Enquanto tira a toalha de cima da cama, ela esbraveja toda sua raiva contra ele que apenas erge os olhos por sobre o ombro enquanto assiste a um seriado na TV. De relance ele sorri pensando na quantidade de louça na pia. Indiota. Ela sempre enfiava um n. Sempre que podia ou até quando não.

Estou gorda? Ela desfilava sua bunda perfeita num shortinho apertado, mas sempre indagava aquilo. Não, amor, nunca. Ele simplesmente respondia como um robô programado. Mal sabe ele que essa resposta tem que ser dada num conluio de olhares talvez seguido de um beijo na nuca que deixe arrepiados todos os poros da parte anterior da coxa.

Aquele relacionamento estava por um fio.

Então, ela me liga. Começa com um argumento falho. “Você que entende de relacionamentos me dá uma ajuda”. Como se eu realmente entendesse algo. Só escrevo besteiras que gosto.

Recitei alguns poemas de separação. Ela me contou tim-tim por tim-tim. Detalhes até meio desnecessários. Como os barulhos nojentos que ele fazia quando gozava. Eram tantas reclamações que dei um xeque. Ele tem algo de bom? Por que você ainda está com ele? O silêncio no outro lado do telefone foi constrangedor. Xeque-mate.

Com um “preciso desligar” arrastado. Quase soletrado. A conversa acabou. Horas depois, enquanto eu preparava meu almoço, ela tocou a campainha e aos prantos gritou em meu ouvido: ACABOU! E contou novamente toda sua história acrescentando os últimos capítulos inéditos pra mim. Esqueci o arroz no fogo. Cheiro de fumaça exalou pela sala. MAs ela era mais importante.

Posso passar o dia aqui. Até a vida inteira. Você é demais, sabia? Obrigado. Fiquei sem almoço e sem minha garrafa de vinho que comprara pra espantar o tédio do Domingo. Agora ela está ali deitada em minha cama. Seu sono desesperado de quem tirou um peso das costas. Ela sorri nos meus lençóis, abraçando meus travesseiros. Como um anjo. Mal sabe ela que o sofrimento só começou. A saudade dói. Mesmo aquela saudade dos defeitos. Dos problemas. Das brigas. Da injustiça.

Amanhã tudo vai estar rodando em seu mundo. E não será culpa do vinho.

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Carreira-solo

27 de julho de 2010

Deitado no chão do meu quarto pensei que tenho que trocar minha cadeira do computador. Minhas costas doem. Ser goleiro nas segunda-feiras tem me matado. Já não penso mais nela. Nem em seu sorriso metálico, nem seus olhos brilhantes.

Só uma dor. Talvez seja uma resposta do meu corpo pras minhas noites em claro, rodando por aí. Procurando prazeres fáceis e baratos.
MAs tudo tem seu custo. O tempo cobra suas dívidas.

Voltei a desenhar. Antes já tinha voltado a escrever textos. Até poemas pra amores secretos. Acho que o próximo passo é voltar a tocar guitarra. Re-descobrindo prazeres mortos. Solitários.

Como uma carreira-solo meio que obrigado. Não tem aquela cara de fuga como um projeto paralelo. Como eu já tinha dito em algum lugar por aí, jogos eletrônicos serão meus melhores amigos nesses dias frios em São Paulo.

Aí talvez pensarei no seu sorriso metálico e seus olhos brilhantes. Sem dor nas costas. Ou futebol nas segunda-feiras.

Listando paixões

21 de julho de 2010

Adoro listar coisas. Melhores cantores. Jogadores. Cobradores de falta. Goleiro. Foras que já levei. Melhores beijos. Sexo. Melhores dias que passei trancado no meu quarto. Camas. Carros que dirigi. Pilotos de F1. Frases que meu pai já disse. Viagens. Livros. Filmes. Frases de livros ou de filmes. Celulares. Jogos de Video-game. Gols. Camisas de Times. Basquete. Tênis. Copas do Mundo. Música dos Engenheiros do Hawaii. Discos do Pearl Jam. Iron Maiden. Vocalistas do Black Sabbath. Tudo.

Ponho em uma ordem pra eu saber. Adoro ordenar as coisas. Então ontem numa daquelas noites sem fim, sem sono. Sem ninguém pra conversar. Resolvi listar minhas paixões. E pela primeira vez na vida não consegui ordená-las. Não queria ser injusto e classificá-las por duração. Nem sempre o tempo mede intensidade. Não sabia qual critério usar. Não queria magoar ninguém no meu íntimo. Decidi que o iria fazer pela quantidade de marcas que ficaram no meu coração. Quanto cada paixão deixou. Mas aí não seria justo porque algumas feridas ainda estão abertas e outras ainda se formando. Nunca se sabe quais deixarão cicatrizes. E por essas que invejo Nick Hornby no seu Alta Fidelidade.

Decidi que não dava, me dei por vencido. Pela primeira vez não conseguia listar alguma coisa. Determinar o quanto uma paixão foi dolorida não é possível. Cada dor é uma dor. A propósito já fiz uma lista das piores dores que já senti. Físicas. Não mentais.

Impossível.

Então resolvi listar coisas mais tranquilas como sorrisos.

Maldito coração!

19 de julho de 2010

Eu arrastava meu coração atrás de mim, como um animal de estimação. (Na verdade, era como aquele livro que você gostava que virou filme. A Bússola de Ouro.). Ele estava pesado, cheios de mulheres sem consideração. Além disso, parecia entediado. Coberto por feridas. Desanimado. Cansado de todo uma vida.

Eu, meio a contragosto, aceitei o convite de alguns amigos de ir pra um bar. Calourada de Arquitetura. Aquele curso maldito, aquela profissão que eu sonhei um dia. Protagonistas de várias das feridas do meu coração. Ele, assustado, pediu, quase implorou pra eu não ir. Sabia que poderia se ferir ainda mais. Tinha medo. Eu também.

Muitos conhecidos. Vários amigos. Ela, ela e ela. Como assim? As 3? Como assim? Porra. Meu coração pedia a cada instante pra ir embora. Já previa o que aconteceria. Mais ou menos. Rock’n Roll. Cervejas. Vodka. Combinação não muito boa. Nessa hora eu e meu coração já estavámos abraçados cantando.

HELLO, I’VE WAITED HERE FOR YOU … EVERRRRRRRRRRRRRLOOOOOOOOOOOOOOONG.

Movimentos bruscos. E tudo parou. Pude olhar olhares perplexos. Sorrisos. Comentários inacabados. Eu beijando ela. Meu coração sem entender. What The Fuck?!

Depois foi tudo mais acelerado. De repente já estava na minha cama. Sozinho. Procurei meu coração. Lá veio ele, feliz, sorridente. Novinho em folha. Cantando:

I LOVE YOU BABY, AND IF IT’S QUITE ALL RIGHT, I NEED YOU BABY TO WARM A LONELY NIGHT.

Ele me contou tudo da noite passada. Como tinha jogado todo o peso extra fora. Curado as cicatrizes. E agora estava apaixonado. Como assim? Me sentia um burro, por não entender meu próprio coração. Parecia que tinha pulado um capítulo inteiro, mas confiei nele. LEDO ENGANO.

Tenho pena dele. Se trancou num jaula e agora inventou uma moda de ficar se espetando com agulhas. Pelo menos desistiu das chicotadas que dava. Já parou também de me acusar de ter feito ele sofrer. Porra, coração, eu sofro junto. E foi tu que veio todo feliz me contar sobre ela. Como era perfeita pra gente. E agora? ELA FOI EMBORA, NÃO DÁ MAIS. LEVANTE E ANDE.

Nesse dia, ele começou a se perder. E eu me perdi com ele. Agora não tem mais jeito, amigo. Eu já estou me sentindo melhor, mas ele ainda não. Vamos sair. Buscar outras festas onde se perder.

E hoje depois de meses em coma, trancado. Ele apareceu e me acordou. Disse que estava pronto pra outra. Então, vamos lá.

Vamos à caça?

Carta à um amor passado

9 de abril de 2010

CARTA A UM AMOR ANTIGO, UMA VIDA PASSADA

Oi Amor,

Acredito que não lembras mais de mim. Já estive em sua vida, em várias vidas posso dizer. Você diz se lembrar muito bem das suas vidas passadas, mas não lembras de mim. Logo, eu que sempre estive ao teu lado, sempre. Sei que parece invenção, mas não tem como fugir, nós estamos ligados eternamente por laços mais fortes do que eu e você.  Eu lembro muito bem das últimas vezes em que estivemos juntos:

Lembra da época dos grandes faraós? Eu era poderoso. Fui um dos conselheiros de Tutankhamon, na verdade fui um dos poucos que o defendia e sabia que ele seria perseguido, mas isso não vem ao caso. Você era criada da filha do General. Que, por acaso, me odiava e queria me matar de qualquer jeito.  Você amava sua amiga, e me amava. Talvez não se lembre de nada disso. Eu estava lá. E pensamos em fugir, tentamos fugir, mas fomos traídos. Não pela sua melhor amiga, mas pela esperteza do General. E fomos perseguidos e mortos. Simples assim.

amuleto da sorte

As lembranças não são muitas, pois já faz muito tempo e são muitas lembranças juntas e sobrepostas. Você era a mais linda e todo mundo a queria. Até o General. Só que você era zangada, briguenta e preferia morrer a se deitar com ele. Eu era apenas um conselheiro, rico mas sem poder e jovem. Tentei casar com você, tentei, juro que tentei. Eu era muito bom com armas, mas eles eram muitos e bem mais treinados. Não consegui lhe salvar. A nossa morte em si, não me lembro. Só lembro que dói.

Eu entendo esse seu medo de água, eu estava lá. Na época eu não entendia como uma filha de pescador poderia ter tanto medo e não saber nadar. Você sempre dizia que o mar era mau. E naquela nossa primeira viagem pra buscar os preparativos pro casamento do seu irmão com sua melhor amiga naufragamos. E eu, criado no mar a vida toda, não pude salva-la. Não pude nem me salvar. Até hoje, eu lembro dos seus cabelos vermelhos sendo levados mar adentro enquanto eu não conseguia me mexer por causa da água congelada da nossa Noruega. Foi a minha segunda falha.

E quando eu era um jovem cavaleiro que combatia com Arthur na Inglaterra nos idos de 500dc? Você se lembra? Claro que lembra, você era a mais linda filha do Rei da Escócia. Foste importante um dia, tá vendo. Novamente, seu amor fez você fugir com a gente. Sim, a gente. Sua irmã mais velha se apaixonou pelo Lancelot (claro, todas se apaixonavam por ele, aquele metido) e você quis ir junto sempre teimosa e zangada. Fui escolhido a te proteger de todos. E não tinha como não me apaixonar. Dessa vez ficamos muito tempo juntos. Tivemos 3 filhos, todos homens e tudo mais. Foi talvez, a nossa melhor época juntos.

como eu lembro de você...

Todos aqueles fins de tarde olhando o pôr do sol, você tentando aprender a usar um arco, uma espada e um machado. Você sempre quis saber de tudo, de como fazer. Adorava como você se encaixava no meu peito pra dormir, como se escondia em mim quando estava com medo. Como me deixou escolher o nome dos meninos (Até hoje não sei como consegui essa façanha).

Mas aí veio a guerra e invadiram nosso reino. O seu pai matou você e sua irmã e todos os meninos. Eu não estava lá. Chorei todos os dias que me restaram, matei todos escoceses que encontrei. Nunca tive paz. Até hoje me arrependo de ter ido ao reino mais próximo comprar aquele tecido. Mas eu não tinha escolha, você sabe como você é. Não consegui te salvar pela 3ª vez.

Em 1376, quando você foi perseguida pela Igreja Católica por exercer bruxaria e caçada até o dia em que lhe queimaram na fogueira. Eu estava lá. E dei minha vida por você, sem necessidade, diga-se de passagem. Gastei toda minha fortuna, eu perdi todas as minhas terras, minha família foi excomungada por gerações e gerações. Tudo por um amor.

Nunca concordei com essas suas coisas, essa “bruxaria”, mas sempre defendi o seu direito de fazer o que quisesse. E você me amava. Não como eu te amei, não como te amo. Eu fiz você sofrer, como você me fizeste, por essa insistência, por querer ser sempre melhor. Mas eu nunca te abandonei, eu estava lá. Mas você preferia morrer a trair sua amiga, essa é uma atitude louvável. E preferi morrer a ver a minha amada morrer. Morremos juntos.

Enquanto você virava cinzas, ao seu lado eu era enforcado. Mas lembro de ter visto tudo, até hoje sonho com seus gritos, sinto o cheiro de fumaça. E parte o coração. Não bastou eu dizer pra você se esconder, fugir, sumir do mapa. Você é teimosa. Sempre foi. Essa extrema lealdade às amizades, ainda vai te matar como matou das outras vezes. E novamente estarei por perto, observando sem poder fazer nada. Na verdade, minha missão sempre foi te salvar. E eu já falhei 4x e não repetirei essa falha.

Na verdade, entendo como é difícil confiar que lhe salvarei. Depois de tantas falhas, talvez o nosso destino seja esse mesmo. Às vezes me sinto como naquele filme “Efeito Borboleta” que não adianta mudar tudo, tudo vai dar errado de qualquer jeito. Talvez o certo seja deixar a gente seguir caminhos diferentes mesmo. Melhor assim. E todo sofrimento que passamos juntos fique só na lembrança e cicatrizes dos nossos corações.

P.s. Até hoje sinto medo do fogo, não gosto de desertos e te deixar sozinha me traz calafrios. Mas meu dever é te proteger, estarei com você onde estiver.

Atenciosamente,

Eu

confissões…

7 de outubro de 2009

Pearl_Jam02

às vezes parece que a vida está no pause. Nada acontece. Nada mesmo.

Quanto mais você anda, mas longe está de onde pretende chegar. E se ficar parado parece que as paredes estão te prendendo.E não adianta chutá-las (pode acreditar, eu tentei).

Até as músicas do meu playlist são as mesmas de muito tempo atrás. Até o mIRC eu voltei a usar. Acredito que por pouco tempo…

Nada acontece. O GPRO não tem mais a mesma graça. Já enchi o saco da tal Farmville. MSN e Orkut são as mesmas pessoas de sempre. Ah! Tem o meu querido FM 09, mas desatualizado.

Estamos em outubro e ainda vivo em Setembro. Trancado em casa com o pé quebrado. Não é legal. PErcebi o quanto eu sou burro nesse episódio…

Minha namorada anda muito ocupada. Isso é bom, quer dizer que tá ganhando dinheiro.

Mas nada acontece…

Confesso que queria dar um volta agora, mas não posso andar muito menos dirigir

Confesso que queria ouvir músicas novas no volume máximo, mas moro em condomínio.

Confesso que queria banhar, mas meu gesso atrapalha…

E ainda dói.

Nada acontece … e mesmo assim eu gosto!

Ps. A foto não tem nada a ver com tudo que foi dito aqui.

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