Encontros casuais

30 de agosto de 2011

AVENIDA PAULISTA MEIO-DIA [0:00 a 0:32]

Pessoas indo e vindo. Close em uma mulher com o casaco vermelho e cabelo preto. Pessoas paradas esperando o sinal abrir. Close no homem de terno marrom e cabelo grisalho. As pessoas voltam a caminhar. CAMERA LENTA.

A mulher do casaco vermelho passa pelo homem de terno marrom. Eles se olham, mas não se cumprimentam e ENTÃO VOLTA A VELOCIDADE NORMAL.

A CÂMERA VAI SE DISTANCIANDO, mostrando a Avenida de cima de algum prédio. Várias pessoas cinza caminhando, tentando não perder seu tempo.

METRÔ [0:33 a 0:41]

O homem de terno, chamado Kevin, está sentado no metrô vazio. [A CAMERA DÁ UMA PASSEADA PELO INTERIOR DO VAGÃO]. Com uma cara cansada, Kevin abre sua carteira e acha uma fotografia 3×4 da mulher do casaco vermelho.

KEVIN

“Eu esperava bem mais do que um olhar, um ‘oi’ talvez. Mas ela parece que nem me conhece mais, parece que eu não existo.”

DENTRO DO CARRO [0:42 a 0:53]

A mulher do casaco vermelho, ou Jennifer, assobia uma canção conhecida, mas não idenficável, a câmera se aproxima dela por trás e ao mostrar seu rosto pode-se ver claramente as lágrimas escorrendo do seu rosto.

JENNIFER

Bons amigos, não é?

 

Loja de conveniência de posto de gasolina [0:54 a 1:13]

Jennifer com uma aparência bem mais jovem conversa com o atendente encostada no balcão. Fala como se houvesse medo, como se tivesse perdido um cachorrinho ou qualquer coisa do tipo. A câmera então deixa os dois de fundo e foca no Kevin, também mais novo, escondendo algumas garrafas long-neck de cerveja no seu casaco folgado vermelho.

Ele vai saindo e a câmera vai pra trás do balcão onde vê-se claramente o decote da Jennifer distraindo o balconista deixando a saída livre para o Kevin. Quando percebe que ele já saiu, ela dá um beijo nele e pega um pacote de chicletes e sai sorrindo.

LADO DE FORA.

Os dois riem e se abraçam. Parecem bem apaixonados. E dividem uma das 5 cervejas que roubaram.

 

 

PARQUE [1:14 a 1:43]

Kevin, velho, corre bem devagar. Demonstrando todo seu cansaço. Veste um agasalho azul e um calção e tênis da mesma cor. O parque parece vazio.

Jennifer vem correndo em sua direção, bem mais rápida, bem mais alegre, bem mais sorridente. Ouvindo alguma coisa em seu Ipod. Passa por ele e dá um leve aceno de mão. Ele não corresponde.

Ele então senta no banco tomando uma água mineral em uma garrafinha do Santos. Ela passa novamente por ele, dessas vez sem nem notar sua presença.

 

QUARTO [1:44 a 2:00]

Kevin aparece jogando o abajur na parede e Jennifer deitada no chão chorando, parecendo bem com medo.

 

DE VOLTA AO PARQUE [2:01 a 2:33]

Jennifer dando mais uma volta encontra o Kevin sentado olhando os gansos no lago. Ela senta ao lado dele no banco sem falar nada. Os dois se encaram por alguns segundos e então se abraçam. A câmera acelera e parece eles conversando um bom tempo. Os dois se despedem com um beijo na boca.

KEVIN E JENNIFER

Até mais.

Até mais.

 

 

SALA DO APARTAMENTO [2:34 a 3:11]

Kevin está sentado no sofá com uma camisa do Santos assistindo a um jogo de futebol

KEVIN

Vai, vai, vai. Uhhh.

Jennifer vem da cozinha, também vestida com uma camisa do Santos, trazendo pipoca e duas latinhas de cerveja. E senta no sofá ao lado dele.

JENNIFER

Quanto tá o jogo?

KEVIN

1×0 pra gente. Acho que esse ano dá!

JENNIFER

Vai dar. Sempre dá.

KEVIN E JENNIFER

Apenas bons amigos, ok?

[Não é um texto como vocês estão acostumados no blog, é apenas um rascunho do que seria um roteiro para um clipe da música “Pra Ser Sincero” dos Engenheiros do Hawaii. Confesso que ficou sem graça, mas é só um exercício que queria compartilhar com vocês aqui. Obrigado pela atenção]

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Engraçado como as pessoas desenham como tudo tem que ser. Noivas detalhistas escolhendo tudo para o casamento ser perfeito, flores amarelas e rosas que não são cor-de-rosa. Decoração de primeira classe. Músicas selecionadas. Convidados censurados. Dia em que costuma não chover. Tudo pensado. Tudo pensando em ser feliz. Felizes para sempre. Na saúde e na doença até que a morte os separe.

Ama a importância de mostrar a sociedade que o amor é grande, mesmo não sendo. Querem se mostrar. Como um trailer do que está por vir. O grande lançamento do produto que promete ser recordista em vendas. Esquecem a simplicidade. Querem casar de branco, com véu e grinalda. Cravo na lapela do noivo que sua em bicas. Exalam perfeição.

E no dia seguinte, o amor acaba. Afinal, nunca existiu.

No nosso primeiro encontro não houve perfeição, não houve nada que poderia arrancar suspiros das adolescentes na poltrona do cinema. Fomos comer sushi. Falamos de tudo que não devíamos, fomos sinceros como uma carne crua. Mal passada molhando o arroz. Confessei logo que sou estabanado, derramei o molho shoyo por toda a mesa, tentei desenhar um coração que pareceu mais um pneu de tanque. Falei de futebol, religião e política.

Ela se engasgou com a caipirinha vermelha feita com morango, quebrou um pedaço da unha azulada e ficou resmungando. Despedaçou aquela peça que tem mais arroz que qualquer outra coisa, me explicou errado o que era kani. Disse que aquela ervinha verde era boa, não me disse que ardia. E riu de como eu tentava disfarçar que estava ardendo demais. Fiquei vermelho.

Tínhamos tudo pra dar errado, um péssimo começo. Tudo errado. Mas a simplicidade nos unia, o jeito meio imperfeito com que nos tratávamos. O jeito como a gente ria um do outro e de si mesmo. O bom humor idiota de comédias-pastelão.

Nosso amor não tem véu, nem grinalda, nem detalhes em ouro. Não andamos de mãos dadas segurando cravos na lapela de nossos corações. Nossos sorrisos não são forçados, falseados, são gargalhadas nervosas e verdadeiras. Com defeitos expostos como uma cicatriz que temos no mesmo lugar ao cortar cebola pro jantar. Se houvesse aliança seria um pedaço de fio, não é amor?

E no dia seguinte, temos um bom dia. Todo dia. Eu te amo.

(Músicas e mulheres) perdidas

22 de agosto de 2011

De repente todo mundo conhecia “Here Comes Your Man” por causa de um filme chamado “500 dias com ela”. Eu gosto de reclamar como as pessoas começam a descobrir as coisas que eu pensei que tinha guardado só pra mim, até aceitei perder “Where’s My Mind?” quando o “Clube da Luta” estourou, mas perder outra música tema era forte demais.

Sempre fui um fã de Pixies, admito que pelos motivos errados. Comecei a gostar mesmo quando soube que o Kurt Cobain era fã. Sabe essa coisa de querer ouvir o que o seu ídolo ouvia. Que besteira, né? Afinal, entao eu posso ser um dos que roubaram o prazer de ouvir Pixies do finado Kurt. Será que ele se irritou quando todo mundo resolveu ouvir?

Um amigo de infância, Danilo, tinha uma namorada nova. Falava a todos os cantos, em alto e bom som, o quanto ela era maravilhosa, perfeita, boa de cama e compreensiva. Nunca reclamava por ele ir ao futebol com a galera duas vezes por semana. Como era sensacional a sua nova namorada.

Nos happy hours após as peladas, o assunto chegava em mulheres e logo ele bradava: “A minha mulher é a melhor do mundo. Quero ver vocês encontrarem alguém como ela. Duvido”. E continuava sua ode a mulher que ninguém conhecia. Gabava-se da sua própria sorte, de seu poder de sedução. Ganhara na Mega Sena do amor.

Claramente ele aguçou a curiosidade do pessoal. Eu tentei alertá-lo que não deveria falar tanto assim dela. Afinal, se ela era tão especial assim, todo mundo ia querer roubá-la dele. Se era a única, por que alguém não iria tentar levar ela pra casa?

Certos tesouros nós temos que guardar pra gente mesmo. Certas coisas não podem ser divididas, divulgadas. Nunca espalho por aí o quanto eu te amo, meu amor, só você deve saber.Aprendi a tocar “La La Love You” ontem, acho que cantarei para você algum dia.

Ah. Sim. O Danilo perdeu a mulher perfeita que trocou ele por um cara mais perfeito. Alias, como ele passou a dizer ultimamente: “ela nem era tão boa assim, eu me enganei”. Sei sei.

Ah. Também descobri uma banda nova muito boa, mas não direi a vocês. Só eu e meu amor a conhecemos. Demorou muito tempo para eu fazer as pazes com os Pixies. Não perderei mais uma banda pro mundo.

 

Poemas, conversas e outras vidas

17 de agosto de 2011

 

É possível dizer que eu gosto quando você fica triste? Gosto do jeito que seus olhos pedem pelo amor de Deus para que as coisas melhorem. Sou apaixonado pelas lágrimas escorrendo pelo seu rosto angelical, uma avalanche até o seu queixo. Às vezes borrando a maquiagem que você passou horas e horas e horas para ficar do seu jeito.

O modo simples como você apressa os passos tentando manter uma distância segura de mim, se segurando para não me acertar com sua bolsa cheia de tantas coisas que você nem sabe enumerar. Não sou cínico a ponto de declarar que sua cara enfezada me faz ter ereções, nem que quando você volta a si parece mais meiga e amorosa do que jamais fora.

Quero é dizer das crises. O jeito como você pega as folhas de papel e começa a desenhar qualquer coisa que traga serenidade, como o seu talento aflora das brigas, na tristeza e na doença. Quando parece não haver solução, você aparece e brilha. Como uma estrela que provavelmente não está mais lá, não pertence a constelação alguma.

É incrível como consegue escrever coisas bonitas no seu caderno de poemas, conservas e outras vidas. Disseca metaforicamente tudo o que pensa, sente e vê. Parece uma criança cuja genialidade só aparece nos melhores momentos do intervalo.

Apenas observo o violão sendo atacado com todas as forças pelos seus dedos suaves chegando a gotejar um sangue vermelho, com um olhar distante e uma voz metálica quase gritando versos criados na hora que fazem muito sentido e não fogem do tom. Você poderia ser o que você quisesse se estivesse triste, zangada ou doente.

Mas não, você insiste em querer ser feliz. Em ficar ao meu lado como se eu fosse um ser superior e que neutralizasse suas aflições. O amor querendo roubar seus talentos e você se faz de boba para eu poder aparecer, ser o centro das atenções, o astro do seu show. Talvez tudo isso faça parte do seu show.

Retrato-falado

16 de agosto de 2011

Eu assistia a um daqueles programas esquisitos sobre Montros do Rio ou algo do tipo. Estava contando a história de um bicho que afogava crianças nos rios do Japão. O apresentador iria desvendar o mistério com algo possível. Viu e mostrou vários retratos falados. Coisas estranhas. Imaginário do povo do interior, sim, há interior no Japão.

Por fim, o animal era uma salamandra gigante que nada tinha a ver com os retratos-falados que os moradores descreveram ao longo dos séculos. Então, me pergunto onde a imaginação humana pode chegar.

Conheci uma garota em um bar nas proximidades da Paulista e tinha me esquecido de anotar o nome dela em algum lugar pra lembrar depois. Sabia que começava com a letra “J”, Juliana, Janaina, algo do tipo. Minha memória seguia me pregando peças.

– Olá, aqui é a Fernanda, a menina do barzinho ontem, lembra?

Nunca aconteceu isso com você? Ter certeza de que uma coisa começa com tal letra, afirmar certeza com todas as exclamações possíveis e a resposta não ser nada disso. Senti-me como os moradores do Japão ao descobrirem que suas lembranças não tem nada a ver com a realidade.

Seria melhor viver no mundo de suas cabeças?

Pois na minha cabeça o nosso amor era como um filme água com açúcar que passa nas menores salas do cinema e a gente assiste no domingo à tarde com um balde de pipoca mista e um refrigerante gigante. Você olha nos meus olhos e sorri. Eu procuro a sua mão entre os milhos no fim do filme.

Mas não era nada disso, você e o resto do mundo insistem em me mostrar como eu era infeliz ao seu lado. Como as brigas dominavam e minavam as reconciliações e momentos felizes. Como a gente não se dava bem com as pessoas, como o clima do bar ficava pesado com a nossa presença.

A gente não tinha nada a ver. Nunca tivemos. E que ninguém venha com essa de que os opostos se atraem. Éramos apenas miragem. Ilusão. O pote no final do arco-iris que ninguém nunca achou.

Por isso, Janaina, não volte pra mim. Rasgue os retratos falados do nosso amor e busque caçadores de mitos ou pesquisadores para te contar como era realmente.

cair do balanço…

12 de agosto de 2011

Poderia ficar aqui o resto da tarde, dedicando meu corpo cansado a um sol refrescante, como uma limonada suiça num dia frio ou qualquer coisa que pareça melhorar a vida lá fora. Poderia descascar todos meus problemas e depois ligar pra alguém pra contar as novidades daqui de cima. Parece que o mundo é bem legal quando visto de cabeça para baixo. Eu, quando criança, costuma me equilibrar como morcego nos balanços do parquinho e ver a vida de outro modo.

quando eu não usava óculos, nem cabelos curtos. Quando o barulho dos carros me intrigava e também aos cachorros da rua que seguiam sua estupida perseguição com o sentimento de donos da rua. Eu queria ser dono de alguma coisa, nem que fosse de mim mesmo. Queria uma mulher, filhos e uma casa com varanda. Nos filmes americanos eu pensei que poderia ter uma cerca branca, mas a ideia foi logo abolida dos meus sonhos.

Aprendi que não se tem nada. Só se pode admirar o que a vida nos empresta. O que o mundo deixa na nossa porta com direito a uso, sem propriedade. Não somos donos de nada. É tudo transitório, como o trânsito dessa cidade e de todas as outras apinhadas de gente sem rumo e que não aprendeu a sorrir. Vidas sérias demais, buscando ter mais que querer, que brincar, que usar.

Eu já não distribuo o meu sorriso assim de graça, ninguém sabe o valor de um sorriso. Não. Precisam de olhares sérios e repreensão. Acostumados a cair do balanço e nunca mais se equilibrar. Não suspeitam que a vida é feita de erros e acertos. Largar tudo por uma experiência ruim é típico de covardes. Por isso, eu quero amar de novo e de novo e de novo. Até que não precise mudar de endereço nem de sorrisos.

O sol me entende. Ele está lá sorrindo. Esperando alguém pra abraçar, e não poder. Mas eu deixo ele me molhar com seus raios e sua obrigação diaria. Dizem que iluminar e esquentar todo santo dia a Terra foi um pedido dele mesmo ao “ser superior” porque se apaixonou pelo planeta há muito tempo atrás, é o que dizem.Sem ele, a Terra morreria. Então ele se sacrificou para que ela viva em paz, ou mais ou menos. A lua é filha deles, mas isso é outra história.

 

 

Sobre princesas e castelos

10 de agosto de 2011

Era sempre a mesma coisa, ela se apaixonava de um jeito diferente e esperava pelo príncipe encantado. Sempre que assistia a um desses filmes românticos feitos por americanos, mas que se passam em alguma cidade europeia.

Ela ficava sentada em casa tentando aprender alemão, pois quem sabe um príncipe encantado vindo da Suíça poderia leva-la para um mundo de conto de fadas, com castelos medievais e contas bancárias milionárias em paraísos fiscais. Seu passeio predileto era a porta de desembarque internacional do aeroporto de Guarulhos, vai que o amor à primeira vista resolve aparecer.

Era patética em seus sonhos, desprezava qualquer sotaque aparentemente do interior, ou do nordeste. Não suportava os homens sem estilo, classe ou coletes. Queria ser feliz, mas na high society e com vista para o mar, de preferência.

Conseguiu uma oportunidade de emprego em Viena e partiu. Fez as malas e iria enfim morar no Velho Mundo. Visitaria as mais belas catedrais góticas do mundo, voltaria e descreveria com detalhes o rococó e coisas do tipo.

Sonhava em se casar com um cara alto, loiro e de olhos azuis. No avião já sonhara com seus três filhos correndo pelos campos de sua gigantesca propriedade. Quem sabe ter seu próprio vinhedo e batizar as melhores safras com o nome da sua vó, Josefina.

Ela estava na cidade fazia mais ou menos oito meses quando nos conhecemos. Era gerente de uma grande rede de livrarias e eu estava esperando um encomenda que tinha feito e nunca chegara. Reclamações e afins. Era a mulher da minha vida.

Não chego nem perto dos seus sonhos. Sou baixo, cabelos pretos e despenteados, olhos escuros. Não passaria por europeu nem nos remotos recôncavos da Turquia. Ela que deu o primeiro passo, fomos tomar um café como cortesia da Livraria, para apaziguar meus ânimos.

Os livros chegaram. Mais cafés. Descobriu que eu era apenas um nordestino perdido na Europa que trabalhava para o clube de futebol Rapid Viena. Sonhava em ser escritor e fazia mestrado em Gestão Esportiva. Ela fazia mestrado em Literatura Austríaca, queria dar a volta ao mundo e tocar violão.

Saímos juntos todos os dias, ficamos amigos, depois quase que por acaso começamos a namorar. Casar. Ter o primeiro filho. A segunda. O terceiro. Mudar para Londres. Aprender a viver sem sol. Escrevi um livro sobre amor. Ela escreveu um sobre futebol. Depois nós escrevemos um sobre amor e futebol.

Ela desistiu do seu príncipe, desistiu do cara bonito. Acabou ficando com o cara engraçado e com aquele que a fazia se sentir em casa em um lugar sozinho.

Agora acredita que o amor é estar em casa, mesmo se casa for lugar nenhum. É se sentir à vontade. Nada pode ser pré-fabricado ou moldado. Surge. Vem. Vai. Balança. Cai. Pelo menos é o que ela me diz depois de tanto tempo, mas eu ainda acho que ela sonha com um castelo ou trono e coroa.

A única coisa que posso fazer é chama-la de Princesa, de um modo irônico que logo a deixa irritada. Talvez o amor seja mais ou menos isso.

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