Pacaembu

29 de agosto de 2010

Estádio Paulo Machado de Carvalho. O famoso Pacaembu. Santos x Goias. Sabado as 18:30. Lá vou eu pra minha estréia em jogos do Santos. Devidamente uniformizado faço o trajeto de táxi. E descubro que a minha entrada é do lado oposto do estádio. Hora de andar. E aquelas ladeirinhas das redondezas são chatas. Sozinho e com frio. Lá vou eu. Ouço conversas sobre o possível substituto do Ganso, machucado, sobre a estréia do Keirrisson, sobre como a cidade de são paulo está cinza. O tempo seco, a campanha política do Tiririca.

Entrada. Acho um lugar bacana. Na direção da linha da area. Cadeira Laranja. Torci pra que não sentassem chatos ao meu lado. Na minha esquerda sentou um japinha e sua namorada. Na direita 2 senhores com jeito de estrangeiros. Na frente 2 velhinhos e dois pais e seus filhos pequenos (um parecido com o Ronaldinho Gaúcho criança, o outro com o Jaime Palilo, e ainda era corintiano). Esses eram meus melhores amigos naquelas 2 horas seguintes.

Primeiro expliquei pro pai do Jaime que o Keirrisson seria titular. E que Dorival escalaria 3 atacantes. Antes mesmo de sair a escalação oficial. Na hora que o locutor oficial anunciou, ganhei a confiança do grupo.

Esqueci de falar do show das cheerleaders que de longe pareciam bem gostosas. Além do Baleião e da Baleinha que arrancam umas risadsas. E o sistema de som ironicamente tocava “Borbulhas de Amor”

Logo no decorrer do jogo, Caio o senhor com cara de Eddie Jordan puxa assunto sobre o time, e ficamos conversando boas horas sobre vinhos e queijos. Gente boa, o problema era a fumaça do cigarro. O japinha tava de bermuda e parecia morrer de frio. Eu tive pena dele. Nem cantar as músicas ele conseguia.

Os pais e seus filhos faziam zuadas estranhas. Pareciam não entender de futebol. De tática. Só queriam ver o Santos ganhar.

O jogo foi bacana. Homens se abraçando na hora do penalti. Homens xingando na hora da perda do mesmo. MAis abraços no golaço do Zé Love. Pulamos todos como se fossêmos crianças. Fizemos a tradicional ola. Cantamos o Santos em plenos pulmões mesmo aqueles cheios de nicotina.

Durante aquelas 2 horas, nós, completos desconhecidos, éramos uma família. Bem heterogenea. Mas fiel e solidária. Juntos por um propósito comum. Até os peidos fedorentos que aposto que vieram do gordinho são relevados quando o seu time tá ganhando.

No fim, nos cumprimentamos todos. E que um dia nos encontremos em outro jogo pra torcer pelo nosso time.

Amizades descartáveis com prazos de validade. Só quem gosta de futebol e assiste jogos pode saber o que é isso…

O libertador

12 de julho de 2010

Dizem que um homem faz muitas loucuras por uma mulher. E minha primeira loucura que posso lembrar foi quando eu tinha 9 anos e estava no recreio da escola. Elys Souto era a menina mais linda da 3ª série, tinha longos cabelos loiros encaracolados, uma voz doce e os olhos verdes mais encantadores que já conheci. Quando ela chegava perto de mim, eu não conseguia nem encará-la. Ela era da outra sala, portanto não tínhamos muito contato, quase não conversávamos.

Lá estava eu tranqüilo comendo o meu sanduíche de queijo com suco de maracujá, quando ela, Elys Souto, sentou ao meu lado e apontando para o meio do pátio perguntou:

– Porque você não joga futebol com os outros meninos?

– Porque eles são maiores e posso me machucar – respondi interpretando as palavras da minha mãe.

– Aposto que você pode jogar melhor que eles – retrucou com um ar confiante que me fez criar coragem.

Não sei onde eu estava com a cabeça quando me levantei e fui perguntar para o garoto que aparentemente liderava o jogo se tinha vaga pra eu jogar.

– Você sabe jogar no gol? – perguntou ele.

– Claro – respondi apesar de nunca ter jogado naquela posição em toda minha vida.

– Eu acho que não – duvidou o Pablo.

– Quer ver? Chuta um pênalti pra me testar. Se eu defender, deixa eu jogar. – não sei onde tirei toda aquela coragem para desafiar aquele menino de 12 anos que parecia um gigante perto de mim.

– Tudo bem, abusado, vou chutar cinco pênaltis. Quem ficar com a vantagem ao final, ganha.

Concordei e dei aquele sorriso maroto para Elys que acompanhava bem atenta aquela conversa e o que viria a acontecer depois.

Fui caminhando lento em direção ao gol. Pablo já estava posicionado. Eu só pensava em Elys, nem conseguia me concentrar na bola ou no Pablo. Um primeiro chute no ângulo sem defesas me fez voltar à realidade.

– 1×0, baixinho.

O rosto do Pablo agora estava em minha mente, lembrei que a tensão da primeira cobrança agora fora substituída por um sorrisinho sarcástico. Prometi a mim mesmo defender aquela cobrança a todo custo. Um segundo chute com toda potência no meio do gol direto na minha testa. Caí para trás e apaguei por um segundo com o pessoal perguntando se eu estava bem.

– 1×1 – gritei ainda me levantando.

Pude ver o semblante de preocupação na Elys e aquilo me fez dar um sorriso meio sem querer. Era o máximo pra mim, estar no pensamento dela, e ainda era mais importante ter a atenção dela. Um terceiro chute no canto esquerdo indefensável.

– 2×1.

Tudo bem que eu nem me mexi, mas aquele terceiro chute me fez aprender uma coisa. Que o goleiro deve observar o cobrador como um todo porque o mesmo dá algumas dicas de onde vai cobrar aquele pênalti. Comecei a sorrir.

– Porque tu estás rindo, idiota? Não vê que se eu fizer esse você perdeu e nunca mais vai jogar bola aqui no pátio?

– Eu sei disso. Eu to rindo é porque já ganhei essa disputa. Vou pegar esses dois próximos chutes teus e amanhã tu vai implorar pra eu jogar no teu time. – até hoje não acredito que eu tenha dito isso, fato que me foi confirmado por algumas testemunhas daquele dia.

Um quarto chute no canto esquerdo novamente e uma defesa digna de um goleiro profissional. Muitas vezes eu respondi que esse foi o meu melhor pênalti defendido.

– Não falei. 2×2.

Agora pude ver a raiva no rosto do Pablo. Tinha certeza aonde vinha aquele decisivo pênalti. Um quinto chute a meia altura no canto direito e lá fui eu voando pra conseguir segurar a bola.

Nem lembro mais do Pablo ou da Elys nesse dia. Sei que fui abraçado e carregado pelos meus amigos de sala. Parecia que eu seria um salvador, porque com aquelas defesas eu tinha libertado o pátio e dado a democracia de que a 3ª série podia também disputar os jogos. E a partir daí até disputar o inter-classes do colégio.

Naquele dia me apaixonei pela posição de goleiro e mais que isso, aquelas defesas me renderam no outro dia o meu segundo primeiro beijo. Talvez por causa desse beijo que eu tenha me tornado um goleiro. Hoje, agradeço a tudo de bom e ruim que aconteceu na minha vida a Elys.

Bastian!

4 de julho de 2010

Bastian Schweinsteiger. O nome mais difícil de escrever da Copa do Mundo. O melhor jogador da Copa até hoje. Simplesmente o maestro. Aquele meia armador que se encontrou ao virar “segundo volante”. Cabeça erguida. Camisa 7. Alemão. Simplesmente o dono do jogo. Acabou com a Argentina. Minha pobre argentina. Enquanto todas atenções da imprensa são voltadas pro jovem Muller (que deve ser escolhido melhor jogador jovem), a surpresa Ozil e ao artilheiro Klose ele que se destaca. Pena não se reconhecido, acredito que por causa do seu nome. Queria vê-lo como o melhor da Copa, ainda mais se a Alemanha levar o título.

Belo futebol o alemão esse ano. Merece. Apesar de eu estar torcendo pro Uruguai do Fórlan. E acreditar na Espanha de Villa. Na verdade, até a Holanda merece. Os melhores estão nas semi.

E Bastian já vem de uma temporada ótima no Bayern. Merece, viu?

Plano infalível

23 de junho de 2010

Vamos assistir ao jogo do Brasil na Copa de 2006. Churrasco lá na casa do Eduardo, namorado da Mônica. Tá afim? Nunca recusaria um convite. Sempre tem umas gatinhas amigas da Mô. E além disso tem piscina, campinho pra bater uma bola. Cerveja e vodka. Sucesso garantido. E eu torcerei contra, sempre eu.

Na minha, eu e meu copo de cerveja da Argentina ganho de brinde no Habib’s. De repente chega o Dinho e diz: – Eu fico com a de verde, tu com a de amarelo. Tá afim? Ele é realmente chato com esse “Tá Afim?”. Sempre usa. Nunca cansa. Mas elas são três. Tu acha que vão deixar a de preto assim, sozinha? A gente arranja um terceiro. Isso é fácil. Tá afim?

Eis que chega Peter, o terceiro elemento. Cabelos compridos, tatuagem no braço, violão na mão, munhequeira no antebraço. Na hora vi a furada que ia me meter. E o Dinho que conseguia ser mais feio que eu, ia se dar mais mal ainda.

Logo começou a tocar Coldplay e todas as garotas suspiraram e fizeram uma rodinha ao seu redor. Que redundância. Tá afim? Voltei pra minha cerveja. Agora era só esperar. Dinho se inconformou porque Peter, o bonzão escolhera justo a de verde. Lógico, era a mais linda de todas.

Eu disse pro Dinho. Tenho um plano infalível. Botei meu lado Cebolinha pra funcionar. Hora de arranjar um jogo de futebol. Todos vão pra lá e tu pode conversar tranquilo com a amante da fauna brasileira.

Dito e feito. Todos os representantes do sexo masculino foram jogar bola, inclusive eu. Já que eu tinha sugerido a idéia. Apenas uns 3 que estavam com namorada e o Dinho, que não jogava bola, ficaram lá.

Só lembro que ganhei todas, sem levar nenhum gol…o Dinho ficou com a menina de verde que namora com ele até hoje. Depois do jogo o Peter ficou com a de amarelo e os dois tiveram uma relação tipo Sid e Nancy, não fazia meu estilo. Pra mim sobrou a de azul, e ela foi a que mais me interessou das três. Azar o deles. Até hoje ela que faz o meu sol sorrir…

Ordem e progresso.

E eu ganhei o prêmio HITCH do dia. Da década. Do século.Ah! O Brasil perdeu pra França por 1×0 e eu sorri pra caralho!

superando limites.

20 de junho de 2010

Superar limites. Essa é uma besteira tremenda. É uma frase que é impossível de acontecer. Ninguém supera limite algum. Ou houve uma falha na determinação do limite ou não se sabe exatamente qual limite.É o que eu chamo de crime impossível. Ninguém nunca conseguirá realizar.

Sim, eu só queria dar um tempo nos assuntos normais do blog. E falar como é fácil ser jornalista esportivo. Basta falar bem. Besteiras mas bem. Usar as mesmas piadinhas e trocadilhos que falo com meus amigos. E analises de jogos com comentários obvios e rasos. Já foi mais legal assistir isso.

Nem falo dos escritos. Esses são bem melhores e os admiro em cada texto, cada palavra. Mesmo o que não são nada. Só o fazem por diversão. Sempre fui fã da escrita. Não estou generalizando, tem alguns comentaristas muitos bons na TV aberta e fechada que sabe enxergar o jogo.

Ah! Sou fã do Galvão. Ele é um animador. Fala besteira sem pudores. Até sabe o que cada jogador pensa nos lances. É um gênio. Não existirá ninguém como ele. Sensacional.

Em resumo. O meu sonho de criança era bem fácil. Ser comentarista e aparecer na TV. A vida e seus caminhos me tiraram desse rumo, ainda bem. Só muita paixão pelo futebol que me faz assistir e respirar isso quase sempre.

Ah! Tô chato pra caralho.

Boa noite!

Por quê Argentina?

12 de junho de 2010

Tenho poucas recordações do meu pai lá em casa. Ele só morou com a gente até os meus quatro anos. Das coisas que eu me lembro foram que ele me obrigava a comer ovo cru, não como ovo até hoje. Lembro do fanatismo que ele tinha por Nelson Piquet, tenho uma miniatura do capacete dele no meu quarto e uma Brabham de brinquedo.

E a terceira coisa foi na Copa de 86, eu acredito que tenha sido depois do golaço contra Inglaterra, mas não tenho certeza. Eu estava lá sentado no tapete da sala. Meu avô e meu pai assistindo o jogo e eu com meus carrinhos curtindo algum pega muito louco. De repente um QUE FOI ISSO? e meu pai em pé olhando pra TV aplaudindo visivelmente emocionado. Aí que reparei o jogo. E fiquei simplesmente apaixonado por aquela bandeira. Aquele sol, aquele baixinho feio.

Não, meu pai não torce pra Argentina. Nem meu avô (apesar de ter pais que moraram a vida quase toda por lá). Ah! Eles torceram pro Schumacher a vida toda. Sim, eles são fanáticos por automobilismo não por futebol. Mas olhar meus ídolos, reverenciando alguém em frente a TV, foi marcante.

O resto é história…quem me conhece sabe que sempre torci e acho que sempre torcerei.

E hoje, ao ver que mesmo barrigudo, barbudo, de terno e sapato social aquele baixinho ainda domina a Jabulani me bateu uma saudade do meu pai e do meu avô.

Acho que almoçarei com eles amanhã.

Argentina, namoradas e cinema

12 de junho de 2010

Dia dos namorados sempre foi mais sofrimento do que satisfação, não pelo namoro em si, mas pelo dia. Que presente comprar? Que restaurante reservar? Porra, motel lotado em todo lugar. Eu sempre costumei comemorar a data em outra data. Sou um cara criativo, apesar de ter insegurança quanto a presentes. E com namoradas críticas que sempre tive, era tenso. Mas eu me virava até bem, eu acho.

E então, todos me atormentaram esse ano. São 11 ‘dias dos namorados’ seguidos. Como tu reagirá solteiro? Até agora foi um dia bom, que começou às 5 da manhã quando cheguei em casa, sóbrio. E tem Copa do Mundo e melhor ainda, teve Argentina ganhando.

Queria ir ao cinema só. Mas acredito que a preguiça não deixará. Acaba de rolar God Save The Queen.

E descobri Heskey como titular. O dia começa a piorar.

Não sinto falta dela. De nenhuma delas. E sigo andando…with a little help from my friends.

*Heinze, só você. Vamos Vamos Argentina, Vamos Vamos a ganhar. *

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