A mesma rua

13 de setembro de 2011

Era a mesma rua, com os mesmos cabelos cacheados das ondas do mar. Era o mesmo silêncio a ferir meus tímpanos com pontas afiadas. Não tinha ninguém capaz de me dizer pra onde ir, se deveria atravessar na faixa de pedestres ou esperar o sinal abrir. Não tinha razão alguma pra estar em qualquer lugar a essa hora da manhã.

Procuro um amor, qualquer tipo, que calce 35/36 e saiba conversar mais que vinte minutos numa fila do pão. Quero o sabor do seu sorriso puro em pensamentos impuros, esperando a hora de partir pra solidão a dois.

Mas ainda era a mesma rua, uma ladeira cansativa como o resto dessa vida sem você. O cartão de transporte batucando com as moedas no bolso do casaco, uma última chance de mudar o que ficou pra trás. Como um mendigo que revira o lixo eu procurava qualquer imagem sua na minha memória, mas você nunca estava lá.

Os momentos felizes, os meus sorrisos mais sinceros, abraços mais ternos e vitórias mais suadas foram sem sua ajuda. Sem seu perdão, sua gratidão, sem qualquer coisa que tivesse ligada a você. Deixo a chuva cair na minha cabeça, esqueço da febre da semana passada e da tosse que ainda incomoda um pouco. Tenho um quê de auto-destruição que devo ter herdado de um lado distante da família. Ou não.

É então que ouço o telefone tocar, você, sim, ficou de ligar e o coração acelera.A esperança de um mundo melhor, a paz mundial e o combate à fome e a pobreza começam a bombear o sangue pelo meu corpo. Com sua voz o dia nem se parece com uma segunda-feira. Ou qualquer feira livre em algum ponto do país.

Você marca um almoço naquele nosso restaurante preferido, com cerveja alemã e chucrutes e coisas do tipo.

O sol volta a aprecer, a chuva já era. A rua, mesma rua, parece mnos inclinada e sombria. A tosse foi embora com a tristeza e os passsos começam a acelerar. Quero chegar antes de você, pedir uma música lenta, ou talvez aquela que você costumva dançar enquanto escovava os dentes. A gente sente que o sorriso não consegue fugir da boca, quero voltar a ser eu mesmo, ou ser qualquer coisa.

…mas você não apareceu.

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Uma resposta to “A mesma rua”

  1. Eliane Says:

    !o!
    Wõn…
    Bj. Li


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