Anna.

4 de abril de 2011

Anna, eu sei que deixei a porta entreaberta, mas quem disse que você poderia entrar sem bater. Sem pedir licença. Sem anunciar a sua presença. Veio assim, tão linda, com um sorriso tímido e a voz suave pedindo atenção. Eu não estava preparado pra te receber. Ainda não.Meu coração vagabundo ainda costurava as feridas abertas da última batalha.

O amor não aparece na hora marcada. Quando menos se espera. Lá está você na minha porta, perguntando como estou. O que aconteceu durante esse tempo todo. Anna. Você não precisa comprar bilhete, tem acesso livre a minha vida. Meu vocabulário deficiente. Minha voz gagueja por você. Não venha me pedir desculpas. Não me olha assim.

Eu não caí na sua teia, eu me joguei. Sabia que não tinha paraquedas, que não tinha proteção. Eu queria você. Não medi os riscos. Os perigos, os problemas. Não contei que você tinha uma vida completa antes de mim. E eu, peça quebrada, não encaixava no seu quebra-cabeças. Sou aquela palavra diferente perto de você. A cor que não combina. A corda desafinada. Sou o que pode ser descartado.

E desde então caminho por aí. Cego, surdo e mudo. Sem caber nas minhas próprias roupas, não adianta usar o cinto, as calças caem. Sou um espectro de mim mesmo. Uma sombra que ninguém para pra se proteger do sol. Sou peça sobressalente. Lente de aumento para pessoas cegas. Não quero mais cão-guia. Anna, por que você se foi?

Eu entendo. Eu aceito. Quer dizer, não aceito. Mas não posso fazer nada. Você ligou a luz e queimou minha retina. Agora sigo sua voz de menina pra me dar a direção. Seu silêncio furou os meus tímpanos. Não tenho mais nada a não ser o seu cheiro para me dizer que está mais perto do que eu poderia imaginar. Então eu me calo, nenhuma palavra fará sentido se não está aqui ao meu lado. Tudo será em vão. Palavras ao vento. Que ninguém presta atenção.

Mas você entrou na minha vida. Meu labirinto não foi pareo para sua astucia. Não contava com essa determinação e como um furacão você destruiu tudo que eu tinha feito. Minha casa de tijolos. Lobo mau. Anna. E tão rápido quanto apareceu você se foi. Deixou uma carta que não tinha nada escrito. Apenas seu nome em letras garrafais. ANNA.

E agora em todo lugar vejo seu nome. Todos os cantos. Todas palavras. Até aquela música que fazia sucesso nos anos 2000 tem o seu nome. Talvez eu deva aprender a ouvi-lo sem pensar em ti. Talvez eu tenho que pensar em ti para esquecer seu nome. Até no livro novo que ganhei de aniversário começa mais ou menos assim: “Quando Anna me deixou…”.

Se seus lábios são mesmo labirintos, Anna? Que tal eu te mostrar os meus instintos mais sacanas?

 

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5 Respostas to “Anna.”

  1. Eu Says:

    Muito bom! Fez com que eu lembrasse de “Adriana, Adriana…”


  2. se eu acreditasse em horóscopo, ia dizer que tu só pode ser do mesmo signo que eu, ou coisa parecida, sei lá. Incrível como eu chego aqui e tem exatamente o que eu queria ter falado. ai ai [2]

  3. Anna Carolina Says:

    como não gostar.. tô virando é fã do azeitonas…
    e u sabe disso!!

  4. Eliane Says:

    AAAAAAAAAA!!


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