Jogo Da Vida

17 de julho de 2010

Quando eu era criança achava que minha vida seria como um jogo de tabuleiro antigo. Jogo da vida. Seria tudo bem prático. Primeiro eu entraria na faculdade e teria um carro azul. Escolheria uma carreira bem bacana e toda vez que passasse pelo “Dia do Pagamento” receberia meu salário. Em dia. No caminho eu teria que pagar algumas coisas. Recebia por conquistas na vida. Obrigatoriamente me casaria. Ganharia presentes de todo mundo. Compraria uma casa bem bacana. Sempre com muito dinheiro no bolso. Minha mulher e os amigos me perseguindo numa corrida de carros.

Teria alguns problemas com o fisco. Teria trigÊmeos, ou gemeos, ou um linda garotinha. Ganharia um premio por Pescaria. Escalaria o Alaska. Gastaria dinheiro construindo um orfanato. Uma instituição de caridade. Uma casa pra minha avó. Iria soltar um irmão da prisão. Pagar fiança. Faculdade das crianças. Conhecer Paris.

No final com muito dinheiro compraria a casa dos meus sonhos e viraria milionário. Com minha esposa e 4 filhos.

Drogas, Jogo da Vida. Você não explica que temos problemas. Corações partidos. Brigas com amigos e família. Assim não dá. Você me enganou durante anos e anos. Tudo bem que alguns seguem o ‘modelo’, mas não achei que seria tão difícil!

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o meu primeiro beijo (ou não)

11 de fevereiro de 2010

Continuo a minha triste caminhada, agora com o resto da rosa no bolso do calção, apanho algumas pedras na calçada e começo a jogá-las no mar, sempre fiz isso desde criança, até hoje não entendo porquê. Sento na areia e começo a lembrar de todos os meus amores perdidos e aqueles que nem chegaram a se perder foram apenas se apagando com o tempo.

Era o ano de 1992, eu estava na 3ª série do 1º grau (como era chamado), com 9 anos na época eu tinha acabado de ingressar no seu novo colégio: Girassol. Fazia natação e até que era um bom nadador e tinha uma menina que nadava costas e estudava no mesmo colégio que foi a primeira “grande” paixão da minha infância.

Ela era linda, tinha os cabelos castanhos e lisos, mas o que chamava atenção era o sorriso cativante. Eu gostava dela, mas sabe-se que ‘gostar’ com essa idade é diferente, difícil até de explicar. O gostar era estranho, pois satisfazia apenas ficar olhando e quando o olhar era respondido deixava sem graça.

Sempre fui um menino muito tímido e por mais que ela se esforçasse para demonstrar o interesse, eu me mantinha inerte, sem tomar nenhuma atitude. Comecei a me sentir pressionado porque logo chegaria o fim do ano e mudaria de escola (novamente), e começava a me sentir apaixonado. Ela tentou de tudo para demonstrar que gostava de mim: começou a sentar ao meu lado nas aulas, pedir para mexer em seus cabelos, usar o meu nome nos exemplos dados, mas a forma mais peculiar era que ela me imitava na arrumação da mesa (quando os meus livros ficavam bagunçados, ela arrumava os dela bagunçadamente igual aos meus e quando os livros estavam arrumados os dela também estavam).

A minha insegurança crescia porque nas competições de natação, o jeito dela de falar era diferente, não tinha o mesmo sorriso, a mesma intimidade. Mas eis que veio o dia fatal.

O ápice dessa história aconteceu no colégio. Todos voltavam do recreio na fila, esse dia minha turma foi a última a subir e percebendo que a gente tinha ficado pra trás da fila, os colegas apressaram pra nos deixar sós. Pronto, eu e ela na escada, sozinhos. Já estava com o coração batendo forte era um sensação de medo e encantamento. Então ela botou o braço diante da minha barriga obstruindo minha subida e me fez olhar nos olhos dela, vencendo minha timidez:

– ME DÁ UM BEIJO!

Recebi o pedido como um pedido pra fazer algo que eu não sabia ou tinha medo do resultado, perplexo, permaneci parado imaginando as minhas reações. O beijo na boca não estava no meu menu de opções, talvez porque nunca tivesse beijado. Mas eu sabia que era o que ela queria (por isso que demorei pensando) e ainda decidi mal.

Dei o beijo, no rosto e subimos. Eu subi na frente visivelmente envergonhado, mas ainda não sabia definir se estava assim por minha atitude infantil ou por achar ousado ter dado um beijinho no rosto da menina.

Portanto, esse o foi o começo constrangedor e engraçado para o que considero uma das mais interessantes histórias de amores perdidos, ganhos e empatados.

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