cair do balanço…

12 de agosto de 2011

Poderia ficar aqui o resto da tarde, dedicando meu corpo cansado a um sol refrescante, como uma limonada suiça num dia frio ou qualquer coisa que pareça melhorar a vida lá fora. Poderia descascar todos meus problemas e depois ligar pra alguém pra contar as novidades daqui de cima. Parece que o mundo é bem legal quando visto de cabeça para baixo. Eu, quando criança, costuma me equilibrar como morcego nos balanços do parquinho e ver a vida de outro modo.

quando eu não usava óculos, nem cabelos curtos. Quando o barulho dos carros me intrigava e também aos cachorros da rua que seguiam sua estupida perseguição com o sentimento de donos da rua. Eu queria ser dono de alguma coisa, nem que fosse de mim mesmo. Queria uma mulher, filhos e uma casa com varanda. Nos filmes americanos eu pensei que poderia ter uma cerca branca, mas a ideia foi logo abolida dos meus sonhos.

Aprendi que não se tem nada. Só se pode admirar o que a vida nos empresta. O que o mundo deixa na nossa porta com direito a uso, sem propriedade. Não somos donos de nada. É tudo transitório, como o trânsito dessa cidade e de todas as outras apinhadas de gente sem rumo e que não aprendeu a sorrir. Vidas sérias demais, buscando ter mais que querer, que brincar, que usar.

Eu já não distribuo o meu sorriso assim de graça, ninguém sabe o valor de um sorriso. Não. Precisam de olhares sérios e repreensão. Acostumados a cair do balanço e nunca mais se equilibrar. Não suspeitam que a vida é feita de erros e acertos. Largar tudo por uma experiência ruim é típico de covardes. Por isso, eu quero amar de novo e de novo e de novo. Até que não precise mudar de endereço nem de sorrisos.

O sol me entende. Ele está lá sorrindo. Esperando alguém pra abraçar, e não poder. Mas eu deixo ele me molhar com seus raios e sua obrigação diaria. Dizem que iluminar e esquentar todo santo dia a Terra foi um pedido dele mesmo ao “ser superior” porque se apaixonou pelo planeta há muito tempo atrás, é o que dizem.Sem ele, a Terra morreria. Então ele se sacrificou para que ela viva em paz, ou mais ou menos. A lua é filha deles, mas isso é outra história.

 

 

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Uma resposta to “cair do balanço…”

  1. Eliane Fernandes Says:

    “Eu, quando criança, costuma me equilibrar como morcego nos balanços do parquinho e ver a vida de outro modo.”

    Eu também fazia isso. Só não perdi o hábito de querer ver a vida de outro modo. Subo em mesas, ando de costas…e vez por outra, ainda me coloco de cabeça pra baixo….

    Bj. Li


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