Como as letras do Nirvana…

8 de janeiro de 2011

Tá bom, admito, eu pensei em você. Não demorou muito, não foi algo programado, planejado, organizado. Só pensei. Como um avião que passa barulhento lá no alto e você se perde observando. Mais ou menos assim. Pensei no dia sim dia não da sua vida. Mas era silencioso o pensamento. Sem beijos, brigas ou solos de guitarra. Só um nuvem cinza, carregada, e que se recusava a chorar, chover, xingar.

Eu pensei em você. Não em algum gesto seu, algum xiste ou risinho irônico. Não pensei em você como um clipe do Foo Fighters, uma música do U2 ou um Refrão de Bolero. Não era música. Não era literatura. Não era nenhuma forma de arte. Só um pensamento. Um piscar de olhos. Um vulto na minha vidraça. Assim que pensei.

Foi como acordar assustado ou ouvir alguém chamar seu nome mesmo sozinho em casa. Um frio na espinha, as mãos suadas. Ainda bem que não durou muito. Rápido. Como um aviso no começo do Clube da Luta. Um Deja Vu no seu funeral, uma cueca na cabeça. Não fazia muito sentido, nunca fez. Nunca fizemos. Mais ou menos como as letras do Nirvana.

Foi um leve desespero. Pensei em você. Já nem sei dizer como ou porquê. Só sei que era verão e você tinha os cabelos balançados pelo vento buliçoso. Não, não tinha perfume algum no ar. Talvez o cheiro do almoço vindo da cozinha.

Eu pensei em você, mas já passou. Alguém quer beber?

 

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