meu estranho mundo

2 de agosto de 2011

Era um coração, se não me engano. Tinha gosto de sangue e bons momentos. Confesso que estava carregado de sal e rancor, mas isso são coisas da vida. Algo tem que fazer doer e remoer aquilo que a gente costuma esconder debaixo do tapete. Cada mastigada era dificil de se dar, de se pensar, de tudo isso estar rodando em arrotos de alegria fingida.

Ter que engolir todos os sentimentos que pareciam tão nobres, como uma pobre abelha após a ferroada o mundo precisa de sacrificios. E hoje então tenho que retalhar meu coração, ou algo que pareça ser um coração, para poder continuar respirando. Desisto das minhas manias estupidas e dos sonhos bobos de garoto do interior. Quero apenas ver o sol inspirando o mundo e me deixando vivo.

Não, meus caros, não desisti do amor nem das coisas simples do mundo. Desisti de mim mesmo. De vagar pelos quatro cantos do universo vestido de palhaço fazendo com que o mundo seja um lugar melhor. Quero o mundo, agora, como cenário de filmes góticos. Trash. Com arvores cinzas e trilhas escuras. Quero a loucura de saber como será o meu dia e o resto da semana. Pra quê surpresas, abraços e arco-iris?

Incrivel como o meu coração ainda pulsa, partido em infinitos pedacinhos de carne sangrando, ele continua ali, pulsando, como se sorrisse do meu desespero. Uso mais força na faca e ele bate mais forte. Talvez se fosse ficção, teria uma banda tocando dramatic naufragando junto a ele. No fim de tudo, se abraçariam e diriam que foi bom estar junto. Mas eu não quero mais esse coração. Nem se dividido entre pensamentos e poemas ele volte a brilhar como uma estrela solitária no céu de Noa york. Já era.

O maldito se multiplica. Não termina. Não dissolve no ar nem entre meus dentes. Parece brincadeira de parques, velhas casas com espelhos. Meus dedos vermelhos de tanto chorar parecem disformes. Eu te quero, mas não posso suportar. Meu coração não quer morrer, não quer deixar o amor pra trás, não se satisfaz com nada menos que tudo de ti.

Venha, garotinha, segure a minha mão. É hora de entrar no estranho mundo feito por mim.

 

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