Não me importo.

29 de janeiro de 2011

Eu costumava acreditar em pequenas coisas, superstições bobas de quem não quer levar a culpa. Sempre culpava uma coisa que tinha feito diferente, odiava mudanças. Cada coisa em seu lugar. Cada macaco no seu galho. Jogos de azar. Sorte no amor. E essas besteiras que costumam falar na TV aos sábados a noite.

Cortei o meu cabelo. Nada mudou. Fiz a minha barba. Nada mudou. Tenho tatuagens. Nada mudou. O mundo e as rosas prometidas pra quem se apaixona também não chegaram. Nem as 77 virgens quando se deixa levar pela religião. Não quero mais ouvir falar que só acontece comigo. Não quero ser mais seu amigo. Tchau.

A mesma camisa que faz com que o Santos sempre ganhe. Os mesmos óculos escuros na praia. E quando a chuva cair eu estarei nos teus braços protegido dos raios e trovões. Seu batom discreto manchando minha roupa. O som da sua voz quebrando o silêncio do hino nacional.

Não estarei de luto. Não luto por mais ninguém. Não escondo as chaves pra te impedir de partir. Não quero mais saber de ilusões, fantasmas e filmes pornôs. Quando gritarem meu nome, fingirei que não é comigo. Não sou bonzinho, nem preciso distribuir sorrisos assim de graça. Sou caro, cara amiga. Posso defender um penalti na prorrogação. Posso te dar um título quando parece perdido, mas eu não serei seu amigo.

Estarei sozinho na estação do trem. Esperando você chegar. Talvez eu leve uma plaquinha com seu nome caso não me reconheça. Esqueça. Talvez eu nem esteja lá. O meu peito labirinto como o amuleto que você deixou pra mim. Traga as velhas cartas que nunca mandei e me aqueça nesse inverno.

Já não sei por que me importo com as suas reclamações. Da cama pro banho. Do banho pra sala. Da sala pra cozinha. E assim rodamos a casa toda. Quase entre tapas e beijos. Pés de coelho e segredos de liquidificador. Tchau.

Sempre ouço Velhas Virgens no volume máximo e você me repreende falando dos vizinhos desconhecidos do apartamento ao lado. E eu com isso? Eu já disse que não me importo. Na minha porta tem um tapete escrito VÁ EMBORA. Não sou bonzinho. Não quero agradar ninguém. Da próxima vez, talvez.

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