Vamos emagrecer nosso amor?

4 de março de 2013

exhausted_runner

Posso começar falando em emagrecer. Buscar um peso melhor para uma vida melhor. Para o meu abraço encaixar melhor no seu. Para poder dormir de conchinha no sofá da sala assistindo a algum musical daqueles bem chatos.

Se eu pudesse viraria vegetariano só para poder mostrar para você que estou realmente tentando. Não quero fazer a barba nem cortar o cabelo. Talvez diminuir a barriga faça você olhar para mim. Ficarei horas e horas na esteira ouvindo Techno como se fosse uma coisa normal para mim.

O amor precisa de ossos para se sustentar. Eu acredito nas gorduras localizadas. Naquele lugar abaixo da costela onde eu possa te morder. A gente se ama debaixo d’água em alguma aula de hidroginástica na piscina do prédio. A gente vence o tédio inventando receitas com baixa caloria. Nossa vida é melhor se for light.

Agora eu escrevo com uma lata de coca-cola zero do lado do computador. Uma caneta e um papel estão ali só para me observar, vigiar se não vou assaltar a geladeira para trair você. Não tenho mais amigos e churrascos nem cerveja e tira-gosto. Só falo agora de passeios ciclísticos e flores mortas no asfalto quente.

Por favor não corte o peso morto do seu sofá. Me deixei aqui pelo menos até o fim do mundo. Quero sentir seu abraço enquanto você se deixa apertar por meu corpo macio. Uma nuvem ou um algodão doce. Eu preciso de carne. Não aguento mais ver a cor verde na minha frente. Ainda bem que não sou palmeirense nem torço pro Boston Celtics.

Deixa que o amor se encaixa. Uma seleção natural de gordura e regime. Não venha mudar nosso regime de casamento. Quero comunhão total. Vamos dividir tudo e misturar. Quem sabe bater no liquidificador.

As barras de cereais acabam com o amor. Viram kriptonita e as forças de lutar por nós dois começa a ruir. Preciso de uma feijoada bem suculenta. Uma carne das mais gordurosas aí eu aguento até o fim dos tempos ao seu lado. Lavando os pratos e trocando as fraldas.

Não me faça pular corda. Não aguento mais levantar os pesos, cortas os pulsos, esquecer as contas para pagar. Não me venha com essa. Adoro frutas, odeio a obrigação de comê-las. Quero um abraço e ficar contando piadas até adormecer.

Um copo d’água antes de dormir no lugar do leite nosso de cada dia. Não quero oração, mas agradeço por todos os dias, horas, minutos e segundos ao seu lado. Passando fome. Doendo a cabeça. Esquecendo porque eu estou com você. Talvez seja mesmo amor.

Não preciso de regime. Só preciso melhorar o meu corpo para poder viver o máximo de tempo ao seu lado. Correr com o cachorro no parque. Nadar com as crianças. Escalar as montanhas quando você acordar bem disposta. Dar uma volta no trio.

Não farei como o Frejat. Não faço qualquer coisa por você. Faço tudo por nós dois. Esqueço até que nasci para comer carne. Como folhas, frutas e cereais. Largo o pão nosso e substituo o macarrão por abobrinha.

Mas me dê um pedaço desse seu hambúrguer que a felicidade virá mais rápido.

Apenas bons amigos…

4 de outubro de 2010

Conversa de ex-namorados é sempre estranha, não adianta quanto tempo já passou da separação. Não importa quantas bocas se passaram. Sempre haverá um sorriso amarelo e um frio na barriga. Acho que é da idiotice natural dos humanos  ou da quantidade de músicas de Cat Stevens que tenham escutado. Ela pensa que ele vai tirar mil perdões do bolso da bermuda, cheio de promessas de amor sem fim, fidelidade e vistas pro mar. Ele pensa que ela fará um escandalo pedindo desculpas por tudo e no fim terá pole dance e strip tease regados a champagne e banheiras de motel.

A pior hora certamente é aquela na qual o assunto acaba, tempos atrás tudo era resolvido com um beijo apaixonado mas agora ambos não têm mais essa alternativa então só resta uma piadinha sem graça. E prazer em vê-la. Depois tu me devolve aquele livro que ficou na tua casa. E eu acho que meu delineador ficou no seu quarto. Mas o que é mesmo delineador? Ah. Eu vi mesmo, joguei fora. E ela sai bufando com a mesma cara de “ele nunca vai aprender” do tempo em que passaram juntos.

Ele para na Pizzaria Internacional e pede Fanta Uva com pizza de Presunto. Ela vai pra Rossetti e toma um sorvete de doce de leite. (Talvez seja só pra contrariar que pedem exatamente o pedido predileto um do outro ou uma forma de disfarçar a saudade com memórias gustativas). Li isso em algum lugar.

No caminho pra casa, se encontram novamente. Ela acena com um sorriso imenso sujo de sorvete e ele dá aquela piscada de longe com medo de sorrir e mostrar alface entre os dentes. Num jogo de xadrez. Ela é a rainha e pode se movimentar como bem entender. Ele é só o Rei e tem que caminhar passo a passo. Apenas bons amigos. Ecoa em suas mentes vazias. Que nada.

Ele sai iludido que ela ainda o ama. Ela sai iludida que ele ainda o ama. Os dois estão bem melhor agora. Longe um do outro. E com amigos sempre arrumando o que fazer pra que a tristeza não sequestre os dois…

%d blogueiros gostam disto: