Antes do último “continue”

15 de abril de 2013

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 Já li muitos textos e filmes que comparam o amor com um jogo de videogame. Mas vocês já imaginaram se fosse um jogo com continue infinito. O continue é um benefício dado pelo jogo (normalmente quando são difíceis) para que o jogador siga tentando chegar ao fim sem precisar voltar ao inicio.

Muitas pessoas vivem o amor como se tivesse continue infinito. Fazem as maiores merdas da história e pensam que depois os erros podem ser apagados e então eles voltam para o momento imediatamente anterior ao erro. Que fácil, não?

Mas os jogos são difíceis e o amor é um dos que são quase impossíveis de “zerar”. É praticamente um retorno à infância, em que deixávamos a TV e o Mega-Drive (Supernintendo para alguns) ligados enquanto o almoço nem chegava a tomar gosto devido a velocidade com que comíamos para voltar a luta. Até hoje tenho dificuldades em comer lentamente qualquer coisa.

Época que um dos gritos mais compartilhados era: “Ninguém mexe em nada no meu quarto, viu?” para avisar a diarista ou a irmã mais nova que era proibido desligar o videogame. Nesse tempo, qualquer desafio despendia horas e horas de dedicação; uma construção diária buscando uma história para contar. Assim como acontece com o amor. Todo o ritual tímido de tocar a mão, depois de vários dias de conversa. Essas coisas que a infância possibilitava antes do primeiro beijo.

Hoje é tudo mais fácil, se grava o jogo. Dá pra parar qualquer hora e continuar quando quiser. Não existe mais o prazer de compartilhar feitos e façanhas, qualquer avanço era motivo de notícia na sala de aula. Mesmo assim, eu lamento minhas horas perdidas no aeroporto quando só quero voltar para o conforto e a felicidade dos seus abraços. O melhor lugar do mundo.

A luta contra animais perversos e jacarés travestidos de ditadores é banal se comparado com atrair sua atenção respondendo as perguntas do professor de Matemática. A nossa física sempre ajudou a nos unir. Ou foi a química?

Se a gente tivesse se esforçado tanto o tempo todo como acontece quando sabemos que só resta mais uma vida, uma única chance. Valeria a pena. A morte seria mais sofrida, não desistiríamos tão fácil, não se entregar assim, e quem sabe a gente não encontrasse uma nova vida no caminho ou em uma fase bônus.

O dia amanhecia e isso não tinha importância, ainda tenho que resgatar a princesa do castelo. Depois disso, a gente vê o que fazer com ela. Talvez sexo, quem sabe drogas e um pouco de rock’n roll.

A vida tem que ser levada a sério, não há muitas segundas chances e continue infinito é utopia. Não adianta escrever cartas para o Papa o para a Xuxa, te ajudar. Será pior quando a fita não funcionar e não haverá assopro que dê jeito.

Por isso, eu digo que te amo. TODOS OS DIAS. Antes de gastar o último continue do nosso amor. Talvez seria mais simples se o amor fosse uma brincadeira de criança.

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