Não tem segundo ato

13 de maio de 2011

Se a vida fosse uma peça de teatro, eu escreverei o roteiro de uma forma totalmente diferente. Seria um remake do que não pode ser feito e começarei exatamente do mesmo jeito que terminou. Comigo lendo uma revista semanal tomando um café espresso em algum bar da Paulista.

às vezes me pego pensado em você, nas nossas conversas sem nexo durante a madrugada. Da sua habilidade quase mágica de falar sobre 5 assuntos ao mesmo tempo. Intercalando as frases e imaginando que tudo aquilo faz algum sentido pra mim. Mas eu não consigo ligar muito bem temperos cheirosos, com raves animadas e traillers de filmes água com açúcar. Só você.

Dou uma risada de leve quando lembro das grandes discussões que você teve comigo ao pensar que eu não estava prestando atenção as suas palavras que ecoavam apenas em sua mente. Não tenho culpa. Ainda não aprendi a adivinhar os pensamentos. Até consigo na maioria das vezes, mas juro que é pura sorte.

Pequenas coisas que ficarão eternamente. Lembro como eu ficava irritado e como você se zangava. Agora é tudo passado. A gente passa por cima da ponte e o rio segue seu curso abaixo de nossos pés. É como ver um filme pela segunda vez. Como ler o livro de cabeceira da nossa infância. Outros olhos, outra mente. Talvez a gente ficasse junto em um remake da nossa história.

Então, gentilmente, peço que você bote duas gotas de colírio no meu olho direito. Você derrama metade do vidrinho e molha minha cara toda e a gola da minha camisa. Um abraço apertado e risadas gostosas. É tão bom estarmos juntos. Você sentada no meu colo esperando o último beijo antes do mocinho ir pra guerra e eu sonhando com o título da Libertadores.

Talvez a gente ande de mãos dadas pela cidade pra espantar o frio e você insistirá em várias conversas ao mesmo tempo. Como é estranho estar frio nessa época do ano; falará da nova namorada do Di Caprio; discorrerá sobre os dilemas filosoficos do livro sobre Nitszche; talvez citará alguma música do Foo Fighters e encerrará comentando sobre os novos sabores de sorvete da Haagen-Dasz. E eu só balançarei a cabeça concordando. E então a gente se beija.

(As cortinas se fecham lentamente enquanto o volume dos aplausos aumentam esponencialmente, e lá no fundo você estará com os braços cruzados reclamando que o seu final seria bem melhor. )

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: