Doce, salgado e guarda-chuva

24 de outubro de 2011

Devo ter perdido alguma coisa ao atravessar a faixa de pedestre que liga a infância a fase adulta. Algum ponto que não consegui ligar, sabe quando falta aquela letra fundamental da sua palavra cruzada? Assim eu tenho andado, procurando pelos becos da cidade achar alguém ou alguma coisa que me diga o que foi que aconteceu, onde foi o erro, de onde devo começar para que tudo possa se acertar.

Ela não dormiu essa noite, novamente se perdeu entre copos de tequila e cigarros baratos na Rua Augusta. Toma sustos a cada esquina como quem deve muito na praça e não quer ser achado, ela só quer saber de rebolar sua saia roxa por onde não existe ninguém que possa julgar o seu certo e o errado do resto do mundo. E eu nessa estória como fico?

Fico em casa seguindo os passos dela da minha janela, como um perseguidor psicopata de pijamas litrados e olhos vermelhos de tanto perder tempo procurando no vazio do seu retrato alguma explicação. Eu não amo o mar, nem as escolas de samba com suas mulatas bundudas me fazem pensar em você. Nem quando gritam na sala de aula perguntando onde foi parar o amor, eu pisco. Pisquei nos momentos mais engraçados, perdi as piadas deixei ela ficar na minha frente na foto da formatura. Mas quando estás com ela, você é minha doce menina.

A essa altura, nossos caminhos já estão bem distantes. Ela fala quatro ou cinco linguas e conhece pelo menos 200 autores de clássicos da literatura enquanto eu aprendo inglês e não faço a mínima ideia de quem seja Machado de Assis. Já ganha milhões por ano enquanto minha mãe paga minhas contas via sedex. E eu na janela observando ela conversar com a tia do cachorro-quente. Quem dera ela me visse mais uma vez.

Subisse as escadas devagar enquanto assobiava aquela canção do Guns n’ Roses que você tanto gostava. Nós três daríamos um bom casal. E poderiamos até sair por aí no carro conversivel que ela deixa estacionado na minha garagem. Enquanto você faz a menina doce e sincera, ela seria o toque salgado e excitante da nossa trilogia. E eu? Eu seria apenas aqueles enfeites, tipo um guarda-chuva num drink qualquer. Descartavel, desnecessario, totalmente inutil.

E agora vocês duas descem a rua para um lugar qualquer, dividirão beijos, queijos e baseados. Serão felizes como no dia em que conheci você, ou o dia em que ela resolveu me dar uma lição que nunca esquecerei. Mas qual era mesmo a lição? o mundo às vezes parece tão pesado.E essa modernidade é muito veloz para mim.

 

Anúncios

2 Respostas to “Doce, salgado e guarda-chuva”

  1. Anna Lígia Says:

    Saudade de vir aqui e ver o que tens escrito.

    Como sinto tua falta, meu GDzinho.

    Um beijo bem grande, do tamanho da rua augusta. =)

  2. belzinha_ Says:

    Me identifiquei com a sua personagem.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: