Flores de Plástico

30 de dezembro de 2010

Ela abre a caixa vazia, ainda se iludiu que poderia vir alguma surpresa dentro. Ela se surpreendia com sua própria ingenuidade, queria poder fazer as coisas que sempre sonhou, largar o mundo, viajar. Encontrar o caminho certo mesmo que existam várias pedras a serem retiradas dele. Estava disposta a tudo, mas não tinha coragem. Uma contradição interna gigantesca.

Regava as flores de plástico apenas pela ilusão de cuidar de alguma coisa, sua vida há muito fora jogada pra escanteio. Não queria mais saber de salão e roupas da moda. Criara o seu próprio estilo semi-desleixado para chamar atenção do mundo. Sorria constantemente pra manter as aparências, negando as evidências em um sertanejo qualquer. E desde quando se pode enganar o próprio coração?

Buscava em horoscopos frases de auto-ajuda ou explicações para tudo que pensava, passava, sonhava. Adora fingir uma vida que não era dela, adorava esconder os segredos da sua própria vida. Doses cavalares de autocomiseração. Entre as tantas fórmulas que usava ferver ao sol atrás de um bronzeado era a preferida. Sorria. Sempre. Nem sempre verdadeiramente.

Foi assim que a conheci, perdendo tempo em frente a uma vitrine de lingeries. Foi assim que me apaixonei, ouvindo Chico Buarque num barzinho ali na esquina.

Contradição ou não. Let’s play.

 

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