Oportunidades perdidas

28 de março de 2011

Um bom piloto deve aproveitar as chances que tem de fazer uma ultrapassagem. Não pode hesitar, onde houver uma brecha deve se meter. Retardar a freada, acelerar antes e mais que os outros. Aproveitar todo e qualquer erro de trajetória e estratégia do oponente.

Corrida de carros é isso. Não desperdiçar chances que muitas vezes são únicas. Muitas vezes passamos mais de 50 voltas atrás de um carro mais lento numa pista sem pontos específicos de ultrapassagem. Mas a pressão faz o piloto médio cometer erros e o que diferencia os vencedores é aproveitar os erros alheios criando oportunidades.

O amor é um jogo. É perceber quando surgem as grandes oportunidades. Não hesitar. Não pensar duas vezes. Não deixar para amanhã o que pode ser feito e dito agora. Tão clichê. Tão verdadeiro. É dar um abraço reconfortante quando o choro. Alguns maldosos aproveitam efeitos do álcool em mocinhas indefesas.

Eu não sou um predador. Nem tampouco um macho alfa. No máximo passo por um estrategista da arte da guerra. Seria um bom general. Mas há falhas. Eu penso demais. Planejo demais quando o que é preciso é ação.

Devaneio o nosso amor com floreios e bordas. Puxo seu cabelo com tesão num acesso repentino de desejo. Sou metade eu mesmo e outra metade alguém diferente. Trato com brutalidade e sensibilidade. Mas perco oportunidades.

Confio demais em mim. Talvez seja essa minha baixa estima. Você se perde em silencio lendo poemas no saguão do aeroporto, mas na verdade queria assistir ao UFC num bar que fede a cigarro. Um filme B com atores iniciando a carreira.

O amor não dá segundas chances. São raras. Quase pedras preciosas. Santo Graal. Você é pratica e me trocou por um galego qualquer. Eu sou complicado e te troquei por você mesma. Seis por meia dúzia. Faz frio aqui sem você, sabia?

Agora que o jogo acabou eu sei exatamente o que deveria ter feito para segurar o resultado. Levar a virada aos 44 do segundo tempo é doloroso. Mas a culpa é minha. Eu não disse o que deveria ser dito, não fiz o que deveria ter feito. Sou um defeito ambulante.

Como um apostador que quer ganhar na Mega Sena, mas nunca compra o bilhete.

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Uma resposta to “Oportunidades perdidas”

  1. Guida Says:

    É, eu às vezes me atropelo também… E, ou não digo o que deveria ser dito ou falo demais e digo o que não se deve dizer… Acho que apostei alto demais nesse jogo e nunca ganhei… Agora tenho medo de apostar…
    Gostei daqui… Vou voltar vez por outra, pode?


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