Convite ébrio

29 de dezembro de 2010

Olha, eu estou ouvindo Gal Costa, estou lendo Vinícius de Moraes e estou bebendo vinho. Precisa explicar mais ou tu estás vendo bem o monstrinho que me tornei por tua causa? Tens noção de tamanha mudança?! É bom que tenha, porque alguém que ouve Gal, lê Vinícius e bebe fermentados só pode amar, entendes? Eu bem queria que não fosse, já havia prometido procurar alguém que merecesse de verdade, que mereça minha futura quietude que guardo para o meu mais sincero amor e blá blá blá. Mas não, tu apareces no meu caminho, cruza minha esquina, viola meu sinal vermelho e atropela meu coração, tudo com a rapidez de quem só me dá uma alternativa: amar. Gal está cantando aqui que amanhã ela queria que o cara a esquecesse, mas que hoje é toda “sim”. Está vendo bem que até Gal já previa nossa história? Olha, rapaz, os tipógrafos estão te esperando, estão esperando o parágrafo da nossa história para escrever no folhetim da minha vida, então sem buzinas, vem logo me amar porque não sei até quando agüento ler as rimas de Vinícius, não nasci pra versos alexandrinos ou sonetos metrificados, eu sou toda verso branco, ai de mim se alguém descobre que estou lendo “Como viver um grande amor”, ai de mim! Minha salvação será porque o livro tem crônicas e usarei a desculpa que prosa e verso são variáveis da poesia, mãe de todos. Anotei aqui n’um cantinho e o primeiro que vier acusando-me de piegas toma essa na cara sem mais nem menos. Olha, fico com essas coisas ao lado do telefone e já estou no último gole da terceira taça de vinho. Se eu passar mal amanhã, tu tens que vir cuidar de mim, sou dessas mulheres que conseguem o que querem, ouviu? E nem adianta fugir, ninguém irá nos proteger de nós mesmos! Nosso amor por hoje é tudo aquilo que precisamos, mas só por hoje. Amanhã não te levarei café na cama nem quero nada disso das convenções do dia seguinte, mas hoje tu tens que estar aqui comigo, hoje nós seremos almas gêmeas e, sabe de uma coisa?!, quando tu vieres verá o bom tom dessa paixão alheia, dessa paixão que quer ser eufemizada de amor, como se essas pinceladas caíssem mais bonitas nos causos da vida… Como se paixão avassaladora fosse algo sujo ou feio… Amor é mais Gal, mais Vinícius, mais vinho, não é?! Estou aqui atropelando as frases com toda essa persuasão e desse jeito, com essa distância, não purifico meus pensamentos, não repouso minha cabeça em teu peito e só sei que quero você comigo. Será uma maldade tremenda teus olhos medrosos longe de mim esta noite. Tu és um bichinho arredio, animal que não foi bem domesticado, não é?! Então faz o seguinte: segura minha mão e vem comigo por hoje, minha criancinha insegura.

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