Te ligar de madrugada

20 de fevereiro de 2011

Largo minhas roupas pelo caminho, os tênis no meio da sala, a camisa fica na mesa de jantar, a calça descansa no braço do sofá, corro só de cueca pro telefone, preciso te ligar, contar como foi meu dia, como vai ser amanhã, o que eu pensei sobre você, o que eu deixei de pensar sobre qualquer coisa. Preciso de você aqui, mas você não está. Não.

Aperto duas vezes no verde, seu nome em primeiro lugar no meu dial, sempre. O telefone chama, chama, chama e quando eu já estava desistindo ouço sua voz suave ao longe dizendo ‘oi’. Abro um sorriso gigantesco, adoro coisas felizes quando já não há mais esperança. Talvez seja isso que chamem de milagre. E eu estou banalizando a expressão. Mas eu realmente precisava de você.

Eu começo a despejar explicações sobre o céu e o mar, chuva de granizo e ônibus lotado. Explico a situação caótica da cidade grande, debulho os motivos pelos quais ela tem que se mudar, advogo em causa própria e também defendo os interesses dela. Eu quero você. Ela do outro lado ri e conta detalhes nada interessantes, mas que eu ouço atentamente e fazem toda a diferença.

A gente chega até a discutir a distância. É meio engraçado brigar pelo telefone. Você não olha a expressão de raiva dos olhos dela. Do rosto por completo. Apenas pelo timbre da voz, você sabe que é uma briga. E é bem mais dificil acalmar a fera por essa esfera. Já que o beijo não é uma opção “cala a boca”. Bom pra aprimorar o poder argumentativo. Mas eu preciso de você.

Ela diz do outro lado no meio da fúria que me ama. E eu desarmado e sem forças, me rendo. Não repito o clássico “eu também”. Apenas respiro fundo e se pudesse daria um beijo nela. Penso que ainda não era a hora das palavras mágicas. É sempre bom guardar o ZAP pra hora certa.

Já são 4 da manhã e eu tenho que desligar. Mas ela engata marchas conversivas que não tem freio de mão, eu não quero desligar, mas tenho que fazê-lo. Amanhã é um outro dia, não é?

– Não desliga, escuta. Eu preciso de você aqui.

– Eu também. Calma, que eu chego já.

Então a gente se despede em 345 tchaus, 454 boa noites, 759 beijos e 2 bons sonhos.

 

 

 

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