ao dizer que te amava.

29 de julho de 2010

Onde deixei meu coração?
Nas suas palavras mordazes que me partiram o peito
Contando os meus defeitos a quem quisesse ouvir
Ou foi quando perdi o senso do ridiculo
Ao dizer que te amava.

Listando paixões

21 de julho de 2010

Adoro listar coisas. Melhores cantores. Jogadores. Cobradores de falta. Goleiro. Foras que já levei. Melhores beijos. Sexo. Melhores dias que passei trancado no meu quarto. Camas. Carros que dirigi. Pilotos de F1. Frases que meu pai já disse. Viagens. Livros. Filmes. Frases de livros ou de filmes. Celulares. Jogos de Video-game. Gols. Camisas de Times. Basquete. Tênis. Copas do Mundo. Música dos Engenheiros do Hawaii. Discos do Pearl Jam. Iron Maiden. Vocalistas do Black Sabbath. Tudo.

Ponho em uma ordem pra eu saber. Adoro ordenar as coisas. Então ontem numa daquelas noites sem fim, sem sono. Sem ninguém pra conversar. Resolvi listar minhas paixões. E pela primeira vez na vida não consegui ordená-las. Não queria ser injusto e classificá-las por duração. Nem sempre o tempo mede intensidade. Não sabia qual critério usar. Não queria magoar ninguém no meu íntimo. Decidi que o iria fazer pela quantidade de marcas que ficaram no meu coração. Quanto cada paixão deixou. Mas aí não seria justo porque algumas feridas ainda estão abertas e outras ainda se formando. Nunca se sabe quais deixarão cicatrizes. E por essas que invejo Nick Hornby no seu Alta Fidelidade.

Decidi que não dava, me dei por vencido. Pela primeira vez não conseguia listar alguma coisa. Determinar o quanto uma paixão foi dolorida não é possível. Cada dor é uma dor. A propósito já fiz uma lista das piores dores que já senti. Físicas. Não mentais.

Impossível.

Então resolvi listar coisas mais tranquilas como sorrisos.

Maldito coração!

19 de julho de 2010

Eu arrastava meu coração atrás de mim, como um animal de estimação. (Na verdade, era como aquele livro que você gostava que virou filme. A Bússola de Ouro.). Ele estava pesado, cheios de mulheres sem consideração. Além disso, parecia entediado. Coberto por feridas. Desanimado. Cansado de todo uma vida.

Eu, meio a contragosto, aceitei o convite de alguns amigos de ir pra um bar. Calourada de Arquitetura. Aquele curso maldito, aquela profissão que eu sonhei um dia. Protagonistas de várias das feridas do meu coração. Ele, assustado, pediu, quase implorou pra eu não ir. Sabia que poderia se ferir ainda mais. Tinha medo. Eu também.

Muitos conhecidos. Vários amigos. Ela, ela e ela. Como assim? As 3? Como assim? Porra. Meu coração pedia a cada instante pra ir embora. Já previa o que aconteceria. Mais ou menos. Rock’n Roll. Cervejas. Vodka. Combinação não muito boa. Nessa hora eu e meu coração já estavámos abraçados cantando.

HELLO, I’VE WAITED HERE FOR YOU … EVERRRRRRRRRRRRRLOOOOOOOOOOOOOOONG.

Movimentos bruscos. E tudo parou. Pude olhar olhares perplexos. Sorrisos. Comentários inacabados. Eu beijando ela. Meu coração sem entender. What The Fuck?!

Depois foi tudo mais acelerado. De repente já estava na minha cama. Sozinho. Procurei meu coração. Lá veio ele, feliz, sorridente. Novinho em folha. Cantando:

I LOVE YOU BABY, AND IF IT’S QUITE ALL RIGHT, I NEED YOU BABY TO WARM A LONELY NIGHT.

Ele me contou tudo da noite passada. Como tinha jogado todo o peso extra fora. Curado as cicatrizes. E agora estava apaixonado. Como assim? Me sentia um burro, por não entender meu próprio coração. Parecia que tinha pulado um capítulo inteiro, mas confiei nele. LEDO ENGANO.

Tenho pena dele. Se trancou num jaula e agora inventou uma moda de ficar se espetando com agulhas. Pelo menos desistiu das chicotadas que dava. Já parou também de me acusar de ter feito ele sofrer. Porra, coração, eu sofro junto. E foi tu que veio todo feliz me contar sobre ela. Como era perfeita pra gente. E agora? ELA FOI EMBORA, NÃO DÁ MAIS. LEVANTE E ANDE.

Nesse dia, ele começou a se perder. E eu me perdi com ele. Agora não tem mais jeito, amigo. Eu já estou me sentindo melhor, mas ele ainda não. Vamos sair. Buscar outras festas onde se perder.

E hoje depois de meses em coma, trancado. Ele apareceu e me acordou. Disse que estava pronto pra outra. Então, vamos lá.

Vamos à caça?

Não Quero Mais.

16 de julho de 2010

Não quero mais sorrisos. Tapinha nas costas. Bom trabalho. Não quero mais ser o cara legal. Gosto de você. Apenas bons amigos. Não quero mais ser as sextas à noite. Sexo, drgoas e Rock’n Roll. Não quero ser mais o cara fofo que diz palavras bonitas. Nem vou pedir desculpas por tudo. Não quero boa sorte. Não quero até amanhã. Não vou mais elogiar o seu sorriso. Nem me perder no tom da sua voz.

Não quero mais as coisas pela metade. Nunca mais piscinas rasas. Nunca mais sonhos perfeitos. Nuvens com formatos de bichinhos de pelúcia. Não quero mais cores. Não quero mais festas. Não quero mais dias sem chuva. Não quero mais verdades inventadas. Desculpas esfarrapadas. Beijinhos de boa noite. Não quero mais silêncio nas refeições. Elevadores lotados. Bom dia, boa tarde.

Não quero mais ligar pra você. Nem mandar msg. E-mail. Scraps. Facebook. Não quero mais seu sorriso nas minhas fotografias. Não quero mais seu cheiro. Não quero mais dançar valsa. Campo-minado. Amor por retribuição. Conspirações internacionais. Não quero mais meus óculos. Minhas lentes. Não quero mais ver claramente agora que a chuva passou.

Não quero mais almoço. Não quero mais jantar. Não quero mais futebol à noite. Nem segredos pra guardar. Não quero mais pensar. Não quero ser inteligente. Não quero ler seus avisos. Ouvir meus discos. Observar meus peixes. Não quero mais TV. Te Ver.

Não quero mais ter coração. Se esse que tenho só quer me machucar. Não quero mais.

O Guerreiro

6 de maio de 2010

No meio da batalha, podia facilmente destacar um guerreiro. Um gigante dos cabelos negros compridos. Um elmo negro que reluzia na luz do Sol. A cota de malha coberta pela manta negra que só ele podia usar. Só ele. Vibrando sua espada diferente de todos, lutava de um jeito bastante incomum.

O guerreiro fora achado pelo clã dos Svendstorm numa carroça onde todos estavam mortos. Ele estava numa espécie de berço forrado com serragem. Estranhamente não chorava, apenas observava tudo. Os abutres surpreendentemente o pouparam. Tinha um K marcado em seu braço. A sua mãe de criação resolveu chamá-lo de Karl.

Logo, a criança mostrou aptidão pra matar. E aproveitando esse ‘talento’, os guerreiros o criaram para isso, e fazia seu oficio melhor que qualquer outro. Era o “filho” do líder Gerd, que não possuía filhos legítimos. Virou peça importante no exercito, em poucos anos virou o segundo em comando. Mas sempre em batalha se destacava.

Além de ser bastante diferente dos outros, quase todos com cabelos e olhos claros. Tinha a pele bem clara, mas os olhos e cabelos bem negros. Era o único a usar, além da espada, um machado com dois gumes. E matava rapidamente e facilmente com qualquer arma que lhe dessem.

Uma passagem que comprova isso foi quando encontrou os ingleses e estes duvidaram que ele seria capaz de usar qualquer arma. Deram-lhe um arco de seixo, arma que desconhecia e que é conhecida por precisar de muita força, treinamento e conhecimento para ser usada corretamente. Ele aceitou o desafio, sob uma saraivada de risos e escárnios contra si. Um inglês mais corajoso e idiota se postou como alvo a cerca de 100 passos. Resultado: no primeiro disparo, uma flecha cravada em seu olho esquerdo. Adeus.

Nunca perdera um duelo, nunca tinha nem se ferido. Alguns achavam que ele era um Deus, trazido a Vila pra protegê-la contra tudo e todos. Era frio e calculista, nunca demonstrara sentimento algum. Intocável, um Aquiles da Idade Média.

Gwen era uma princesa, não no sentido literal. E sim, Por sua beleza, imaculada, inocente, simples. Todos do Reino queriam casar com ela. Mas seu pai sempre achara que nenhum dos pretendentes era bom demais pra ela. E agora, o Reino estava sendo invadido pelos bárbaros que venciam a guerra, graças a um Demônio dos Cabelos Negros. Ela estava assustada, sabia o que acontecia com as mulheres dos derrotados. Os saques, estupros, torturas, mutilações, assassinatos. Chorava escondida no sótão improvisado. Sabia que seria encontrada. As vozes estavam cada vez mais perto.

Um guerreiro logo achou-a e já começava os ‘trabalhos’, mas o que pareceu ser o líder mandou ele parar. A mulher seria dele. Nisso, os olhos de Karl encontraram os daquela princesa, ele não seria mais o mesmo a partir daquele dia. Desejou aquela mulher pra si, como nunca desejara nada. Sabendo que não poderia tê-la, já que seu pai a escolhera. O Guerreiro dos Cabelos Negros sofria sua primeira derrota, não sabia como reagir. Queria duelar com o velho, pelo amor da garota.

Até hoje, só tinha duelado pelo prazer de matar. Pela fama, reconhecimento, não tinha amor àquela pátria que o acolheu. Tinha apenas uma dívida de vida. Agora queria aquela mulher, queria matar seu mentor. Pensou em levantar a espada e desafiá-lo. Ela valeria a pena?

Até os ‘deuses’ ou ‘demônios’ cometem atos estúpidos. O dele foi erguer a espada contra seu líder.

– Vamos lutar, sim, Karl. Já que você quer essa prostituta. – exclamou surpreso o Gerd.

A tradição de duelos entre membros do mesmo clã era lutar sem proteção alguma. Apenas com as roupas de pano usada debaixo das armaduras. Os dois gigantes se olharam, tinham uma diferença de 15 anos entre eles. Mas não se via um vencedor, o líder ainda parecia bem novo, tinha agilidade de um menino e contava com a experiência de muitos anos de batalha. Alguns segundos se olhando, alguns golpes sempre defendidos, a luta já se estendia por mais tempo que os duelos tradicionais.

– Filho, eu sei que não vencerei essa luta. Pois você luta por algo e eu só pra manter minha posição. Sua luta é por algo maior. Mas eu sei como igualar as coisas.

– Matem a garota. – ordenou aos seus comandados.

– Não, não faça isso.

Já era tarde demais, uma faca já teria cortado a garganta da pobre camponesa. A fúria tomou conta da face de Karl, seu corpo todo estremeceu como se tivesse ele morrendo. Era uma dor tremenda que estava se transformando numa sede de vingança.

– Verás como é a morte, meu pai. Verás como é a dor. E quando encontrares o Diabo, mande um alô.

Partiu pra cima do velho como se fosse a última coisa, os golpes mais furiosos jamais vistos foram dados naqueles segundos. Gerd com a sua calma de sempre defendeu todos. A vingança estava cegando o garoto. Mas ele era um deus ou um demônio. Num segundo de descuido, acertou um golpe no pescoço do pai tão violento que a cabeça deste foi parar longe do corpo.

Deu um uivo de fúria e vitória, mas com tanta dor que chegou a dar pena. Olhou para o exercito, cerca de 80 homens. E disse, com calma:

– Corram por suas vidas, pois matarei todos. Vocês conseguiram liberar o demônio que vivia dentro de mim.

Mesmo sem proteção contra homens de armadura. Partiu pra cima como se estivesse numa guerra. Seus antigos companheiros não acreditavam no que estava acontecendo, mas tinham que lutar. Um Svendstorm não poderia fugir de uma luta, nunca.

Foram caindo um após outro. Os que já bebiam comemorando a vitória, os que fornicavam, os que afiavam suas armas, os que saqueavam os mortos, os que nada faziam. Foram alvos fáceis mesmo aqueles que estavam preparados pra lutar. Em poucos minutos, todos os 80 homens jaziam no chão.

Karl estava vermelho, mais de sangue alheio do que de raiva. Podia sentir o cheiro de morte ao seu redor. Mas não estava satisfeito. Queria matar o mundo todo até não sobrar mais ninguém.

E até hoje, o demônio Karl está andando entre a gente. Matando a todos que se sentem felizes. Protegendo aqueles que estão com o coração partido…

Piscina

28 de abril de 2010

Madrugada de quarta é dia de poema. Esse poema eu não lembro muito bem quando escrevi.  Mas foi pra um amigo que tinha acabado de terminar um namoro com uma menina que já tinha namorado outro amigo…os dois contaram como o namoro era uma felicidade no começo, mas no fim virava um pesadelo. Sei lá. Acho que faz algum sentido…

Piscina

(George Raposo)

Você sabe que sempre que eu fugir
deixarei marcas dos meus passos pra você me achar
E então, se você quiser me seguir
Acho melhor se apressar

Porque as marcas se apagam com o tempo
o vento muda tudo de lugar

Quem está esperando por você
Na chuva, na estação de trem
São horas e horas de sonhos, mas
No fundo sabe que você não vem

E se parece que eu não ligo
é porque tenho medo de perder
Aquilo tudo que você tem me dado
É muito fácil de esquecer

Porque as marcas se apagam com o tempo
o vento faz tudo voar

Quem está de mãos dadas com você
No shopping, na fila do cinema
Não sabe que o começo muito bom
Depois vira um grande problema

Então venha, pule na piscina
Esqueça que eu não disse nada
Sobre o seu corte de cabelo
Ei, venha, a água está tão boa
Traga mais uma soda limonada
E pára de olhar para o espelho

Talvez você não se lembre
De quando me arrancou o coração
Deixou esse buraco no meu peito
E agora impede a cicatrização

Porque as marcas se apagam com o tempo
o vento sempre faz ele sangrar

Vendo TV no sofá

23 de fevereiro de 2010

Vendo TV no sofá (George Raposo)

Onde deixei meu coração?
Nas suas palavras mordazes que me partiram o peito
Contando os meus defeitos a quem quisesse ouvir
Ou foi quando perdi o senso do ridiculo
Ao dizer que te amava?

Deixar o vento me levar
Pra perto, onde ninguém pode me tocar
Sussurar palavras bonitas sem ninguém pra ouvir
Me perder entre os devaneios da minha mente
Simplesmente não consigo te esquecer.

Onde deixei meu coração?
Nos cartazes que anunciam a nossa salvação
Semeando esperança naquelas tristes almas
Ou foi quando esqueci de trancar a minha porta
E deixar voce entrar?

Dizer que o céu está bonito
Só por não ter algo melhor pra falar
Descrever cenários bucolicos pra te fazer sorrir
Enrolando os pensamentos suicidas num bilhete ensanguentado
Nunca poderás dizer que me arrependi.

Onde deixei meu coração?
Nas tardes de domingo assistindo TV no sofá
Esquecendo que era apenas a sala normal
Ou foi no seu jeito de sorrir, falar, andar e fazer
Eu me sentir um bobo?

Sentar em frente ao mar
PRocurar estrelas no céu nublado
Escolher casais felizes pra me fantasiar
Destrinchando todo o passado entre os dentes
Acho que está com você.

31/03/2006

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