nada especial

30 de junho de 2010

Aeroporto do Rio de Janeiro. Tédio. Ele compra a autobiografia do Agassi. Parece uma leitura interessante. Gosta de tênis. Seu laptop descarrega. Cabeça dói. Toca o telefone, sua ex. Resolve não atender. Toma outro gole d’água. Olha pro monitor da infraero. Delayed. Seus parcos conhecimentos de inglês o fazem saber. Atrasado. Que porra!

De novo o telefone. De novo o número. Na verdade, nem precisava olhar. Ela tinha um toque especial só dela. Pensou que teria que mudar isso. Pensou nas novas conquistas. Estava apaixonado. Mas era tarde demais. Ela tinha ido embora pra Manaus. Odiava o Amazonas, não sabia por que.

Olhou pro telefone. Uma Sms. “Cadê você? Preciso falar algo importante. Atende ou me liga de volta.” Ele sabia o que ela queria. Nada.

Lembrou de 6 meses atrás. Um senhor sentou ao seu lado no saguão. Sala de embarque. Cem Anos de Solidão, belo livro. Sim sim.
– Qual seu vôo?
– JJ 3280.
– O mesmo que o meu. Primeira vez que andarei de avião. Tô nervoso. Vou conhecer minha bisneta. Nasceu ontem.

Ele pensou que era um bom motivo pra viajar. Queria ter netos. Queria sonhar. Era jovem ainda. 30 e poucos anos. Nem tão jovem assim, pensou. Queria casar, mas não com a louca do fusca verde.

– O que te afliges, meu jovem?
– Estou voltando pra casa. Não sei o que me espera por lá. Minha noiva tentou me matar da última vez que nos vimos. A outra tá indo pra Manaus de vez. E meu coração tá em frangalhos.
– Besteira, rapaz. Todo mundo acha que sua história de amor é a mais dolorida de todas. Procure saber um pouco da história de Tristan. Ele sim, foi um cara que sofreu por amor. A mais bela história de amor da humanidade.

Agora entendia por que aquele livro estava na sua mochila. Lido pela metade. Uma leitura ótima. Uma história arrebatadora. Viu que nunca amou nada completamente. Apenas paixonites. Não teve coragem de lê-lo ali na frente de todos. Prefiriu o capitulo inicial de Agassi e suas dores de coluna.

* Tristan – Loreana Valentini. Dica de leitura pra vocês, apaixonados *

criança grande

29 de junho de 2010

Não lembro exatamente qual era o produto. Só lembro de uma propaganda antiga na qual o pai brincava com uma criança e de longe a mae e a mulher os observava. E a mae dizia: Ele nunca cresce. A mulher: ainda bem. Era mais ou menos isso. Nessa epoca eu me imaginava nessa propaganda.

Hoje, o homem contemporaneo é assim. Tem hobbies infantis como video-game, baralho, super-heróis e coisas assim. Nada de vinho com executivos. Nem charutos ou fondues. Ouvir rock e não mpb. E trabalhar com algo que se gosta. Sem perder a essência infantil. MAs sem ser sempre infantil.

Acho que sempre serei uma criança boba. com o coração semi-puro e tiradas engraçadas. Eu, meu video-game, minha HQs e peixes ornamentais.

“Eu sou criança grande sabe, e eu quero sair e pular nas poças se for pra te ver amar”

até a próxima dança

29 de junho de 2010

Era minha formatura. Eles eram o casal mais belo da festa. Dançavam num ritmo diferente, próprio. Vincent Vega e Mia Wallace. Aquele nado sincronizado. Dupla perfeita. Eu tinha orgulho de dizer que eram meus convidados, mas na verdade eu não tava nem aí. Eu sabia o que viria pela frente. Sempre conheci muito bem meus amigos. E de mãos atadas sempre os vi errando. Sempre. Quando tudo parece perfeito, sempre fazem ou falam algo que destrói. Confesso que por muito tempo fui assim. Proseco. Uisque. Cerveja. Frozen. E lá pelas 3 da madrugada. Eles já eram só figuras disformes. Gelatina. Beto Barbosa e Ana Botafogo. Valsa e lambada. Tapas e beijos. De repente uma lágrima. Um grito. Copos voando. Eu tinha vergonha de dizer que eram meus convidades, mas na verdade eu não tava nem aí.

Amanhã estaria tudo no mesmo lugar. Ela sorrindo e me ligando pra tomar um capuccino na porta da empresa. Ele marcando um jogo de poker na casa de alguém. Mas aquela noite era diferente.

– E agora, amor? Casa?
– Sim, eu caso.

Os olhos dela brilharam. O coração acelerou. E puft. Felizes até a próxima dança.

* E eu fui o tal do best man (padrinho). Despedida de solteiro organizada por mim, já sabe como foi, né? *

Better mistakes tomorrow

29 de junho de 2010

Enquanto ela, animada, recitava canção do exílio num ritmo punk rock. Eu só pensava em algo pra que minha cabeça não parasse de rodar. Amor, vamos sair. Amor, desliga a luz e vem deitar. E ela sentava na beira da cama, não querendo esconder o bico do tamanho da sua decepção. E eu sempre voltava atrás, bastava ver o contorno de suas curvas nas sombras do meu quarto semi-escuro.

Quando levantava e corria pro banheiro. Escova de dentes e banho frio. Ela nem se arriscava a vir junto. Preferia se esgoelar com Carry On (Angra). E de dentro eu gritava. Mô, Que André MAttos nunca lhe ouça. E que você nunca precise cantar pra viver. Ela metia a cara do banheiro e soltava um IDIOTA. Que parecia uma sinfonia aos meus ouvidos. Terminava o banho cantando Ainda é Cedo com um sorriso nos lábios.

Pra onde vamos mesmo. Que horas são. Ela já não me ouvia. Estava ao violão. More Than Words. Clichê. Então, parava e me olhava com aqueles olhos negros que pareciam bombons de café. Dando de ombros e perguntando O que você faria se meu coração se partisse em dois. Eu ignorava. Ela também. Vamos pro pub ver o jogo do Brasil. É Copa do Mundo, sabia? (Ela adora essas perguntas retóricas). Ah. Só vou se eu puder me fingir de argentino. Com sotaque e tudo. Tudo bem, serei a sua espanhola. Só quando voltar, amor, só quando voltar.

Solto um Hasta la vista, baby. Ela não ri. Cadê as chaves do carro. Dentro da geladeira, como sempre. Tô bonito? Sempre. Eu que tô me achando gorda. Sai dessa. Vamos. Vamos.

E agora parodiamos em dupla comunhão a música dos sete anões. Bem propício. Eu vou, pra casa agora eu vou. Parara-tibum. Parara-tibum. Depois nos demos conta do nosso engano. E rimos juntos. Abraçados. De mãos dadas até o carro.

– Vai Te Fuder!

28 de junho de 2010

Adoro quando meus amigos estão bem. Isso é normal. Mas quando eles se dão mal a gente ri. Não tem jeito. Primeiro aquele sorriso fuderoso de rolar no chão, pra depois um conselho e um abraço. Levanta, porra. ELa não merece isso tudo.

Lembro quando eu fazia 2º ano. Um amigo era apaixonado. A maior paixão que eu já conhecera até então. Era algo que me dava até pena. Sei lá. Nunca tinha pensado em passar por isso na vida. Pensar 24hrs ou pelo menos 12hrs numa pessoa só. Estar só com ela. Querer estar só com ela. E ela nada. Era foda. Eu ficava meio-puto. Mas não perdia nem a piada, nem a amizade. Eu estava ali no limbo. Bagunçava o possível.

Mas depois que vi o quanto ele sofria. Vi que todas minhas “paixões” eram coisas de criança. Éramos (ainda somos 5 grandes amigos).

Eu, o prático e namorador (no bom sentido). Ele, o estranho e apaixonado. Arnaldo, o Cdf estrategista. Edson, o sem sentimentos e Samir, o novato maluco.

Vamos lá. Ela se chamava Luciana. Era realmente bonita. Todos nós 5 e mais uns 30 eram loucos pra ficar com ela. E ele era, então nós 4 meio que reclinavamos.

Ele, irratadiço, concentrado-mais ou menos. Era fácil de sair do controle. E a gente não perdia oportunidades. Era engraçado. O amor pra ele era algo estranho, uma ferida, uma dor nova. Sei lá.

Sentavámos em sexteto. LAdo a LAdo. Edson e eu. Ela e Arnaldo. Ele e Samir. Logo, ela atrás dele.
Edson não era de estudos, era de bagunça. E Ele sempre cobrara isso do outro.
Certo dia, Edson esqueceu o caderno e pediu uma folha pra Ele. Ele deu. Outra, ele deu. Outra, ele deu. Outra? Porra, assim fico sem, miseravel. Ele explodiu. Eu ri. Arnaldo riu. Samir perguntou o que tinha acontecido. Ela riu.

E então dei a porra da folha pro Edson. Que desenhava. Escrevia poemas pra “paixão”. Gastava as folhas. Eu ria. Arnaldo ria. Ela ria. E Samir perguntava que horas eram.

Ninguém mais doava folhas pro Edson. Era praxe. Assim não dava. Então Ela pediu pra Ele uma folha. Ele, apaixonado, idiota, nem percebeu que ela tava com o caderno novo na mesa. E deu-lhe 4 folhas. Até hoje lembro do olhar dele ao vê-la repassá-las ao Edsón. Eu senti medo, mas ri. Arnaldo riu. Ela riu. Samir perguntou por que a aceleração não podia ser negativa.

20 minutos depois ela pede outra folha. Eu ri. Sabia qual seria a reação dele. Temi. Arnaldo arregalou os olhos. Edson mordeu os lábios. Samir queria saber qual principe austriaco tinha morrido pra iniciar uma guerra.

– Vai te fuder. – eu ouvi. E acho que as 60 pessoas da sala também.

O professor de História também ouviu, mas as palavras foram tão dolorosas que todos prefereriram ignorar. Nenhuma risada. Nenhum constrangimento. Foi como se ele só tivesse pedido pra ir ao banheiro. Até hoje eu lembro como é a dor de ser enganado por um amor.

E foi assim que essa paixão acabou. Ninguém conseguiu ser par dela na quadrilha. Nem ouve quadrilha. Ela foi pra Belém. Ele ficou pensando nela e vivemos nossa vida.

MAs até hoje lembro disso. O “vai te fuder” mais bem dito na história.

Eu-ropa!

28 de junho de 2010

As luzes o incomodavam. Ele não sabia mais pra que lado olhar. Muita gente. Ninguém especial. Ele e Stella. Stella Artois. (Stella Artois é uma autentica cerveja belga. Produzida com ingredientes selecionados e especiais, Stella Artois preserva um processo de fabricação exclusivo, que garante a sua qualidade superior). Lê-ra aquilo pela 8ª vez. Na 8ª garrafa. Long Neck. Lembrou que tinha um amigo que insistia em chamar longnet. Rio. Pensou que deveria ir à Belgica algum dia. Capital: Bruxelas. Ainda sabia todas capitais do mundo. Lembrou da belga que conheceu em Fortaleza. E como conseguiu uma pulseira pra aerea vip do show, que já não lembra qual, falando em espanhol com ela. Preud’Homme, copa de 94.

O pub estava cheio. Rolava um U2. Achava o Bono um pé no saco. Irlanda. Um país que não fede nem cheira. Lembrou de amigos que moraram lá. Riu de novo. Na TV, no mute, passava os gols da Holanda. Aí sim um país que merecia ser visitado. Sexo, Drogas e Rock’n Roll. All Night long.

Ao seu lado chega um carinha com a camisa da seleção francesa. Taí. Viadinho. Com seus biquinhos e sotaques. Mas queria comer um croissant com café olhando a Torre Eiffel. Quem sabe com sua garotinha ruiva. Ato contínuo, uma loira peituda chegou abraçando e beijando o “francês”. Uma bela espanhola, pensou e riu, mais uma vez.

Beber só, afinal, era um belo exercício de geografia. Tentou buscar na memória os 06 países que formavam a Iugoslávia: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia, Montenegro e merda, sempre esquecia um. Pensou. Belgrado, Zagreb, Liubliana, Saravejo, Podgorica e Skojpe. Opa, Skojpe é Macedônia. Memória, dessa vez não me venceste. Foi por pouco, mas não.

Desistiu de arranjar alguma companhia. Voltaria pro apartamento. Sozinho e com frio. Mais gelado que os países nórdicos. Que vibe meio europa hoje, hein? Lembrou que já fora apelidado de alemão no colégio, por causa dos seus ex-cabelos loiros. Hoje tinha mais cara de argentino ou cantor dos Los Hermanos. (Economize energia. Reciclar materiais é preservar o meio ambiente). Adorava ler rótulos. E adorava ainda mais mulheres vazias. Como as garrafas. Long Net.

Foi quando uma “coroa” chegou pra ele:

– Sozinho nessa noite fria?
Respondeu apenas levantando a Stella como afirmação.
– Prazer, meu nome é Karol.
– Da onde é esse sotaque? Deixa eu advinhar? Polônia, ok?
– Isso mesmo. Como soubes?

Ahá. Varsóvia. Eu ia chutar Ucrânia, mas a blusa vermelha fez mudar de idéia. Sou um gênio. O rei da Europa. Acordar com uma loira do lado é sempre bom, mesmo que ela não se chame Stella. Rumo a casa dela.

E mais uma vez meu apartamento não foi estreado. Nota mental: tenho que viajar pela Europa.

Ela Quer

28 de junho de 2010

Preguiça de escrever com vontade de escrever = merda. Mas pra o blog não ficar parado vou escrever aqui um poeminha. Pra Ela. Ela sabe. Eu acho. Enquanto o mundo não gira, estou aqui, ela láaaaa. Mas já estaremos lado a lado. Boa noite.

Ela Quer

(George Raposo)

Ela quer dançar comigo

Sem música, sem sombras

Ouvindo as batidas do coração

No ritmo daquelas ondas

Ela quer voar comigo

Para o alto e avante

Como se fosse um gol

Aos 45 do centroavante.

Ela quer contar seu medos

E depois me dar um beijo

Como se fosse simples

Deixar tudo pro desejo

Ela quer tudo que eu

Já posso dar a ela

Basta uma mensagem

E apareço em sua janela

E eu quero que tudo

Seja como nossos sonhos

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