Uma vez no mar, sempre à deriva

26 de junho de 2012

Sabe quando você prepara aquele plano infalível em que nada pode dar errado, tudo parece perfeito? Foi assim que eu me sentia quando te conheci. Estava no meio de um processo que só daria certo. Pensei em velejar ao redor do mundo, mas você retirou todos meus ventos.

Você é o fracasso que eu gosto de enfrentar. É o maior problema de todos os que eu jamais pensei em ter. Eu gostaria de botar toda culpa de tudo em cima de você, queria culpar você pela chuva na hora errada, pelos dias quentes quando o ar condicionado quebrou, queria xingar suas próximas gerações, nossas.

Lembro que você mudou meus planos. Queria roubar a felicidade do mundo só para nós dois e sair impune. Quis ser o amor da minha vida no meio do maior fracasso. Abraçando mais forte que podia, tentando não chorar. Não seguir a luz.

E dormindo pensa nos sonhos que acordada não conseguiu realizar. Uma vez mais. O amor não precisa ser tão preguiçoso. Mas como eu posso viver sem você agora? Andando por um telhado de cacos de vidro pra não me machucar.

Quebra o silêncio falando de alegria. Quebra a alegria brincando de fazer silêncio. Tanto tempo chorando sozinha, tanto tempo sorrindo no escuro. Deixe a luz pra nós dois. Deixe a luz pra depois. Como um disco que você esqueceu de virar.

Eu sigo tentando embarcar no porto, em meu velho barco fadado a afundar. Talvez eu leve você comigo, talvez eu leve todo o peso da sua felicidade. Talvez eu seja feito daquilo que você ainda precisa. Mas a escolha é sua.

Você já perdeu tanto nessa vida. Chegou a hora de virar o jogo. Venha para o meu lado e lutaremos juntos contra o naufrágio do amor. Como um relógio a prova d’água a gente segue nadando e dividindo um pedaço do Titanic até aparecer o resgate.

Calma, amor. Assim você está correndo rápido demais pra mim, eu não consigo te acompanhar. Deixa o verão pro ano que vem e vem me dizer o que te deixa triste. Diminua o passo, por favor, e pare de me contar mentiras. Não seja igual a todas, não corra como uma louca quando a merda chega. Fique comigo, talvez até me beije.

Quando você vai aprender que cada mentira sua é um pedaço meu que se desfaz? Eu sou fruto da sua imaginação e se você mentir pra si mesma eu vou embora. Deixarei um bilhete dizendo que o mar é meu melhor amigo e o vento que você me roubou ainda vive em algum lugar.

E já que você está sozinha plante o seu melhor pensamento e regue com ideias frutíferas quem sabe assim eu nasça de novo e volte pra seus braços, na felicidade.

Enquanto isso, sigo no mar às vezes perdido, às vezes sozinho. Esperando você me resgatar, mais um náufrago em sua ilha. Mas, amor, eu procuraria comida pra você toda noite, faria um abrigo e talvez até curaria suas pequenas feridas caso você sangrasse. Já cansei de pedir perdão, pedir uma rede ou um boia para não afogar.

                Mas agora eu vejo que todos esses planos, todos esses anos você esteve tentando ser feliz por mim.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: