Onde os fracos não tem vez.

3 de abril de 2011

Eu estava ali, sentado na sala de aula, prestando atenção a qualquer coisa menos o professor detalhando os requisitos fundamentais de uma petição inicial. Desenhava bonecos no meu caderno. Escrevia frases marcantes de músicas do Guns N’ Roses. Tudo tirava a minha atenção. O jeito que eu mascava o chiclete sabor canela até o modo como balançava as pernas demonstrando inquietude.

Mas era um dia normal. A mesma UFMA e seus prédios de concreto. Sua paisagem cinza pela janela. O mato alto me impedia de ver o horizonte. Ao longe o sol marcava a pele de algum trabalhador braçal. E eu suando em bicas pedia por favor pra aula acabar. Pro mundo acabar. Pra alguém vir me salvar.

Foi quando ela apareceu na janela. Passando com amigos. Com seus cabelos vermelhos e sua camisa da Marilyn. Eu encostado na janela nem pude acreditar. Ela parou para ajeitar a barra da calça que insistia em deitar-se embaixo do All Star vermelho. Ao levantar o olhar cruzou com o meu.

Comédia romantica. Com direito a cena em camera lenta, uma música saltando do piano e provavelmente alguns coraçõezinhos saindo de nossas cabeças. Ela passou uma eternidade ali parada, fitando-me. Eu passei uma eternidade pra voltar ao mundo real.

Essas paixões à primeira vista que são cobradas a prazo. E arrancam-lhe o couro. Suaves prestações de monotonia. Mas era ela. A mulher perfeita. O sonho. O fim das aulas chatas na sexta de manhã.

Arrumei minhas coisas numa velocidade impressionante. Levantei, me despedi de quem precisava ser despedido. E saí correndo pelo prédio até dar a volta pelos fundos e interceptar aquela mulher. Foi tudo tão rápido que nem pensei no que dizer, onde começar. A primeira impressão é a que fica. Não tinha texto, não tinha nada. Cabeça vazia, obssessão.

Por sorte passei por um jardim. Que eu nem sabia que existia. Que diabos faz um jardim no meio do mato? Será que eu sonhei com esse jardim? Peguei uma flor qualquer, aquela que achei mais bonita de primeira. Era a aproximação perfeita.

Enchi o peito, passei a mão no cabelo pra dar um look mais convincente. Chequei o desodorante e então arrisquei um ‘oi’. Com a flor na mão esquerda e o caderno na direita.

– É pra mim? – perguntou apontando a flor.

Entreguei a flor, o caderno e o meu coração. Ela tinha um violão, estudava Jornalismo e fazia de conta que o mundo era um lugar feliz. Agora eu já tinha motivos reais pra ir a aula nas sexta-feiras. Sempre a encontrava. Cantavamos alguma coisa. Conversas sobre o fim do mundo, a crise do petroleo e a importancia da semana santa. Tínhamos discussões sobre política, futebol e religião. Éramos um casal. Apenas nas manhãs de sexta-feira. Amor adolescente.

Aprendi a não perder oportunidades. Seria isso que teria acontecido se eu não tivesse medo e continuasse sentado com a bunda na cadeira olhando a aula e o tempo passar. Alguém fez o esforço e encontrou com ela no caminho. Mas não fui eu. Não dessa vez.

Pare com a preguiça. Vá a luta. Ela não merece nada melhor. Você é o melhor pra ela. Pense assim e você será um vencedor. Não siga a filosofia dos Los Hermanos. Os fracos não tem vez. Já dizia algum filme desses consagrados.

 

 

 

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