Talvez não haja amor à beira-mar

10 de janeiro de 2012

Não alugue seus sentimentos. Não tente vender tudo o que sabe para qualquer revista sensacionalista, meu amor. Nós ainda podemos continuar atravessando a mesma ponte, no mesmo horário, eternamente.

Não diga que está perdida. Que perdeu a fé. Que não aguenta mais ouvir as músicas ruins do apartamento vizinho. Espere a aurora e quem sabe os bons ventos trarão novidades. Sempre prometo trazer boas notícias nas minhas malas. E se por acaso, as malas extraviarem você sempre terá o meu coração.

Era só isso. Um incêndio sem chamas clamando por dias melhores. Uma pista de pouso desativada no meio do sertão. E lá vem você me dizer todos os “nãos” que eu poderia ouvir seguidamente nessa encarnação.

Então, prometa nesse ano novo o que não prometeu em todos os passados. Esqueça os presentes. As vestes que a gente costumava usar. Venha para o meu recanto, com os olhos cheios de tesão e vamos nos amar. Uma vez. Uma semana. O mês inteiro, por toda a vida.

Se fosse tão fácil eu não estaria aqui nesse navio acenando para a praia vazia fingindo que você estava lá. Você nunca esteve em lugar nenhum. Talvez mais ao sul. Talvez mais feliz. E eu sigo aportando meu coração em portos desertos, sem ninguém por perto pra me indicar a direção correta.

Talvez não haja mesmo amor à beira-mar.

 

 

 

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