Enquanto tira a toalha de cima da cama, ela esbraveja toda sua raiva contra ele que apenas erge os olhos por sobre o ombro enquanto assiste a um seriado na TV. De relance ele sorri pensando na quantidade de louça na pia. Indiota. Ela sempre enfiava um n. Sempre que podia ou até quando não.

Estou gorda? Ela desfilava sua bunda perfeita num shortinho apertado, mas sempre indagava aquilo. Não, amor, nunca. Ele simplesmente respondia como um robô programado. Mal sabe ele que essa resposta tem que ser dada num conluio de olhares talvez seguido de um beijo na nuca que deixe arrepiados todos os poros da parte anterior da coxa.

Aquele relacionamento estava por um fio.

Então, ela me liga. Começa com um argumento falho. “Você que entende de relacionamentos me dá uma ajuda”. Como se eu realmente entendesse algo. Só escrevo besteiras que gosto.

Recitei alguns poemas de separação. Ela me contou tim-tim por tim-tim. Detalhes até meio desnecessários. Como os barulhos nojentos que ele fazia quando gozava. Eram tantas reclamações que dei um xeque. Ele tem algo de bom? Por que você ainda está com ele? O silêncio no outro lado do telefone foi constrangedor. Xeque-mate.

Com um “preciso desligar” arrastado. Quase soletrado. A conversa acabou. Horas depois, enquanto eu preparava meu almoço, ela tocou a campainha e aos prantos gritou em meu ouvido: ACABOU! E contou novamente toda sua história acrescentando os últimos capítulos inéditos pra mim. Esqueci o arroz no fogo. Cheiro de fumaça exalou pela sala. MAs ela era mais importante.

Posso passar o dia aqui. Até a vida inteira. Você é demais, sabia? Obrigado. Fiquei sem almoço e sem minha garrafa de vinho que comprara pra espantar o tédio do Domingo. Agora ela está ali deitada em minha cama. Seu sono desesperado de quem tirou um peso das costas. Ela sorri nos meus lençóis, abraçando meus travesseiros. Como um anjo. Mal sabe ela que o sofrimento só começou. A saudade dói. Mesmo aquela saudade dos defeitos. Dos problemas. Das brigas. Da injustiça.

Amanhã tudo vai estar rodando em seu mundo. E não será culpa do vinho.

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Relacionamentos – Arnaldo Jabor

24 de março de 2010

Hoje vou colocar um texto de Arnaldo Jabor que li em algum lugar. Acho que pode até ser que o texto nem seja dele, mas é legal!

RELACIONAMENTOS…

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
– Ah,terminei o namoro…
– Nossa, estavam juntos há tanto tempo…
– Cinco anos… que pena… acabou…
– É… não deu certo…
Claro que deu!
Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante… e se o beijo bate… se joga… se não bate… mais um Martini, por favor… e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar… ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você.
E vice-versa.
Não fique com alguém por pena.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração…
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse…
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias..
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar… Ou se apaixonar… Ou se culpar….
Enfim…. quem disse que ser adulto é fácil?

(Arnaldo Jabor)

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