Sorte de um amor tranquilo

16 de maio de 2012

Enquanto eu vibrava com os playoffs da NBA, ela lia um livro da Clarice. Degustava o seu iogurte de mel e se perguntava qual o caminho mais curto para chegar à Pet Shop da Zona Sul. Não há tanto romantismo assim no amor. A gente apenas consegue sentir a felicidade alcançar todos os nossos poros quando nossas mãos se encontram.

Deve ser um tipo de energético natural, uma catuaba carinhosa que de tão maldita nos faz ser um casal em plena forma. Agitando as sombras que nossos corpos criam na cortina a gente esquece livros, TVs e tudo mais.

Sempre prometo que trarei boas notícias quando voltar, e mesmo quando eu não volto no horário marcado, as boas notícias chegam mais rápido. Talvez seja o paradoxo do ditado que notícia ruim se espalha no ar. Você é sempre a primeira a saber que gritei eu te amo quando pulei do décimo oitavo andar.

O seu amor é meu paraquedas ou então aquele colchão inflável que os bombeiros colocaram no chão para me salvar. Não preciso de rede de proteção, nem de trapézio. O meu único circo são os truques que faço para roubar teu sorriso.

Com um céu de brigadeiro, a nossa paixão consegue cruzar as nuvens sem turbulência, nessas horas eu queria poder filmar tudo que acontece. Quem sabe a gente não cai num desses sites com fotos clandestinas. Queria ser celebridade com você. Aparecer nas capas dos jornais jurando mil flores mortas.

Nosso amor é um mar cheio de ondas que não derrubam o surfista, mas sim propiciam a ele as melhores manobras que jamais sonhou. Não chega ser um salto mortal, ou duplo twist carpado, mas ganha as melhores notas dos jurados.

Enquanto isso eu fico calado observando as bolas de três que os caras de verde não cansam de acertar e ela lê alguma coisa sobre amores dos anos 20. E a gente não entende muito bem onde tudo começou e nem onde vai parar. Só existe entre nós um sentimento de que essa cena se repetirá eternamente. Até que a morte nos separe.

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Rouxinol

7 de maio de 2012

Pra uma menina assim, você parece sonhar demais. Andar depressa demais com suas pernas curtas e seu all-star cano longo. Parece que é bem leve como o céu azul que você tenta tocar com suas mãos pequenas demais pra voar.

Você está, menina, longe demais, mas não importa, agora tanto faz. Você já cruzou a rua e o sinal está fechado para o mundo. Não precisa ir assim tão fundo, amanhã será segunda-feira de novo, também.

 Como um sorriso de lábio a lábio você se esforça para não ser mais que um sonho em uma mente qualquer e então se sente, novamente, leve. Uma pluma planando do décimo sétimo andar rumo a um bueiro entupido, sem sentido você desliga o som e começa a cantar.

                Agora já não liga quando passa a noite em claro. Menina, tenta matar o tédio mas o tempo passa cada vez mais devagar. E ela só quer acordar o prédio inteiro com sua voz estridente, talvez a gente escute seu pedido de socorro aqui de cima do morro, meu bem.

De repente a música para e ela gritando bem alto, tudo que pensa como uma menina mimada com ideias bem claras, ela quer você. Em um jantar à luz de velas, para as flechas do cupido se guiarem rumo ao seu coração. Menina.

Gritando bem alto, tudo que imagina como uma menina que não sabe exatamente o que quer de você. Se sugar seu sangue até você desabar, se seguir você até o fim do mundo. Talvez ir mais fundo do que pensava, construir um castelo e do alto da torre se atirar.

E seu lindo nome ela quer mudar, quer mudar pra qualquer outra coisa. Mas vejo nos seus olhos que você não tem escolha, menina. Você sempre terá o mesmo nome, o mesmo som das outras vozes lhe chamando pra dançar e pedindo um favor. Você sempre será.

Você está, menina, longe demais, mas já tirou de todo mundo o que chamava de paz. Bem leve como o céu nublado que você tenta chover com suas mãos pequenas demais pra deter a água escorrendo por entre os dedos. Os desejos perdidos por falta de abrigo. O guarda-chuva não quer abrir.

Então você olha pra baixo, querendo aprender a voar. Talvez desistindo de pular no meio do caminho, a morte tem sabor de vinho e ela só sabe gritar bem alto.

CNTP

5 de maio de 2012

Não vou seguir seus passos outra vez. Talvez, o amor seja diferente. A gente inventa coisas e depois esquece. A gente diz até palavras que desconhece. Depois um só abraço, um cumprimento formal e não há nada entre nós, afinal.

É tão triste te ver assim, caminhando do outro lado da Avenida como se eu fosse um fantasma de verões passados, que você luta para não lembrar. Para não sonhar com tudo que um dia foi realidade e acorda assustada com sua própria imaginação.

Quando tomo Fanta uva, eu me lembro de você dizendo que os pingos da chuva parecem lágrimas do céu. Era um papo tão nonsense quanto bêbado. E lá estava você chorando um pouco de chuva, por alguém que nunca te amou. Eu também estava lá, mas ficava apenas mastigando a minha dor.

Suas mãos são frias como neve, seus pés quentes como lava E você não sente nada. Não vou escrever as minhas crônicas na sua agenda só pra te divertir. A gente inventa coisas que depois destrói. A gente diz palavras que nos corrói.

Então, você me beijou, a gente foi feliz. Distribuindo sorriso até mesmo aos mendigos que pediam esmola. Eu parecia a pessoa mais sortuda do mundo e você estava lá, dizendo as mesmas coisas bonitas de sempre. Fazendo metáforas com flores, abajures e grafites. Comparava até as piores coisas com um dia bom. A gente era o melhor casal do mundo.

E depois tudo se foi feito fumaça. O rastro de fogo que existia entre nós apagou. Deixou para trás apenas as lembranças tristes, as brigas, o que foi dito que nunca deveria ter sido ouvido e as portas fechadas para que ninguém pudesse nos ouvir chorando.

Agora não tem mais jeito, não tem quem faça você voltar as condições normais de Temperatura e Pressão. Seu coração não bate mais tão rápido, menina. O jeito é andar por aí parecendo um zumbi, se escondendo das sombras de sorrisos alegres, flores, abajures e grafites. Largar os desenhos espalhados pelo chão da sala e pedir pizza para o jantar.

Contar os cacos do amor espalhados pela casa, avaliar os danos e comprar bastante cola. O mundo não é como um desenho animado, garota, e não adianta juntas os pedaços. Ninguém vai te ajudar a voltar as condições normais de temperatura e pressão, meu amor.

Eu tenho a solução

3 de maio de 2012

Eu preciso te falar de tudo que pensei sobre nós dois. De quantas flores você foi capaz de arrancar e depois se esquecer de me entregar. Eu preciso contar os segredos que inventei só pra ter o que dizer numa tarde de domingo.

Seus olhos fixam nos meus, como duas bolas de fogo perdidas no espaço entre nossos lábios, pedindo mais um beijo, mais uma palavra bonita ou qualquer coisa que pareça ser romântica. Você transpira coisas belas e quer me levar junto com você, mas a minha mente é negra.

Eu quero pintar tudo de preto, como um rolling stone bêbado, e rabiscar meu nome em muros da cidade cinza. Descrever as mortes mais horrorosas e me entupir de filmes de terror bem classe c. Você me entende?

Se eu precisasse de carinho eu andaria por aí com uma placa pedindo abraços nas principais avenidas, talvez montasse uma barraca do beijo em uma festa junina. Eu só preciso do seu silêncio caloroso do meu lado enquanto assisto a um jogo de futebol e dos seus beijos mais ardentes nas noites frias de São Paulo.

Vem me ver, eu tenho a solução. Várias formas de abrir meu coração. Vem me ver, eu sei o que importa. Várias formas de bater a mesma porta. E se perdeste o sono, menina, não ligue, ele sempre voltará.

E não vem me cantar “Eduardo e Mônica” para explicar o nosso amor, somos diferentes e fomos feitos um pro outro, mas sem frescuras, sem músicas bonitinhas com um coral de fundo. Não temos mergulhos em Fernando de Noronha, no máximo um banho de poço no interior do Maranhão. Não me venha com arco-íris, eu sei muito bem que não há potes de ouro no fim.

Agora estamos vivos, sem caminhos para cortar, agora estamos vivos e não dá mais para voltar. Nossos sonhos foram mortos, só o futuro saberá. E se perdeste esse eclipse terão outros para ver. As mentiras da sorte são verdades para você.

E você repete versos que guardei há muito, muito, tempo atrás dentro de uma gaveta junto com recibos de contas vencidas e guerras perdidas. Você me espanta com essa curiosidade e me deixa com medo de mudar o mundo só pra te ter.

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