Aproveite o silêncio

24 de março de 2011

Na época que ainda existia analista na minha vida. Eu era fanático por outras pessoas me dizendo o que fazer. O único conselho que ela me dava era “Enjoy The Silence”. A arte de ficar calado. Na hora certa. Esse negócio de falar sem parar não estava mais na moda. O certo era ser misterioso.

Lembro que quando completei 17 anos ela me deu um Cd do Depeche Mode chamado “Violator” que tinha essa música como grande sucesso. Disse pra eu ouvi-la 4 vezes antes de dormir. E no dia seguinte anotar como tinha sido meu sonho. Achei aquilo tudo muito estranho. Queria melhorar meus problemas, mas nunca pensei em dever de casa. Mas acatei esse “conselho”. Vamos aproveitar o silêncio.

“Tudo que eu sempre quis. Tudo que eu sempre precisei. Está aqui nos meus braços. Palavras são desnecessárias. Elas só podem machucar”. Assim comecei minha primeira carta de amor. Declarei guerra a essa menina. Queria ficar com ela pro resto da vida. Nunca tinha me apaixonado com tanta intensidade.

Mas como sempre falei demais. Palavras fortes e duras. Meu blablabla foi insustentavel. More than words. Ela dizia. Mas eu falo demais, por não ter nada a dizer. Acho que isso é uma música dessas que ficam na cabeça. Mas o clichê do meu parlatório é infinito. Tédio. Você desliga o telefone se eu ficar um pé no saco? Tantas promessas idiotas escritas no caderno da escola. E então sua letra mostrando nossos nomes dentro de um coração. Amor colegial.

E quanto ao sonho? Naquele sábado acordei inspirado. Lembrava com detalhes do sonho. E reproduzo o que estava escrito no meu caderno:

“Era só areia. Vazio. Um sofá vermelho e uma televisão antiga. Talvez tivesse um gramofone ou sei lá como se chama aquilo do simbolo da RCA com o cachorro. Não tinha cachorro. Só uma carta. Num papel rosa, numa letra desconhecida. Pedia salvação. Talvez seja a letra de Help! traduzida. Talvez seja um daqueles recados de SOS que vem nas garrafas naufragas em alto mar. Estou num ilha. Seca. Sem água. Sem chuva. Sem um coqueiro e uma rede. Sol. Suor. Cadê você? De vez em quando miragem e seu sorriso aparece no horizonte. Longe. Longe. Se distanciando, piscando como o gato da Alice. Não quero paixão dessa vez. Quero um copo d’água. E então aparece um copo d’água. Será que tenho poder? Quero um elefantes com asas. Não aparece nada. Que merda! E eu e meu sofá vermelho flutuando como um tapete mágico à procura de silêncio. Mas eu era surdo e mudo. E só tinha olhos pra você. Te amo, minha princesa”

…como eu era bobo…

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