Olá, minha cidade

23 de dezembro de 2010

Às vezes pergunto-me por onde andará meu sorriso, se anda caminhando de mãos dadas com alguém ou em que jardim repousa. Há tempos eu monalisava e parece que o mundo era mais favorável à minha tristeza dispersa… Penso que os que pensam em demasia são castigados com um sentir exacerbado, daqueles que os ditos leitores acham poético e lírico , mas os que escrevem sentem o peso dessa dor.

Inutilmente tento moldar-me para ficar do exato tamanho do teu abraço. Mas talvez meu sorriso fora roubado por ti e tuas promessas. Tu já tens muito meu e não tenho nada em troca, afinal, não pedi por tuas palavras. Além do mais, teu silêncio é mais presente em minha vida, ele que vem desejar-me boa noite, vem trazer-me um copo com água e pergunta se está tudo bem. Teu silêncio acaricia-me, beija-me e fala que ficará tudo certo, que eu serei a mesma sem ti. Ele só esquece que eu não serei a mesma com ele toda noite em meu ouvido, eu sempre procurando algum eco ou migalha.

Sabe, não é fácil e se eu pudesse teria nascido com a frieza essencial para conhecer-te, na medida certa. A poesia! Onde está a poesia? Onde? Parece que ela teve medo e vergonha de tanta literatice fajuta, ela nunca foi assim e envergonha-se de toda essa prosa mal escrita. Até um tempo atrás eu também teria vergonha e agora cá estou eu, enchendo linhas ocas coisas sem sentido que nem mesmo tu entenderias…

Era 21 de dezembro e dois únicos sinais gráficos foram água suficiente para afogar-me. Um saco plástico em minha cabeça asfixiando-me, pois é isso que tu fazes comigo, é isso que acontece. Mesmo eu sendo menina, mesmo eu sendo loba… Um gemido e nada mais por hoje.

(Boa noite, vidas. Está tudo bem comigo e aqui finjo ter a paz que procuro. Uma chuvinha ao anoitecer foi tudo aquilo que esperei já que agora não viverei mais de grandes esperas, vocês vão ver como conseguirei. Minha cidade recepcionou-me com um riso irônico ensaiado que dizia “e aqui tu sempre voltas, sempre procurando a verdadeira paz”. Parece até que ela sempre adivinha! Parece até que é anestésico e agora tenho um riso tonto de dor mal aliviada…)

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Uma resposta to “Olá, minha cidade”

  1. antitetica Says:

    Muda a palavra que eu disse… “consEguirei”


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