Julgamento do fim do casamento.

21 de setembro de 2010

Como você se declara? Inocente, Meritissimo.Você sabe que tudo que você falar poderá ser usado contra você no tribunal? Prefiro me manter calado. Muito bem. Aqui estão os seus crimes:

O réu é acusado de homício doloso duplamente qualificado. Matou um coração de uma jovem mulher qualificado por motivo torpe e mediante dissimulação.

Também acusado de roubo. O meliante usou de força para tomar pra si todos os sonhos e planos da jovem. Violação de domícilio: ao entrar sem pedir autorização na vida de alguém.

Acusado de dano. Ao abandoná-la, o mesmo unitilizou-a pra qualquer relacionamento futuro. Nunca mais a vítima terá confiança em outra pessoa. Ele também cometeu o crime de Apropriação Indébita, já que ela depositou todas as fichas de um amor nele e ele se apossou e deu um novo fim nas fichas.

Além, é claro de Estelionato. Com sua voz mansa o acusado usando de artificios ardis convenceu a vítima a dar todo seu amor a ele induzindo-a a erro. Obtendo com isso inúmeras vantagens.

Por tudo exposto, Excelência. Esse perigoso meliante deve ser preso.Eis o parecer do Ministério Público.

Esse juízo dará a sentença. Culpado. Sempre. Sem choro nem vela.

100 anos de sofrimento é a pena. Eternamente vagando só pela vida. Sem poder amar ninguém.

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Sem pé nem cabeça

29 de agosto de 2010

– Qual sua canção de amor predileta?
– Não posso te dizer. Nunca a dediquei pra ninguém. Vai tocar no meu casamento…
– Hum. Frescura. Então diz a segunda.
– Tá bom. Direi a terceira. The Way YOu Look Tonight
– E a segunda? O que houve com a segunda?
– Ela também vai tocar no meu casamento. A primeira é na minha entrada, a segunda é na hora da valsa.
– Poxa, e eu não vou poder escolher nenhuma música?
– Vai sim. Só não a da entrada e da valsa.
– Posso cantar GReat Balls of Fire?
– Se conseguir, pode sim.
– Oba. Casa comigo?
– Caso.
– Quando eu voltar pra cidade então a gente vê.
– ok.

Em uma cerimônia de casamento numa igreja qualquer, numa cidade imaginária. A mulher com os cabelos vermelhos de fogo vira pro cara da gravata de bolinhas amarelas e diz:

– Tu ainda acredita nessas baboseiras?
– No Amor? Em Casamento? Ou nas histórias que tu conta?
– Saliente.
– Sempre.
– Em casamento! Tu ainda acredita?
– Algum dia eu acreditei?
– Não vem com essa, tu já até me pediu em casamento uma vez.
– Mas isso não quer dizer que eu acredito!
– Quer dizer o que?
– Que era o que eu precisava falar pra ter o sexo que esperava.
– Saliente.
– Sempre.

Conversa de botas batidas.

27 de julho de 2010

Lá estava eu no meu carro, procurando desesperadamente uma loja pra comprar o presente de casamento pra um casal de amigos. Eu não sabia onde era a loja que eles tinham escolhido. Então, a solução era ligar pra única pessoa que eu não deveria ligar.

– Tu não sabe o quanto meu coração acelera quando vejo seu nome piscando no meu celular!
– É por que tu ainda me ama?
– Sim.
– E por que então a gente não está mais junto?
– Porque o amor não é tudo.
– Então passei a vida toda sendo enganado pelo Beatles quando dizem que All You Need Is Love.
– Nem sempre a gente quer o que precisa.
– Preciso de ti.
– Eu também.
– Preciso que tu me diga onde é que fica a loja pra comprar o presente do casamento?
– Na Av. dos Holandeses.
– Ok. Muito obrigado. Boa tarde
– Boa.

Despedida da Sinuca

26 de julho de 2010

Depois que ele resolveu marcar a data do casamento, era hora de fazer a despedida do Bar. Certas coisas eu não entendo. Logo ele, que todos pensavam que seria o último a casar, seria o primeiro. Então tinhamos que organizar a “última partida de sinuca – em busca da tacada perfeita” .

Chamou os amigos mais próximos. Velhos companheiros de bebida e balada e farra e vômitos em banheiros sujos. As ‘primas’, profissionais do sexo ou mulheres fáceis mesmo que ele conhecia, que todos conheciam. E como.

O local foi aquele Bar que tem a cerveja mais gelada e as mulheres mais quentes. Além das mesas de sinuca mais alinhadas. E então, que comece a vida fácil.

Ele bebeu como nunca. Jogou como sempre. Se perdeu em ambas. Fumou baseados que foram preparados pelos carinhas da Zona Sul. Liberdade.

Já eram 5 da manhã quando ele se sentou na rua. Começou a chorar. Pegou o violão e resolveu cantar. Nunca tinha ouvido “Paint It Black’ soar tão black. Quebrou o violão em 4678 pedaços e logo já estava entrando no banheiro com duas damas.

Eu tentei imaginar o que ele estava sentindo. Nunca mais discutiria futebol, política, religião, capitais da Africa numa mesa com os amigos. Nunca mais daria um beijo sem compromisso numa roqueirinha qualquer. PAssar o fim de semana de bar em bar sem se preocupar em chegar em casa na Terça-feira, meio dia.

Agora teria que passar o dia no computador. Trocando fraldas por aí. Com a mesma mulher todas as noites. Numa cama gelada. Lavar louça e limpar banheiro. E de vez em quando ele olhará pra lua e lembrará de tudo. Sentindo saudades dos dias de alegria, das noites de boêmia e da busca pela tacada perfeita.


Marujo – Raimundos

Vou contar uma história para o povo brasileiro
e também pros companheiros que vivem em auto mar
O marujo sai de casa e deixa a família chorando
os filhos vão se criando sem pegar amor ao pai
Aprende a mexer no leme e as batatas descascar
Ele tem um headphone onde só toca ska
Maria não sai de casa pra não dar o que falar
É por isso que o marujo nunca deve se casar

Meu bem meu bem

É por isso que o marujo nunca deve se casar

Aprende a mexer no leme e as batatas descascar
Ele tem um headphone onde só toca ska
Maria não sai de casa pra não dar o que falar
É por isso que o marujo nunca deve se casar

Vou contar uma estória para o povo sertanejo
É sobre um maconheiro que nasceu no Ceará
Ele veio pra Brasília e comeu uma mulher
Logo que teve uma filha chamou de Maria José
Mas o tempo foi passando e ele teve que se alistar
Escolheu logo a marinha pois nunca tinha visto o mar
Sua mulher desesperada não parava de rezar
É porque o Zé Pereira não sabia nem nadar

Meu bem meu bem
E o resto da estória não precisa nem falar

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