Na fila do cinema.

14 de fevereiro de 2011

Ela sorria leve como uma princesa, sem conferir quem estava olhando, sem perceber nada de ruim. Acenava aos desconhecidos com aqueles dentes perfeitos de quem cresceu com tudo do bom e do melhor. Ele repetia fados em sua caminhada diária para o centro da cidade, catalogando problemas e desafiando a gravidade com seus passos bêbados.

Um dia se encontraram na fila do cinema. Era um filme qualquer romântico que falava de uma mulher doente e o cara tinha que cuidar dela. Sim, eu chorei. Ele tinha a barba por fazer, uma jaqueta laranja e muitas caixas de Tic Tac sabor laranja. Ela estava de vestido florido, lápis preto e mascava Trident canela.

Sentaram lado a lado, sem pipoca. Ela não sabia se podia olhar pro lado, ele olhava pra ela discretamente de 3 em 3 minutos.  De repente, como era de costume, ela pergunta ao desconhecido o que a personagem tinha acabado de falar. E ele, solícito, respondeu. Ali começava uma “amizade de cinema”

Saíram de lá falando das coisas em comum e trocaram telefones. Combinaram de sair um dia.

Mas ele nunca ligou…

 

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