De braços abertos

25 de fevereiro de 2011

Uma época da vida inventei de jogar tênis. Eu até tinha um bom preparo físico, um bom jogo de fundo de quadra, mas era péssimo no saque. Pra um jogador amador não era tão problemático assim. O nível dos meus adversários não eram tão alto e eu conseguia manter o jogo disputado compensando com o esforço físico. Mas os rivais foram melhorando os fundamentos e ficou muito desgastante pra mim continuar jogando. Então parei.

Meu primeiro namoro sério sempre foi parecido com minha experiência como tenista. O que ela mais queria era meus pés no chão, planos, família e filhos. Eu sempre fui só aventura. Uma loucura dia após dia. Eu era um esporte radical, mas ela precisava jogar damas como os velhinhos da praça. Tive que usar os freios e uma rédea curta. Não sou burro de carga, meu amor. E logo ficou desgastante demais pra mim. Então parei.

Fui jogar futebol. Um probleminha com meu tornozelo fez com que eu me tornasse goleiro. Enquanto me dividia entre o futsal e o handball tudo dava certo. Quando fui mudado para o campo, o tamanho das traves comparado com meu tamanho diminuto foi um grande empecilho. Por mais que eu dominasse a técnica, na prática não dava mais. Fui obrigado a parar. O futebol parou comigo.

Mais ou menos assim foi minha relação seguinte. Na teoria eu era tudo o que ela poderia desejar em um cara. Namorado fiel, carinhoso com pitadas de audácia e cobertura de inteligência. Mas na prática eu não conseguia demonstrar nada disso. Era apenas um garoto bobo que parecia desinteressado pelo mundo e por ela. Minha timidez foi o grande empecilho da vez. Fui obrigado a parar. Ela parou comigo.

Por fim, botei na minha cabeça que seria um boxeador. Inscrevi-me numa academia. O treinador disse que um boxeador canhoto que não tinha força no punho esquerdo não chegaria a lugar nenhum. Então, ao contrário das outras vezes resolvi enfrentar minhas limitações. Comprei um saco de pancada e instalei no meu quarto. Passava quatro horas por dia esmurrando aquele saco de areia com minha mão esquerda. Até que criei a força necessária pra lutar.Foi uma das poucas vezes que lutei por algo na vida. Apesar de que meu final no boxe não tenha sido feliz (8 lutas e 6 vitórias até que não é tão mal, mas o nariz quebrado, mil cortes no supercilio são. Não acredita? De onde você pensa que vem essa minha carinha bonita?). Eu fui feliz.

E então ela apareceu na minha vida. Cheia de problemas, dificuldades, quase um jogo de videogame selecionado no modo Very Hard. Eu teria mil e uma razões pra não querê-la, mil e duas razões pra sumir, mas listei duas mil que me faziam ficar. Eu tinha que lutar contra tudo e contra todos por ela. Seria a segunda vez que lutaria por algo na vida. E desde então não me acostumei mais a perder. E apesar dos pesares ela está comigo hoje. E eu estou feliz. Encontrei o amor da minha vida, por enquanto. E acho que ela sente o mesmo. Enfim, posso gritar de braços abertos pra todo o vento que sou feliz.

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Uma resposta to “De braços abertos”

  1. Eliane Fernandes Says:

    : ) !!!!


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