Das mesas de bar.

18 de setembro de 2010

– Sinto a falta de vocês. – era uma voz embargada do outro lado da linha. Não que ele se sentisse só, mas sentia falta dos amigos de sempre. Das brincadeiras, bebedeiras, das partidas de futebol, daquela cumplicidade de uma mesa de bar. De poder aparecer na porta de qualquer um deles e conversar olho a olho sobre os problemas amorosos, sobre trabalho, estudo, família, dívida externa e interna. Poker. Sentia saudades dos torneios de poker. Com cerveja gelada.

Mudar de cidade foi uma decisão fácil, apesar de toda dificuldade que ele tem de tomá-las. Às vezes ele tem que agir assim, por impulso. De forma passional, sem razão alguma. Gostava disso. Acelerava todos seus raciocinios. De forma que virava um turbilhão de idéias e pensamentos. Era louco. Mas hoje sentia saudades. Dos amigos.

De cada um deles. Dos rostos e sorrisos. Das palavras nem sempre animadoras. Das piadas sem graça. Do modo como eles mandavam se calar. Dos xingamentos amigáveis. Dos abraços violentos. Tapinhas nas costas. Das gozações por erros. Das mulheres feias. Dos chifres. Do seu time que perdeu. De como criticavam todo seu corte de cabelo, sua barba por fazer. Estilo David Villa.

Era pra eles que corria quando precisava. Agora estava só, apesar de não se sentir só. Cidade grande. Novas amizades ou não. Preferia manter as velhas. Um por um. Então desligou o telefone naquela noite fria. Eles numa mesa de bar com uma cadeira vazia esperando por ele. Mas ele não poderia ir beber hoje. Não com eles. Só.

– Até a próxima pessoal.

Antes, depois, sempre. Te amo.

13 de setembro de 2010

Ela. Sim, amigos, é ela. Dessa vez não falarei de amor carnal, paixão avassaladora, sexo e sacanagem. Nada de desejar o corpo. Nada de procurar os beijos dela no canto da balada. Falarei de muito mais. Algo bem maior. Quase uma ligação de almas. Quase uma interação predestinada. Uma ligação tão forte que não pode ser descrita em palavras. Pelo menos, não nas línguas conhecidas. Repito, é ela.

No dia que nossos olhos se cruzaram. Alguns amantes de vampiros brilhantes diriam que era um “imprint”. Eu não sei. Precisava dela. Tal qual um stalker. Segui seus passos virtuais. Até que ela me deixasse aproximar. Sinceridade. Amizade. Anjo-da-guardisse. Tenho 738 expressões que poderiam somar-se e dizer o que ela representa pra mim.

Tenho que protegê-la do mundo lá fora, ou seria o contrário? Não consigo passar mais de 120 segundos sem pensar nela. Acho que será assim pra sempre. Mesmo que o pra sempre um dia acabe.

Poderia transformar em poesia o magnetismo que tenta nos unir a todo instante. Mentalmente. Calormente. E todos outros “mente” que podem existir. Todos advérbios de modo. Do modo que você faz meu coração bater. Um marcapasso moderno e de carne e osso. MEu anjo. De pele bem branca com um sorriso tímido. Eu te amo.

Não tenho vergonha de repetir isso quantas vezes forem possíveis. Acredito que tu acreditas que é verdade. Nem que a gente só ande de mãos dadas pelo Ibirapueras da vida. Só queria dizer. Nem que entre por um ouvido e atravesse seus tímpanos sem ecoar.

Não, essa não é apenas um declaração de amor. É uma exposição devassa do meu pensamento. Talvez as repetições a façam sorrir. Quero você bem. Maior que tudo e todos. Olhando por cima. De braços abertos sentindo o vento buliçoso balançar os seus cabelos. Eu te amo de novo. E enquanto puder estarei amando. Com gerundios e participios. Como um querubim que vela teu sono pela janela. Vem pra cá. Vem logo. Te espero. Te espero. Saudades de seu olhar profundo. Lendo os meus pensamentos. Buscando no meu HD algo que arranque um sorriso leve.

Tá tarde agora. Já desabafei. Vou dormir. Espero que estejas em meus sonhos. Não sou ambicioso, não quero estar nos seus. Um pensamento leve por dia pra mim já basta. Eu te amo e não quero nada em troca. Só saber como você está. Mesmo que eu enrole tus e vocês. É porque embargas meu raciocinio quando estás distante. Antes. Depois. Sempre. Nunca mais só. Te amo.

Brincadeiras e Consequências.

19 de agosto de 2010

Todo mundo tem um amigo machão, aquele que não abraça nem o pai. É estranho, mas tenho um amigo que disse esse frase. E todo mundo também tem aquele amigo bem moleque, que faz piada sobre tudo. O Bozo da galera.

Bem, estavámos num encontro de Direito em Fortaleza. E fomos na farmácia comprar remédios pra todas as eventuais doenças que tivessemos. Eu, o machão, o Bozo e mais dois amigos. O machão e o Bozo pararam numa padaria antes e então entraram na farmácia juntos enquanto o resto já tinha comprado tudo e estava na porta esperando.

Farmácia lotada e o Bozo, com um tubo de KY na mão vira pro Machão e grita bem alto com uma voz afeminada:

– Amor, olha o que eu achei. Vamos levar pra usar essa noite, vamos?

Todos os olhares se voltaram pra eles. Eu me joguei no chão de rir da cara do Machão. Ele ficou totalmente sem reação.

O Bozo levou alguns pedalas depois, no fim o Machão até achou graça da brincadeira. Só que a noite tinha uma festa da galera.

Lá vai o Bozo falar com uma garota linda pernambucana, conversa vai, conversa vem. Quando ele já estava no quase. Chega uma amiga dela e sussura algo no ouvido e ela vai embora.

Coincidentemente eu estava “ficando” com a amiga. E perguntei pra ela o que tinha falado pra outra. E ela retrucou:

– Falei pra ela que ele era baitola. Hoje de manhã eu o vi comprando KY com o namorado.

Eu ri mais ainda. MAs não desmenti. Ele tinha que aprender que algumas brincadeiras tem consequencia. No ônibus de volta que revelei a história pra ele. Dessa vez levei uns pedalas. E o Machão riu a volta toda repetindo pro Bozo: “Ih! Não pega ninguém. Ih! Não pega ninguém”

Despedida da Sinuca

26 de julho de 2010

Depois que ele resolveu marcar a data do casamento, era hora de fazer a despedida do Bar. Certas coisas eu não entendo. Logo ele, que todos pensavam que seria o último a casar, seria o primeiro. Então tinhamos que organizar a “última partida de sinuca – em busca da tacada perfeita” .

Chamou os amigos mais próximos. Velhos companheiros de bebida e balada e farra e vômitos em banheiros sujos. As ‘primas’, profissionais do sexo ou mulheres fáceis mesmo que ele conhecia, que todos conheciam. E como.

O local foi aquele Bar que tem a cerveja mais gelada e as mulheres mais quentes. Além das mesas de sinuca mais alinhadas. E então, que comece a vida fácil.

Ele bebeu como nunca. Jogou como sempre. Se perdeu em ambas. Fumou baseados que foram preparados pelos carinhas da Zona Sul. Liberdade.

Já eram 5 da manhã quando ele se sentou na rua. Começou a chorar. Pegou o violão e resolveu cantar. Nunca tinha ouvido “Paint It Black’ soar tão black. Quebrou o violão em 4678 pedaços e logo já estava entrando no banheiro com duas damas.

Eu tentei imaginar o que ele estava sentindo. Nunca mais discutiria futebol, política, religião, capitais da Africa numa mesa com os amigos. Nunca mais daria um beijo sem compromisso numa roqueirinha qualquer. PAssar o fim de semana de bar em bar sem se preocupar em chegar em casa na Terça-feira, meio dia.

Agora teria que passar o dia no computador. Trocando fraldas por aí. Com a mesma mulher todas as noites. Numa cama gelada. Lavar louça e limpar banheiro. E de vez em quando ele olhará pra lua e lembrará de tudo. Sentindo saudades dos dias de alegria, das noites de boêmia e da busca pela tacada perfeita.

Valete de Paus

14 de julho de 2010

Não sei se vocês sabem, mas as “figuras” do baralho tem significados atribuídos a personagens históricos ou biblicos. (aqui)

E o Valete de Paus é o Sir Lancelot. Segundo minhas milhares leituras ele foi o melhor amigo do Artur e mesmo assim pegou a sua esposa, Guinevere. Miseravel. Fiz um poema com o título “Valete de Paus”. Em homenagem a dois amigos que eu tinha e que brigaram por uma mulher. Na verdade, era o A (corno) escrevendo pra C (mulher).
Até um outro amigo musicou esse poema, mas eu não gostei muito. E uma das minhas ex-namoradas ao ler disse que era muito romântico. Infelizmente, acho que elas não sabem nada sobre romantismo.

Valete de Paus

Se você perdeu o medo da escuridão
Por viver sempre nela
Talvez eu perca o medo da solidão
Já faço parte dela

Eu não preciso das suas verdades
Já me acostumei a mentir
Não vou dizer que sinto saudade
Nem vou dizer tudo que senti

Eu só tenho uma chance
De ouvir a sua voz
E talvez eu possa ver
O que você me faz

Se você perdeu a noção das coisas
Eu só tenho uma saída
E vou conseguir mudar o mundo
Podendo escolher uma vida

Não quero um vôo rasante
Nem um looping mortal
Eu só vejo tudo distante
Mais longe que o normal

Eu só tenho uma chance
De não cair na água
E talvez eu possa ver
De que sinto falta

%d blogueiros gostam disto: