Um feriado qualquer

12 de março de 2012

Era um feriado qualquer onde as pessoas andam de mãos dadas pelos parques da cidade exibindo seus melhores sorrisos e cores. Sim, cores estapafúrdias sendo exaladas como se fossem perfumes vindos de flores na primavera.

Ela estava lá sentada, sozinha no seu banco de madeira lendo algum livro escrito em alemão, como se fosse normal estar ali lendo aquilo. Seus olhos se perdiam linha após linha em gravuras de coalas e cangurus e não parecia muito com a Austrália. Aliás, do que será que se tratava um livro alemão sobre coalas e cangurus? Era uma dúvida cruel que nunca poderei responder.

Eu queria uma bicicleta para acompanhar o mundo e girar ao redor dela. Fazer como os planetas fazem na órbita do sol. O sistema solar, era agora um sistema coala-alemão de ser. Poderia ser escrito em latim e ter uma ala especifica para ele na biblioteca.

Eu, que confundo paixões com nomes indígenas, continuei a caminhar com Guido, meu Pastor de Shetland e esqueci que era segunda-feira. Mas era feriado, um desses feriados quaisquer em que os pais levam seus filhos para conhecer o zoológico e cansam da energia pura das crianças.

Guido se apaixonara por uma poodle miniatura que tinha recém saído da Pet Shop e estava extravagantemente pintada de rosa. Provavelmente, Anna reprovaria aquela paixão, mas eu não ligava para as cores do feriado. E não poderia interferir na paixão canina do meu melhor amigo.

Ele perguntou se ela vinha sempre aqui, afinal nunca foi tão bom de paquera. Ela respondeu que só em ocasiões especiais como hoje. Era engraçado vê-lo flertando tão descaradamente enquanto ela cheirava o seu traseiro e balançava o rabo. Ele queria exibir seu perfil atlético ao apanhar o frisbee ainda no ar. Ela mantinha seu olhar esnobe. Aquele típico de patricinhas em shopping centers.

A liberdade de um feriado qualquer desses em que os pombos ficam felizes por terem milhões de pessoas doando migalhas de seus pães para o café da manhã, almoço, lanche das quatro e jantar. O vento batendo no meu rosto enquanto descia as ladeiras do parque com o meu skate novo, projetado e desenhado por um japonês com espirito criativo, era tão bom se sentir bem, eu e o meu cachorro tendo um programa para machos.

Programa esse que era meio vergonhoso quando eu tinha que enfiar a mão em um saco plástico para catar o cocô do meu amigo, mas a nossa amizade mantinha-se intacta já que ele fazia companhia naquela solidão de feriado qualquer sem o meu amor.

Depois de ter o seu coração partido pela segunda vez por uma Cocker spaniel tricolor ele queria voltar para casa, para o nosso apartamento colorido na Liberdade. Provavelmente, Anna já teria voltado de sua viagem para visitar a mãe e então jantaríamos todos juntos sentados no chão assistindo a um programa esportivo na TV a cabo.

Na verdade, essa era minha felicidade em um feriado qualquer em que meu amor esteja comigo e meu melhor amigo aprenda a fazer xixi no lugar correto.

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