Grid de largada

3 de abril de 2011

Eu comecei a escrever isto que pretende ser um texto com uma frase aleatória que envolvia hienas, o Lanterna Verde e teu abraço. Apaguei, mas digo que tenho pena de quem não encontrar uma relação entre essas palavras, será que nunca se apaixonaram?!

Na verdade, esse pensamento começou porque estou com cãimbra na perna e a parada brusca de movimento me fez pensar que foi assim também conosco: de repente parei com a insistência em relacionamentos que eu queria maquiar os problemas, amenizar… Mais velhos, mais descompromissados, mais neuróticos, mais incompreensíveis, mais infantis, mais, sempre mais! Então veio você com um copo na mão e um sorriso que não me convenceu. Fugi.

Uma sessão de músicas last year e não sei a que devemos nossa sorte, se à desinibição alcóolica da tua verdade insistente ou da minha jurisprudência, só sei que começamos torto e mais desengonçadamente impossível.

Então eu estava em teus braços e meus pés literalmente estavam fora do chão. As promessas que são esquecidas após a tríade banho-café-sono dessa vez estavam mais certas que muita procuração registrada em cartório por aí…

Falo ou não falo?! Digo ou não digo?! Fizemos melhor, chega de impossible Germanys, dessa vez é face to face e, desde o primeiro momento, não mais alone.

Sem diálogos ensaiados, sem medo de quem quer que seja, tudo é sentido de um jeito novo, nosso rodopio no meio da praça ou nosso beijo escondido por um caderno e este texto pára aqui, sem freio, sem fim propositalmente já que botafoguense é uma espécie supersticiosa que só vendo!

Minha personagem

20 de janeiro de 2011

E lá estava ela debruçada sobre seus três sagrados travesseiros, com aquela cara de birra que me dava raiva e vontade de ir até lá calar aquele silêncio com um beijo até ela perceber que não, não tenho cavalo branco.

Na verdade, nem sabia ao certo por que raios ela estava com raiva. Raiva por eu ter feito papel de besta? Por eu ter cruzado sete quarteirões a pé atrás do maldito sorvete de morango já que ela não tem paladar refinado o suficiente pra admitir que o de doce de leite é o imperador entre todos os sabores de sorvete já inventados na galáxia? Raiva por eu ter cancelado meu futebol com o pessoal da faculdade graças àqueles olhos convidativos e infantis? Ah, talvez por eu ter recusado o convite pra ir na despedida de solteiro do Marcão pra não deixá-la sozinha. Qualquer homem normal poderia dizer qualquer uma dessas, afinal, estamos falando do Jardim Secreto existente na contraditória mente feminina. Mas eu não podia. Era uma garota difícil de explicar-se e explicar: somei A+B e entendi que estava com raiva porque não aceitei abrir mão de assistir Botafogo x Santos junto com minha torcida, ela queria assistir junto com os “Loucos pelo Botafogo”, mas só se EU estivesse louco! Ela planejou uma viuvez precoce? Não queria que todos aqueles meus planos de “e viveram felizes para sempre” se concretizassem? Era só dizer, mas não precisava arquitetar minha morte! Enquanto gritassem “Uh, É Loco Abreu!” eu gritaria “Vai tomar no c*, Loco Abreu”, sendo que ainda nem pensei no meu epitáfio!

Eu tentava construir argumentos, mas aquela cara de raiva distraia qualquer ordem lógica dos meus pensamentos. Peguei meu computador e decidi que ia competir no mesmo nível: comecei a escrevê-la e sabia que logo ela viria pular no meu colo, curiosa, doida de vontade de ver quais adjetivos eu usara! Mas então, o que dizer? Não abriria mão de uma boa pitada de indignação diante do episódio do jogo, oras! Tampouco seria ácido o suficiente para fazer com ela me negasse os carinhos de reconciliação… Ah, eu tinha que ser o famoso meio termo, aquilo que faz com que nós, homens, não sejamos taxados nem de bestas, nem de insensíveis, o meio termo capaz de garantir minha felicidade após aquela minha insossa tarde de domingo em que perdi aquele jogaço e acabei simplesmente ouvindo um comentarista fajuto da CBN dizendo que Neymar era um frango! Se alguém tinha que estar zangado nessa história, esse alguém seria eu! Ela estava intacta, mas quem quase enfartou, fui eu! Eu que assisti aqueles 95 minutos de jogo sob a tensão, a possibilidade de me ver no G-4! Ela, uns gritos aqui, outros xingamentos ali, mas sem demonstrar muita interação com o adversário moral, eu. Ah, sem contar que o amor pelo El Loco beirava níveis estratosféricos, como se ele estivesse estericamente mais “LINDOOOO” que o normal e adivinhem pra quê? Pra me provocar, claro.

Controlei-me e decidi que o melhor seria camuflá-la dentro de uma outra “ela” qualquer, uma outra história que proporcionasse um olhar flamejante de ciúmes. Eu adorava aquela cara de insegurança e sabia descrevê-la de olhos fechados: mordia canto esquerdo da boca, arqueava a sobrancelha do mesmo lado, evidenciava a covinha, remexia o nariz e desviava o olhar para os lados, cantos, qualquer outro lugar, menos o meu. Aí depois era toda uma seqüência, o caminho mais rápido para o ponto final naquele clima de orgulho.

Não sabia em qual “ela” iria escondê-la. Uma cigana ladra de corações alheios? Uma idosa profunda conhecedora dos sentimentos masculinos? Uma menina de rua impetuosa e valente? Uma balzaquiana no auge da sua vitalidade? Uma garotinha que tropeçava em si mesma? Não tive tempo de decidir, em um segundo ela estava ali em meus braços, descalça como estava, rápida, imprevisível como só ela:

– Vamos pular a parte que eu tenho que me adivinhar aí e você tenta esconder-me?

– Como assim?

– Assim!

E foi o maior dos beijos, aquele que poderia ter sido a foto para o convite do nosso casamento caso alguém tivesse registrado. Essa mulher mudou minha vida. Pra melhor? Pra pior? Não sei, só sei que amanhã instalarei uma câmera de segurança naquele que poderia ser o canto de maior inspiração para as comédias românticas. Estamos perdendo dinheiro.

P.s.: agora ela vira de lado e briga que a luz do notebook não está deixando ela ter o sonho que “anjos de candura” merecem ter. Meu Deus, onde arrumei uma dessa?!

Bilhetinho de guardanapo

2 de janeiro de 2011

Obrigada, eu acho que a única coisa mais certa que posso dizer é obrigada. Obrigada por enfeitiçar-me com teu olhar tímido, por dar-me a mão quando eu caio, por rir comigo nesses momentos. Obrigada pelas mensagens off line inesperadas no MSN, das que me deixam com um sorriso daqueles que tu adoras. Obrigada por fazer-me sentir saudades e por dar oportunidade que eu mate esse vermezinho. Obrigada por saber quando e como repreender-me, por ser um pai, irmão, amigo e companheiro, por ser o que eu preciso que tu sejas para mim. Obrigada por adivinhar minha vontade de sorvete de morango, por não ter vergonha dos meus sorrisos escandalosos, por rir comigo e por ser o maior dos motivos para que eu sorria. Obrigada por ser palpável em minha vida, por ter saído dos meus sonhos diretamente para abraçar-me, por fazer-me ter vontade de sonhar. Obrigada por não medir distância, por agüentar meu ritmo e por impor teu próprio ritmo quando sentes vontade. Obrigada por não ser ventríloquo, por ter vontade, por ser meu desejo. Obrigada por não temer meu abraço, não esquivar dos meus beijos, pressentir minhas frases. Obrigada pela tua cabeça em meu ombro, por seguir meus conselhos, pelo cafuné e pela mão nos meus olhos com a velha brincadeira do “adivinha quem é”. Obrigada por segurar minha mão na hora da contagem regressiva do ano novo, pelo teu cheiro no ano que acabou e no que está começando. Obrigada por ser real. Agora trata de não ficar orgulhoso e faz 2011 também valer tanto a pena!

*O que acontece quando tem o teu cheiro dentro de meus livros?*

Barquinho de papel

12 de dezembro de 2010

Sabe, é engraçado: lembrei agora do meu sonho da noite passada e aquela minha amiga que te falei estava nele com o ex-namorado dela. Tu estavas também e mais uns três conhecidos meus. Ora estávamos n’uma praia, ora caminhando n’uma avenida deserta… E eu pensei que às vezes é justamente assim que me sinto diante de ti, tuas ondas e tuas placas de sinalização.

Tal qual Boa Viagem, tu estás cercado de placas que indicam que a qualquer momento um tubarão nos atacará. E teu mar é tão azul e nos leva a mergulhar mesmo sabendo que podemos ficar com um braço a menos. Mas o que é um braço perto de um sorriso?

Sou um barquinho a vela. Tu és todo o mar. Sou movida a brisa. Tu tens relação com a própria Lua. Navego em ti e tu me matas afogada. E agora, o que fazer? Ainda assim, prefiro ir sem colete salva-vidas e me arriscar.

Mas agora já não estamos mais em alto-mar, estamos em casa. O plic-ploc lá fora me alegra pois aquela gota já esteve no oceano, já evaporou, já choveu, já te molhou, foi responsável por aquela tua gripe, evaporou de novo e agora tá aqui molhando a ponta do meu nariz e ameaçando a garantia do meu computador. Tudo culpa sua, como sempre desde que te conheci.

Ah, o moço da TV me avisa que tu estás muito triste! Saiu no noticiário, não viu?! Olha, se eu pudesse, daria um pulo maior que o teu goleiro e salvaria o teu time. Mas depois tu terias que passar merthiolate e assoprar meu joelho porque esse negócio de merthiolate incolor e indolor não é pra espartanas como eu!

Mas aí eu penso que o guri aqui não sou eu e acho que está na hora de preparar teu mingau. No fundo tu és um marzão quase sem fim, quase sem ondas, quase sem perigos… Com tuas lendas e naufrágios, com teu mistério e brisa. Estórias que quase não passam de fábulas infantis, que quase têm um ponto final.

Apenas bons amigos…

4 de outubro de 2010

Conversa de ex-namorados é sempre estranha, não adianta quanto tempo já passou da separação. Não importa quantas bocas se passaram. Sempre haverá um sorriso amarelo e um frio na barriga. Acho que é da idiotice natural dos humanos  ou da quantidade de músicas de Cat Stevens que tenham escutado. Ela pensa que ele vai tirar mil perdões do bolso da bermuda, cheio de promessas de amor sem fim, fidelidade e vistas pro mar. Ele pensa que ela fará um escandalo pedindo desculpas por tudo e no fim terá pole dance e strip tease regados a champagne e banheiras de motel.

A pior hora certamente é aquela na qual o assunto acaba, tempos atrás tudo era resolvido com um beijo apaixonado mas agora ambos não têm mais essa alternativa então só resta uma piadinha sem graça. E prazer em vê-la. Depois tu me devolve aquele livro que ficou na tua casa. E eu acho que meu delineador ficou no seu quarto. Mas o que é mesmo delineador? Ah. Eu vi mesmo, joguei fora. E ela sai bufando com a mesma cara de “ele nunca vai aprender” do tempo em que passaram juntos.

Ele para na Pizzaria Internacional e pede Fanta Uva com pizza de Presunto. Ela vai pra Rossetti e toma um sorvete de doce de leite. (Talvez seja só pra contrariar que pedem exatamente o pedido predileto um do outro ou uma forma de disfarçar a saudade com memórias gustativas). Li isso em algum lugar.

No caminho pra casa, se encontram novamente. Ela acena com um sorriso imenso sujo de sorvete e ele dá aquela piscada de longe com medo de sorrir e mostrar alface entre os dentes. Num jogo de xadrez. Ela é a rainha e pode se movimentar como bem entender. Ele é só o Rei e tem que caminhar passo a passo. Apenas bons amigos. Ecoa em suas mentes vazias. Que nada.

Ele sai iludido que ela ainda o ama. Ela sai iludida que ele ainda o ama. Os dois estão bem melhor agora. Longe um do outro. E com amigos sempre arrumando o que fazer pra que a tristeza não sequestre os dois…

A unha e guerra unilateral.

24 de setembro de 2010

– Quebrei a unha. – diz ela mostrando pra mim o dedo indicador com uma irregularidade quase imperceptivel na unha. E faz aquela carinha de menina chorosa que me faz sentir pena e tesão. Quase uma lolita da minha idade. Seu jeito de garotinha entorpece os meus sentidos. Então respondo com um beijo paternal no dedo e vou subindo assanhado braço acima com um desvio de percurso básico em seus seios de mulher. Na escalada roço minha barba grossa em seu pescoço. Arranco algumas risadas, cócegas de amor. Então um beijo desesperado encerra a conversa silenciosa.

– Para, amor, você não vê que quebrei a unha! – ríspida mas com o bico ainda em sua boca ela me repele. Parece que seu reino encantado acabara de ser atacado por uma horda de orcs. E aparentemente eu tinha alguma culpa na invasão. Acho que foi porque eu não dera atenção devida aquela unha.

Odeio unhas grandes. Corto as minhas todos os dias, claro que é pra não alimentar minha mania compulsória de roer. Também não me importo se tal mulher tem unhas compridas e vermelhas ou se as têm no casco e pintadas de roxo. Unha não chega a ser nem acessório de uma dama. Perde pra brincos, pulseiras, lacinhos na sandália. Na verdade, unha está pra acessórios femininos como Plutão está para os planetas. Aliás, uma vez na 6ª série perdi pontos numa questão ao esquecer de colocar Plutão como planeta, será que consigo um recurso pra reaver esses pontos?

Ao tentar me esquivar de uma conversa mais séria levantei e fui em busca de algum alcool na geladeira. Ao voltar com a Stella em minhas mãos, a encontro com olhos em fogo e uma expressão demoniaca de choro ataca.

– Você nunca dá atenção aos meus problemas. Quando seu time perde eu tenho que ouvir horas e horas porque o técnico escalou fulano no lugar de Sicrano que o mundo inteiro sabe que é melhor. Resmunga a falta de sorte por aquela bola ter batido na trave. Agora quando minha unha quebra, QUANDO MINHA UNHA QUEBRA na vespera do casamento da minha melhor amiga você ignora e vai buscar uma cerveja.

E então descarrega todos os anos juntos. Tudo que sempre jorra nas brigas. Todo mesmo roteiro dos confrontos unilaterais abastecidos por monologos intermináveis. Eu a olhava quase vomitar palavra por palavra, mas o que eu pensava realmente era que a porcaria do casamento da amiga dela seria justo no dia do show daquela banda que nunca vem na minha cidade. Depois pensei em quem votar pra Deputado Estadual. Maldita cerveja quente.

Até que as lágrimas escorreram pelo rosto dela formando um caminho negro tão belo quanto os de um guepardo. Era chegada a hora de virar o jogo. Um abraço apertado, mil beijos, declarações sinceras e outras nem tanto. Serei pra sempre seu. Blá blá blá. Se quiser eu saio agora às 4 da manhã atrás de unhas pustiças, tônicos que fazem crescer instantaneamente, busco a mais competente manicure do mundo, se quiser compro luvas e um chapéu pra combinar.

Ela esboça um sorriso tímido. Redundante. (Venci mais uma). Se aconchega no meu peito e diz: – Fica comigo pra sempre. Promete? – prometo a eternidade e mais algum tempo.

Desculpa se fui grossa. É a TPM. Suspeitei desde o principio. Essa maldita sigla me persegue e além do mais é o melhor motivo usado pras mulheres pra explicar qualquer ato insano e impensado. Te amo. E adormeceu engolindo soluços do seu choro silencioso.

Então, pensei. Será que tem outra cerveja na geladeira ou aquela foi a última?

Stupid Boy

19 de setembro de 2010

Garoto idiota. Sim, você mesmo. Não sabe o que acabou de jogar fora, né? Ela era perfeita. Can’t find a better woman. Aposto. Ela era demais. Te deu tudo que podia. Tudo que tinha. E você nunca estava satisfeito. Agora você ainda por aí procurando a felicidade que perdeu em outras pernas, peitos e sorrisos. Garoto idiota. Estupido.

O egoísmo é bonito até certo ponto. MAs voCê acabou de perder o que fazia sentir-se vivo. Nunca pensou que ela fosse embora. Agora ela está longe demais pra voltar. Não adianta você correr atrás. É tarde demais. Pegue o violão, tente fazer uma canção. MAnde cartas, flores, poemas de amor. Só servirão pra te fazer mais estupido. Idiota. Agora o frio da sua cama será como pedras de gelo dentro do calção.

Ela só tinha você. Só ouvia você. Só queria saber de você. Era o seu amor maior. Único. Um Deus. MAs mesmo os cristãos mais fervorosos viram ateus. Foi o que ela fez. Agora já era. Chore, garoto burro. E tente fazer melhor da próxima vez. Tente outra vez. Ou se martirize pra eternidade.

Perguntaram pra mim se ainda gosto dela. Respondi tenho ódio e morro de amor por ela.

Só funciona ouvindo Stupid Boy – Keith Urban

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