Data venia

19 de abril de 2011

Um envelope pardo embaixo da minha porta. Dentro havia uma revista do Thor e uma carta escrito por você. Não era uma carta propriamente dita, era mais um desabafo, “que a essa hora da manhã já não importa o nosso bafo” . Dizia mais ou menos assim:

“Vou começar com aquilo você quer esquecer. Os termos juridicos. Então, meu amor, data venia, você é um idiota. Sim. Eu quero te xingar até a última geração de georges que possa existir. Caso você cometa esse crime que seria se reproduzir. Você conseguiu o que queria, o título mundial de idiota do século. Quase um Pelé da idiotice. Isso mesmo, com aquela maldita camisa branca numero 10 nas fotos. Eu não consigo te esquecer, maldito. Penso em você toda noite antes de dormir. Já escrevi e re-escrevi milhões de versões dessa carta, ou melhor, desse desabafo. (Agora você deve tá rimando com aquele pedaço de “Amigo Punk” que diz que já não importa o nosso bafo. Eu te conheço o bastante pra saber que você não presta. Sim, está escrito em tua testa e nesses seus olhos pedintes. Escuta essa. Estou mais feliz longe de ti. E tem outra coisa. Não dá pra conversar com homens que tem mentalmente a metade de sua idade real. Eu escrevo isso tudo porque meu gravador acabou a pilha e não quero ser moderna pra misturar você com internet. PS. Achei a porra da revista que faltava pra tua coleção. Sim, eu pensei em ti. Não sei porque, mas pensei.”

Não assinou, mas eu reconheci a sua letra. Apesar de todas as outras antes de ti poderiam ter escrito também. Obrigado pela revista. Mas como sempre não era essa. Eu repeti 9238492384923 vezes que era o número 54 que faltava e você comprou o número 45. Como sempre não me houve. Mas tudo bem. Eu não ligo mais. Não quero mais saber de best sellers autografados. E nada vai pagar o exemplar assinado pelo Stan Lee que rasgaste. Posso ter 14 anos ou 5. Sou idiota mesmo. E sempre disse isso antes de você se apaixonar.

E se não resolveste o problema de insônia. Pense em mim. Sim, pense com tanta raiva, tantos termos em latim que aparecei em forma de cachorro e começarei a latir. Quem sabe eu uive pra você na janela. Talvez faça uma serenata com alguma música do Zeca Baleiro. Eu te amo, mas data venia, você é maluca.

Anúncios

Uma resposta to “Data venia”


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: