Só se vive uma vez.

20 de março de 2011

“Eu não tenho a mínima vontade de te beijar agora. Você, provavelmente, também não tem a menor vontade de me beijar. Mas nós dois sabemos que se nossos lábios se encontrarem, na pior das hipoteses estouraríamos esse seu colchão de ar”. Assim, ele quebrou o silêncio constrangedor de dentro do banheiro.Ela apenas deu aquele olhar, aquele que mistura sarcasmo com ironia e continuou passando o lápis no olho.

O silêncio então retornou. Em suas cabeças o eco e o filme de um beijo qualquer. Aquele com uma paixão avassaladora e saber de Halls vermelho, ou seria rosa? As coisas proibidas que se tornaram oficiais. Os segredos velados em bancos traseiros, as promessas esquecidas em shopping centers e a vontade de comer pizza no sábado à noite.

Eles não tinham mais nada a ver, mas eram levados na mesma direção como se não pudessem viver longe do outro. Nem que seja pra obter uma informação idiota no meio da madrugada. Os passos em falso. A cara no chão. Sampa no Walkman. Era um tédio estar longe dela, mas era o inferno estar ao seu lado. Queria paz. Queria água com gás. Ou Chá de pêssego.

Tanta coisa em comum. Tantos segredos e medos. Não se pode mais dizer “Eu Te Amo”. Essa será apenas uma frase na sua camiseta. Ou o título de algum livro de auto-ajuda que não ajuda mais em nada. Era o fim. Apenas o fim. Mas eles insistiam em continuar. Como sequências de filmes de sucesso.

Ele escovava os dentes no apartamento novo dela. Uma cena surreal. Ela pedia pra ele ficar só mais um minuto. Ele não sabia o que pedir. Queria um abraço apertado. Ela queria jorrar lágrimas e dizer pra que ele não se afaste. Mas nenhum dos dois tem coragem de errar de novo. Nem mais uma vez. Tantas chances. Agora é tarde.

É engraçado como existe vida após a morte. Quando o amor termina. Quando os traços são tão fortes que não se pode apagar, mesmo escritos de lápis. De olho.

Ambos seguiam errando. Erros diferentes. Distantes. Solitários. Cantando carnavais em outros lábios. Destruindo as ilusões de pessoas inocentes. Tentando provar que existe outra vida. Outro mundo. Talvez até outro planeta. Esqueça. O preço que se paga é alto demais. Mas só se vive uma vez. Talvez.

 

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