Despedida da Sinuca

26 de julho de 2010

Depois que ele resolveu marcar a data do casamento, era hora de fazer a despedida do Bar. Certas coisas eu não entendo. Logo ele, que todos pensavam que seria o último a casar, seria o primeiro. Então tinhamos que organizar a “última partida de sinuca – em busca da tacada perfeita” .

Chamou os amigos mais próximos. Velhos companheiros de bebida e balada e farra e vômitos em banheiros sujos. As ‘primas’, profissionais do sexo ou mulheres fáceis mesmo que ele conhecia, que todos conheciam. E como.

O local foi aquele Bar que tem a cerveja mais gelada e as mulheres mais quentes. Além das mesas de sinuca mais alinhadas. E então, que comece a vida fácil.

Ele bebeu como nunca. Jogou como sempre. Se perdeu em ambas. Fumou baseados que foram preparados pelos carinhas da Zona Sul. Liberdade.

Já eram 5 da manhã quando ele se sentou na rua. Começou a chorar. Pegou o violão e resolveu cantar. Nunca tinha ouvido “Paint It Black’ soar tão black. Quebrou o violão em 4678 pedaços e logo já estava entrando no banheiro com duas damas.

Eu tentei imaginar o que ele estava sentindo. Nunca mais discutiria futebol, política, religião, capitais da Africa numa mesa com os amigos. Nunca mais daria um beijo sem compromisso numa roqueirinha qualquer. PAssar o fim de semana de bar em bar sem se preocupar em chegar em casa na Terça-feira, meio dia.

Agora teria que passar o dia no computador. Trocando fraldas por aí. Com a mesma mulher todas as noites. Numa cama gelada. Lavar louça e limpar banheiro. E de vez em quando ele olhará pra lua e lembrará de tudo. Sentindo saudades dos dias de alegria, das noites de boêmia e da busca pela tacada perfeita.

Ana

9 de julho de 2010

O tédio era seu melhor amigo, na verdade não costumava chamá-lo assim, gostava de passar um tempo só, pensar, refletir. Sentada em seu banco preferido nos amplos jardins de sua casa, a madrugada não parecia assustá-la. Era fã do silêncio, mas mesmo assim resolveu dedilhar algo em seu violão. Aquele clima soturno era propício.

But I’m in so deep. You know I’m such a fool for you.
You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha.
Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger?

Sua voz ecoava nas paredes brancas e dava a impressão de ser a melhor cantora da face da terra. Mas a emoção contida naquelas palavras era tanta que até era crível. Lá do alto do muro, sentado, tomando um copo de vinho alguém a observava, mas estava oculto pelas lágrimas que escorriam do rosto dela.

Ao fim da música, Ana notou que algo estava diferente. Uma leve brisa batia nas folhas, sentiu medo pela primeira vez na vida. Olhou para o seu redor buscando o que a inquietava. Bateu os olhos numa figura estranha, um homem estava observando. Era uma figura estranha, mas não sentiu mais medo. Estava todo vestido de branco e emitia paz, muita paz. Teve a impressão de ver uma nuvem pairando ao redor dele, mas supôs que era apenas imaginação vinda das taças de vinho que tinha tomado.

– Olá, minha linda, não pare de tocar. Tens a voz mais bela que já ouvi. Tens o dom de trazer paz a este meu coração já tão destroçado que nem sabe mais.

Ficou alguns segundos sem ter o que dizer. Aquele rosto estranho era familiar, um sorriso intrigante. Não chegava a ser bonito, mas atraia ela de modo assustador. Não sabia o que responder. Não sabia o que pensar. Não ousou falar. Apenas começou outra canção:

I’ve been roaming around
Always looking down at all I see
Painted faces, fill the places I can’t reach
You know that I could use somebody
You know that I could use somebody
Someone like you, and all you know, and how you speak
Countless lovers under cover of the street

– Gosta dessa? – inquiriu ao terminar. Mas ele não estava mais lá.

Resolveu que já era hora de voltar para o seu quarto. Não sem antes olhar para todos os lados, o medo voltou. Mas agora era uma sensação mais estranha ainda. Queria saber tudo sobre aquele homem. Se realmente existia ou se era apenas fruto de sua imaginação. A tristeza profunda já não era sua amiga, agora a curiosidade e uma fome tremenda tomaram conta do seu corpo.

De onde viera aquele homem? Não tinha vizinhos. Não tinha ninguém por perto. Não.

Preâmbulo ou Epílogo

3 de maio de 2010

Olá, pessoas. Estou escrevendo uma história, na verdade um livro ou sei lá o que vai dar. Resolvi fazer um texto introdutório, mas que acho que na verdade será usado no meio ou no fim, já que diz exatamente o que deve ser descoberto no meio/fim do livro. Mas como vocês são especiais, deixo aqui pra vocês o clímax de tudo…pode ser um aperitivo ou pode ser que ninguém queira mais saber da história.

O Arcanjo Perdido (título provisório)

Horário vago. Hora de cultivar o ócio. Renata, sentada na posição de lótus, rabiscava algo em seu inseparável caderno de desenho. Mascava um chiclete de melancia, na verdade eram dois. Tinha uma obsessão por eles. Sentada ao seu lado, Larissa dedilhava acordes sem nexo no seu inseparável violão, enquanto observava um desenho surgindo nas folhas da amiga. Não suportava o gosto do chiclete de melancia, na verdade odiava chicletes, mas o cheiro vindo da amiga era muito bom.

– Não se mexam. – gritou, de certa distância, Érica com sua inseparável maquina fotográfica.

Érica, Larissa e Renata se conheciam desde que poderiam se lembrar. Andavam juntas. Estudavam juntas. Para os outros era impossível pensar em uma separada das outras.

Ele sempre as observava de longe, sempre achando que se juntassem as três ali resultaria na mulher da vida de todo homem.

“Adorava” o jeito meigo da Renata. O modo como ela, mesmo sem fazer nada, era facilmente notada no meio da multidão. Seu olhar tristonho, cara de choro. De quem precisa de carinho e cuidado.

Era “alucinado” pelo modo com a Érica chamava a atenção de todos. Sempre. Falava muito e bem, sempre sendo o centro de qualquer roda de amigos. Sorria sem parar pra tudo e todos, mas sabia ser rude e sarcástica quando preciso. Tinha o poder e sabia disso o que fazia dela muito perigosa.

Mas o seu “amor platônico” verdadeiro era a Larissa. Com sua voz de pássaro, seu rosto angelical, seu jeito de fazer todo mundo se sentir bem, da paz que transmitia. Era simplesmente apaixonante. E um garoto tímido como ele se tornava presa fácil.

As três sabiam do poder que exerciam sobre os homens. Cada uma a seu modo. Vangloriavam-se de não terem se apaixonado ainda nessa vida. E achavam tudo aquilo algo bom, estar imune ao grande sofrimento que é o amor.

Em seus anos de “pesquisa”, começou a realmente gostar daquelas meninas/mulheres. Sabia tudo que precisava para chegar ao seu objetivo. Tinha tudo planejado. Sua única paixão era seu “trabalho”, além de ser um grande estudioso da chama vida humana.

Então ele, o anjo, teria a incrível missão de fazê-las se apaixonar. Era pra isso que teria sido mandado a vida real. Parecia uma tarefa bem simples já que ele poderia ser qualquer coisa e tinha em suas mãos todas as informações possíveis para isso.

E assim, vestiu sua melhor cara e disse: – Que o jogo comece.

* escrito por George Raposo*

pouca vogal

22 de outubro de 2008


Humberto Gessinger + Duca Leindecker = Pouca Vogal
Engenheiros do Hawaii + Cidadão Quem = Pouca Vogal

Voz + Violão + Piano = Pouca Vogal

Sensacional!

Baixem “Além da Máscara” e “Depois da Curva”
“Tententender” – “Pra Quem Gosta de Nós” – “O Vôo Do Besouro” e “Na Paz e Na Pressão”

Quem dera em algum sonho eles venha fazer um show aqui em São Luís

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