A ponte.

3 de abril de 2011

Deitado em sua rede cor-de-rosa, balançando os pensamentos com o vento, ele escrevia mentalmente sua história de amor. Se fosse amor seria do jeito que ele queria. Seria moldado a sua imagem e perfeição. Quase uma série de mandamentos que devem ser seguidos a risca por todos os envolvidos. Era tudo muito chato e sem graça.

Qual a graça de saber o que vai acontecer? As dúvidas são as dádivas de Deus. Te ligar de madrugada e você não atender, então eu penso onde você poderia estar. Esse é o doce da paixão. A indecisão, os problemas que surgem quando não se sabe pra onde ir, o que pedir, onde sentar. Cadê você no meu radar? Tchau, radar.

A lógica das suas explicações eram tediosas. Queria ver o caos. A chuva molhando e levando todos os seus planos pra longe daqui. De que adianta um castelo de areia se o mar sempre irá derrubar? Vamos escrever em linhas tortas, flores mortas. Torta de limão. Desenhar seu nome com ketchup no meu pedaço de pizza, se lambuzar, sujar os dedos com gordura.

Inventar novas posições, fazer suposições. Te pedir pra não ligar, NUNCA MAIS. Além do mais, o mar é tão revolto e a gente anda numa canoa furada. Sem sinalização. Cadê o meu farol? Meu carro está sem sinaleira. Vamos parar ou passar no sinal vermelho? Você sem calcinha no banco do passageiro. E eu pelo espelho tentando focalizar.

Adoro quando beija meu pescoço enquanto eu dirijo. Aventuras em série. Desventuras a esmo. O amor é uma brincadeira. Dança das cadeiras. E quando a música parar, do que você irá lembrar? Das regras rígidas que ele te fez passar ou dos dias perigosos em que a gente pulava do alto da ponte pra se beijar no fundo do mar?

Qual a hora do mergulho? Pra que não fazer barulho? Grite, amor, o mais alto que conseguir. Deixe a prova pra segunda chamada. Deixa os problemas para a próxima vida. Vamos sorrir, vamos deitar na avenida, e arriscar a nossa vida com mais amor. Afinal, o coração foi feito pra se arrebentar. E ele sempre vai cicatrizar. Pode apostar.

Deixe ele dormindo na mesma rede rosa. A gente pode até tentar fazer sexo numa rede azul. Quem sabe de pé? Nunca diga que é impossível me amar só porque eu não meço consequencias, só porque eu falo o que penso e faço o que der na telha. Não sou um porto seguro, nem um bote salva-vidas. Sou a ponte velha que você terá que atravessar pra chegar ao outro lado.

E também estarei lá do outro lado pra te abraçar, beijar e te amar. Se você quiser fugir das regras, garota!Do que vale a vida se a gente não arriscar um pouco? É tudo um jogo? Vamos jogar!

 

 

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2 Respostas to “A ponte.”

  1. Eu Says:

    E ainda tem gente q vem me dizer q eu escrevo bem…no dia q eu escrever metade do q tu escreves, vou ficar muito feliz!
    Só uma observação…se é dádiva, é de Deus, dã!
    Saudades de ler as poesias assim q tu terminavas de escrevê-las na escola (eu roubava o papel, né? :P)
    Beijo!


  2. Muito bom, mocinho! (ou vilãozinho?!) 😛


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