O túmulo do carnaval

7 de março de 2011

Era carnaval. Sempre acontece no carnaval. Eram tantas latinhas de cerveja na cabeça que talvez eu esqueça de tudo amanhã. Mas agora você está aqui e eu estou sorrindo. Andando pelas ruas de São Paulo, se perdendo aos grãos de fumaça. Eu não sei se quero estar aqui ou em qualquer outro lugar e você sente frio e me pede outro abraço.

Era só carnaval. Você quis roubar flores num jardim bem protegido. Saímos fugidos pelo mundo afora, perseguidos pela manhã que insistia em raiar. Você, a rainha do carnaval, se rebaixando a uma mera plebeia sem ideias correndo por aí como uma criança suja de lama. E espuma.

A chuva que caia já não era problema. Os nossos beijos já não eram solução. Amanhã provavelmente nem saberei o seu nome, nem se foi sonho ou pesadelo. Só tenho o cheiro dos seus cabelos na minha camisa molhada.

Era o meu carnaval. Urinando pelos cantos da cidade, bebendo até perder a noção do tempo. Era você. Pedindo pra eu ficar mais uma noite. Que era só o começo. Mas eu me despeço com um abraço apertado. Foi bom. Nunca mais será.

Talvez a gente se encontre em outros carnavais com outras fantasias. E quem sabe eu diga alguma coisa bonita que faça sentido no dia seguinte. Você sabe que é tarde e amanhã a ressaca vai dominar minha cabeça. Me esqueça ou lembre que eu fui aquele cara que te beijou em algum carnaval por aí.

 

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Uma resposta to “O túmulo do carnaval”

  1. Thayza Gabi Says:

    Lindo, lindo, lindo, Geh!


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