. O clima e o solo do meu planeta não eram propícios pra ela. Tive que deixá-la partir. Partiu meu coração. De vez em quando vou visitá-la. Encontrou um cravo e estão vivendo felizes. Bom pra ela.

Chorei noite após noite. Não tinha mais sementes. Não tinha mais flores. Muito menos amores. Foi quando como que por mágica uma semente apareceu. Caiu e logo brotou. Reguei por dias a fio. Protegi dos excessos. Queria conhecê-la.

– Olá. Meu nome é Begônia. Quem é você?
– Sou apenas um menino.

Começou a teorizar sobre almas gêmeas, apenas bons amigos. Sonhos. Certezas. Enquanto eu só olhava pros lábios e pro sorriso que dava entre uma palavra e outra. Era tudo que gostava em todas as anteriores numa só. Egoísta. Linda. Simples. Complicada. Sonhadora. Companheira. E me amava.

– Oi, menino. Vejo que encontraste uma flor. – era mais uma vez o Pequeno me visitando.
– Na verdade, Ela que me encontrou.
– Assim que a Rosa me encontrou também. Apareceu lá em casa numa manhã fria de inverno. Vejo que estás mais feliz. Isso é bom, amigo, é bom. Boa semana.
– Obrigado. PRa você também.

– Quem era ele, amor? – ela acordara agora. Com um bocejo lindo pela manhã.
– Um grande amigo. – retruquei puxando o cobertor pra me ajudar com o frio.
– Vamos dormir um pouco mais?
– Vamos – dei um beijo na testa dela. É tão bom amar a pessoa certa, pensei.

Dedicatória

5 de maio de 2010

Estava eu procurando uma passagem no livro do “Pequeno Principe” que tem aqui por casa quando me deparo com uma dedicatória, eu já tinha visto, mas nunca tinha lido. Meu pai deu o livro pra minha mãe no aniversario dela. Ela tinha 21 e ele, 19. Ainda eram um casal, apesar do teor da dedicatória denotar que já houvesse brigas. Ainda bem que eles ficaram ainda um tempo juntos e eu nasci. Depois cara um pro seu lado.

Nunca tinha lido nada escrito pelo meu pai, me surpreendi com o português. E ainda mais vindo de um cara de 19 anos.

Sei que vão brigar comigo, os dois, se lerem. Mas reproduzirei aqui a dedicatória:

Meus parabéns, por tão importante data. Espero que esta pequena lembrança sirva-lhe de porta, para um maior conhecimento sobre o mundo, sobre as crianças. As crianças são as pequenas coisas que um dia fomos, que talvez, por sermos grandes (ADULTOS), esqueçamos de relembrá-los; crescemos, como crescem os animais, mas devemos sempre lembrar-nos que um dia fomos pequenos, fomos o mais alto teor de pureza e ingenuidade, e que é dessas minúsculas coisas que as grandes se formam.

Este livro representa todos os momentos, meus, de reflexão sobre a vida, todos os momentos que passei, em silêncio, ao teu lado.

Este, também, representa minhas mágoas, por esquecer-nos de ser simples como as rosas. Melhor que mágoas, este livro representa todos os meus sorrisos, toda a minha felicidade, talvez quem sabe, eu tenha uma flor em uma estrela qualquer, que fique rindo pra mim; talvez eu tenha também “UM PEQUENO PRINCIPE” como amigo, em algum lugar.

Sou feliz, com meus sonhos, em meu mundo de criança, onde, mesmo daqui a 100 anos, eu não queira sair.

Mas não é pra pensares no que eu escrevi, não é para entenderes o que escrevi, muito menos para você se magoar, embora eu ache que não tenha com que se magoar, pelo contrario, escrevi isto tudo para que entre no meu mundo, no mundo das crianças, sei que és criança, sei que és (parece ser) feliz, mas reflita comigo, venha…

…aqui não há brigas, qualidade ou defeitos, só felicidades *, todos são iguais, venha, iremos cativas amigos, iremos juntos fazer adultos felizes, vivamos a vida, somos livres quando somos iguais aos outros (simples).

Sei que é difícil, mas basta querer, querendo já tornas tudo mais fácil.

Tente…Chegue…

Este livro traduz algumas coisas que sou e explica, tente achar as suas respostas.

E desejo do mais profundo “EU” que os anos que estão por vir sejam melhores que os que já passaram, que encontres a criança que foste um dia e que seja feliz, como as crianças são.

Feliz Aniversário,

George Raposo

22/05/81

Ps. A Felicidade nunca anda sem a tristeza, isto para os adultos. A felicidade anda só para as crianças. Mas sempre têm os adultos para atrapalhar.

*sim, ele também se chama George Raposo*

Pequena Princesa

19 de abril de 2010

Todos que me conhecem, sabem que a maioria dos textos daqui são autobiograficos, e muitas das declarações são pra mesma pessoa. Hoje mudarei o foco.  Quando ela ler saberá…vocês não.

Por muitos anos quis dizer tudo isso, você seguia em seu mundinho, seu pequeno planeta. Fazendo as coisas ficarem iguais nos mínimos detalhes. Era como o ‘pequeno principe’ versão feminina. Precisava realmente voar e conhecer ares novos.

Eu costumava descrever sua vida como uma mesa de trabalho, ou mais condizente, uma prancha de arquiteto. Mas daquelas em que cada coisa está no seu lugar, sem nada torto, nada desorganizado. Como um nado sincronizado estático.

E eu, oposto disso tudo, com a minha vida tão confusa quanto a América Central apareci. Parecia uma criança quando viu a sua ‘mesa/vida’ e simplesmente bagunçou tudo, derrubou tudo, e você tinha o prazer de arrumar. Por isso a gente se dava tão bem…

Paixão. Loucura. Riscos. Sonhos.

Uma pena eu ser ‘instável’ como você repete diariamente desde então.


Na minha ultima ‘reviravolta’, simplesmente virei as costas e fechei a porta. Deixando você com sua bagunça e aquele olhar de WHat The Fuck?

Fúria. raiva. ódio. frustração.

Mas como uma pessoa super certinha, perdoaste. Apenas bons amigos…

Arrumaste sua mesa, decidiste encontrar a pessoa ‘ideal’. Aquele que avisa que algo está torto, que te corrige, te ajuda a arrumar. Felizes para sempre?

Sorrisos. Beijos. Te Amo. Forever.

Mas o certo, o estável não era tão estável assim. Sem explicação cansou de tudo e de todos. Hasta La Vista, Baby.

Raiva. Fúria. óDio. Frustação.

Você mesma desarrumou a mesa. Atirando os ‘objetos’ nas paredes. E agora?

Ainda estou aqui. Não sou mais criança. Não sou mais um furacão. Apenas um leve brisa. Ainda com sonhos impossíveis e planos mirabolantes. Mas acredito ser o que você precisa. Um pouco de aventura, agora com pitadas de moderação.

Quem viu meus últimos relacionamentos, acredita que sou o freio de mão só você sabe que não.

(Agora lembrei daquela música dos Engenheiros do Hawaii: “Cansei de alimentar os motores Agora quero freios e air-bag”)

Bem, Pequena Princesa, fica aqui a sugestão. Ainda bons amigos?

*qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência*

Ps. Se ficares com raiva de expor sua vida assim, me desculpe. Mas provarei por A + B que estou certo. Em outro post.

Ps²: Sei que estou me dando muita importancia, mas o texto é meu e faço como quero.

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