Olá, Doutora

2 de abril de 2011

Ela me disse que enrolo as palavras. Faço um samba do crioulo doido tão bem articulado que ela não consegue me entender. às vezes falo comigo mesmo no meio do processo. E a ela, assustada, só resta me beijar. Um beijo doce com sabor de sorvete de chocolate. Calando a minha verborragia descaramente usada para confundir.

Eu já não me importava com as conversas sobre Medicina, cirurgia e sistema neurologico. Já não me importava com detalhes tão pequenos de nós dois. Queria apenas tomar outra cerveja e assistir ao Santos pela TV. Ela sentia que eu não me sentia bem. Eu sentia que era tarde demais pra apagar as luzes. Meu discurso empalhado de marionete vulgar não estava mais na moda. À moda agora é amar em silêncio.

Hipotequei o nosso amor. Agora não tenho dinheiro pra resgatá-lo das profundezas desse poço de petroleo. Peço desculpas para o seu olhar, peço tantas coisas que não posso receber. Quero você. Como antigamente. Sem salada, por favor.

Eu que não acredito em nada, comecei a rezar mês passado. Nem sei a razão exata. Peço que você volte. Não só com esse corpo mortal, mas sim com aquela alma vibrante de menina que era feliz a cada raiar do sol em claro. A gente se enroscando nos lençois da cama, sem vontade de levantar.

Já estive em tantos mundos, tantos universos paralelos que as minhas retas agora saem tortas. Você insiste que eu sou o homem da sua vida. Que não pode viver sem mim. Que tudo não passa de um desentendido. Nada de apenas bons amigos. Meu sorriso é seu porto. E essas coisas românticas que enchem o saco.

Eu quero é correr na praia. Surfar um tanto. Gastar meu suor com coisas valiosas. Seios grandes. Bundas empinadas e narizes afilados. Não quero mais saber de paixão, cartas de amor e declarações idiotas. Quero gritos e gemidos. Quero sua voz rouca no meu ouvido. Quero ver vocÊ dançar até o chão.

E sigo falando sem parar. Defenestrando veneno pra quem quiser pegar. Você ainda é a coisa mais bonita que pousou na minha sopa. Mas eu não quero mais usar o garfo pra colher flores mortas no caminho. Já cansei de seus espinhos. Seu ferrão de escorpiana.

Vou buscar novas aventuras. Talvez alguém que possa rastrear o funcionamento do meu cerebro. Operar os problemas. Suturar tudo e depois me dar alta. Pro alto e sempre. Ao lado de quem quer que seja. Uma médica ou enfermeira pra cuidar de mim.

Olá, doutora. Você pode me salvar?

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Uma resposta to “Olá, Doutora”

  1. Ana Kariny Says:

    Rá! 🙂


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