Spoiler da vida real

14 de dezembro de 2010

esse sou eu...@gdinamite, prazer!

Encostado em um sofá qualquer dessa paulicéia que me venderam como desvairada, a capital por direito do país está sob meus pés. Aqui não tenho a areia branca das bandas de lá, não tenho medo, fome, juízo: vou vivendo com abraços Nissin Miojo que após 3 minutos de fervura são suficientes para matar minha fome de algo que nem sei o que é.

Às vezes o telefone agarra-me de sobressalto e fico na dúvida se atendo com essa voz trêmula ou  fico ouvindo a melodia do toque polifônico. Quando decido atender, a ligação cai. Então passo o resto do dia lamentando o que podia ter sido e não foi. Aprendi uma palavra nova e acho que ela encaixa-se aí: UCRONIA. Pensei que fosse pornografia, mas é apenas isso de algo que podia ter sido diferente… Maluquice essas coisas!

Ah, pronto, agora que comecei a pensar, desatino n’um sem fim de mistura de todos os personagens que vi e li nos últimos tempos. Nos antigos também. Quem sabe entrei em um labirinto sem novelo de lã e todo o problema está porque não sei quem é meu minotauro. Talvez eu mesmo, talvez você…

Mas não preciso mais da linearidade. Quem precisa de linearidade nos dias de hoje? Nem de bondade eu preciso, quanto mais… Com um papel e caneta eu sou capaz de te reconstruir de forma que nem Pitanguy conseguiria. Aposte suas fichas em mim e o que acontece em Vegas , fica em Vegas, baby.

Pena que meus cassinos interiores nem sempre têm mil lâmpadas de neon. Por isso encolho-me e fico esperando eu acordar com capa queratinizada, antenas e asas. Um dia algum autor perceberá que sou uma barata gigante na tua vida. Poxa, por que não pode ser logo? Se quer me amar, ame agora!

Sóbria, pouca e sã

4 de dezembro de 2010

– Em qual mundo tu vives?

Gostava de iniciar diálogos abruptamente. Pra quê “oi” quando muito mais poderia ser dito? Era uma das maneiras que usava pra quebrar convenções e achar que tinha algum tipo de independência.

E ele era a quebra da linearidade prevista. Não que não conhecesse outros tantos tipos assim, mas só ele era bêbado, rouco e louco.

Então ele interrogou por que tal pergunta e ficaram em uma gangorra de perguntas e respostas. Às vezes ela tinha a impressão que ele não era deste mundo ou, pelo menos, do mundo dos ditos normais. Nesse momento ela gostava de citar qualquer um desses clássicos que aquele pessoal cult faz questão de citar em qualquer tipo de conversa, mas ela não sabia ao certo o que estava fazendo.

As conversas com ele parece que criavam vida própria e já faziam parte da sua vida. Na verdade, uma outra parte oriunda de si, mas de gênese diferente… Pensando bem, seria uma metástase? Talvez sim, pois algo do tipo havia de ser patológico, claro.

O fato é que suas resposta vinham com uma automaticidade, imperativos não pensados que poderiam ser mal interpretados pelos outros, que poderiam inconscientemente ter significados que ela não atribuía.

Significados, explicações, indagações… Com ele não tinha nada disso, pelo contrário: o enigma e somente o enigma, nada de gabaritos, sem certezas. Diferentemente das outras vezes, ela preferia assim. Tanta gente chata no mundo, pra quê mudar aos seus moldes um tipo exótico como ele? Praticamente um crime ambiental, pensava.

– Porque tu colocas a mão no queixo, despenteia o cabelo e teu mundo é ali, só ali.

Tinha a impressão que ele trancava-se em uma cápsula despropositalmente e sofria as conseqüências disso. Queria ajudar, mas não podia já que o mundo dele era fechado pra visitação. Sentia-se impotente e às vezes chegava a pensar que faltava era um balde de água fria ou algum coelho atrasado que mostrasse a ele que o tempo passa e que todos estamos atrasados.

– Que mal tem meu mundo?

Não enumeraria explicações dicotômicas baratas. Nem mal, nem bem. Explicações são impalpáveis, sorrisos não. Como diria uma amiga dela, “se faz sentir, faz sentido”. Na verdade, era uma auto-crítica que ela nem sabia que fazia a si mesmo, só quando relia tudo depois.

Por mais que muitas vezes chegasse a conclusão que teria muito a ensiná-lo, no fundo sabia que aprenderia. No fundo? Na superfície! Ela não sabia nadar e ele não sabia andar de bicicleta. Ele não comia ovo e ela comia um sanduíche de ovo enquanto escrevia sobre ele. Ela achava que sabia tanto dele e ele descobria tudo dela. Ao mesmo tempo tudo era uma queda livre que desafiava a Física Moderna, um campo gravitacional cuja aceleração era constante, mas não caiam.

– O que tu queres que eu faça?

Diria, mas ela lembrou que seria egoísmo e um tipo desses não vive em cativeiro. Ela sabia que ele precisava da vida selvagem, deixar o cabelo crescer e continuar escrevendo como se estivesse em uma maratona e não fosse ser pego no exame anti-doping. Lembrava disso sempre.

Nem sempre as histórias têm um final e naquele mundinho o Pequeno Príncipe misturava-se com a figura da flor. Como pensar diferente de quem é capaz de ser herói e vilão, de quem é sua fuga e sua prisão?

– …não sei ficar de boca fechada.

Ela nem queria isso, não precisava disso. Antes o mundo era cinza e ele conseguiu respingar pontos coloridos ali. Preto, branco, cinza, mas agora com borrões tortuosamente coloridos.

– Não quero mais mundos cinzas.

Ela nunca sabia o que dizer e dessa vez respondera somente com uma cara exclamativa e silenciosamente pensou “nem eu”.

Passarinhando

25 de novembro de 2010

Era uma vez uma poetinha metida a gente grande e que não sabia explicar-se. Recorria a opiniões alheias procurando conceitos que a definissem. Mas um dia colocaram-na à prova: descreve-te ou devoro-te. Não desobedeceria uma ordem daquela Azeitona Suicida que é bem mais que bytes para ela. Então vamos nós: Transbordo , Salvo Aqui, Monaliso e neste recinto sou um fruto com problemas psicológicos, praticamente uma esquizofrenia na blogosfera.

Já disseram que sou inspiração para o samba que o malandro jamais escreveu e nem sei sambar! A verdade é que tenho mais faces que um poema drummondiano e sou uma licença poética. Penso em versos e falo em rimas, mas meu lirismo encontra-se n’uma garrafa jogada em alto mar. Boatos também de que o canto que você ouve nas conchas na praia é meu sussurro pedindo socorro, pedindo que alguém venha me salvar, boatos… Acho que por enquanto é suficiente para entender meus posts por aqui, aos poucos vocês irão descobrir bem mais.

Ah, nem tudo que escreverei também será verdade, tal como o GD. Mas isso não impede que pitadas de realidade venham percorrer alguns possíveis posts de desabafos já que sou passarinho que está saindo do ninho pela primeira vez e ainda não aprendi a voar. Segura na minha mão e me ensina?!

Prazer, meu nome é Jéssica.

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