Sempre haverá romance

8 de março de 2011

Ela falava de paixões instantaneas, amores impossíveis e essas coisas água com açucar que eu já estava cansado de ouvir. Um pouco menos de conversa, meu bem, um pouco mais de ação. Debulhava mil e um livros de contos desses autores queridinhos da mídia. Citava religiosamente alguns trechos a cada conversa na mesa do bar.

Nesse feriado, alugou milhares de filmes dito românticos e entulhava minha cabeça com corações flutuando. Eu parecia um daqueles meninos bobos que fazem tudo pela namoradinha nova. Mas nem era. Devo confessar que gosto de assistir a esses filmes e dos trechos de leitura que ela me vende a preço de banana depois de uma ou duas doses. Isso me ajuda a criar inspiração.

“Não é coincidência demais o amor da sua vida aparecer justo na sua vida?” e foi assim que ela socou a boca do meu estomago. Um soco seco, reto, direto e doloroso. Perdi minha respiração por segundos. Aquele plágio de alguma frase de alguma personagem de cinema brasileiro acertou-me o peito. Alvo certeiro. Como se eu usasse aquelas camisas das campanhas de cancer de mama.

E ela seguiu olhando pra mim, me vendo derreter em câmera lenta, e queria uma resposta. Ela sempre achava que eu tinha resposta pra tudo nessa vida. Eu não sei. Poderia fingir que não acreditava nessas coisas de amor, mas a essa altura da relação ela não iria acreditar. Ela acreditava que eu era o amor da vida dela e eu também acreditava que ela seria. Eramos vice-versa tantas vezes até ficar tudo do avesso.

Eu tentei explicações gagas que não chegaram a lugar nenhum. Poderia ter dito apenas sim ou dado uma risadinha sarcastica, mas aí não seria eu mesmo. Eu queria teoremas com deduções em quadros negros como se fosse um professor do amor. Eu deveria ter dito apenas te amo. E um beijo longo e molhado antes de dormir. Era queria romance. Eu queria ela.

Só eu mesmo para ficar tenso com essas perguntinhas retóricas de mulher apaixonada. Eu tremo a cada pergunta que não tem resposta certa. Gosto de estar certo ou errado. Mais errado do que certo. E nessa noite eu não consegui dormir. Eu queria saber se existe essa história de amor. Ou a vida é apenas uma passagem sem volta pra algum lugar frio e solitário.

Desde aquele dia eu quero mais amor na minha vida. Mais romance. Historinhas água com açucar e o abraço dela com cheiro de banho. Um perfume doce e leve que invade os meus pulmões e me fazem querer cantar uma canção qualquer. Eu distribuo “eu te amo” pra ela sempre que tenho oportunidade. Inesperado. Nunca se sabe quando cairia bem uma declaração de amor. Quando ficamos devendo eternamente pela palavra não dita. E por isso eu grito: VOCÊ É O AMOR DA MINHA VIDA (pelo menos até agora).

 

 

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2 Respostas to “Sempre haverá romance”

  1. Inez Garcia Says:

    Que liiiiindo, GD 😀
    Adorei esse texto ^^


  2. Obrigada por roubar parte da idéia do sonho que tive ontem a noite e ia escrever agora, te odeio muito 😦


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