Em cartaz

5 de junho de 2011

A vida prega cada peça na gente que às vezes tenho vontade de cutucar o narrador dessa história.

– Ô, mano, dá uma folga aí, vai! Ah, caramba, facilita as coisas! Até parece que tem prazer em colocar dificuldade nas minhas melhores opções, pô!

Então, com uma voz garbosa de radialista da década de 1950, anúncia o próximo figurante ou ator coadjuvante. Nenhum prêmio sequer de Figurino ou Trilha Sonora que justificasse a insistência da Protagonista em chorar de verdade em cima do tablado.

Mas cansada desse sentir sem sentido, dá um tapa no colega de cena, atravessa a platéia, segura a mão do carinha de óculos engraçados e juntos vão embora recitando Drummond ou cantarolando Cartola, ninguém sabe com exatidão. Aplausos em pé e a partir daí o espetáculo passou a ter seus finais improvisados e diariamente lotava com expectadores ansiosos pelo nonsense ora trágico, ora mágico, mas sempre diferente.

Em um desses dias que, francamente, o absurdo fugiu ao descontrole! Dessa vez ela atendia uma ligação desconhecida e corria atrás desse anônimo para viver uns poucos dias autotelicamente, fugia com o seu penúltimo mais sincero amor deixando para trás compêndios e teses inacabadas sobre a cura da Paixão.

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